Archive for the 'Esvaziando a Adega' category

Esvaziando a Adega 21a. edição: Carménères

segunda-feira, junho 21st, 2010
Da esquerda para direita: Veo Grande Carménère 2005, Casa Silva Reserva 2005  e o mendocino Viniterra 2006

Da esquerda para direita: Veo Grande Carménère 2005, Casa Silva Reserva 2005 e o mendocino Viniterra 2006

 

 

A reunião foi realizada no sábado, 19 de junho, no Restaurante “Benvenuto” (tel. 11 3081-0112), localizado numa galeria da Rua Augusta, 2676 – Loja 3, com a presença dos confrades Clóvis Pavan, Lucas Garaldi, José Luiz Garaldi,  Romeu Mattos Leite e quem escreve essas linhas. 

 

Abaixo, a relação dos vinhos:

 

9° -  Aurora Pequenas Partilhas Carménère Serra Gaúcha 2006 – 12% álcool – R$ 35

8° –  Viña La Rosa La Capitana Barrel Reserve 2005 – 14,5% – San Marinno – R$ 39

7° – Armador Carménère 2006 – 13,5% álcool – World Wine – R$ 39,00

6º – Santa Rita 120 2006 – 14% álcool – Valle del Maipo – Grand Cru – R$ 32,00

5º – Casillero del Diablo 2005 – Valle Central – 13,5% álcool –  C y T do Brasil – R$ 30,00

4º - Ventisquero Reserva 2004 – Valle del Rapel – 14% álcool -  Cantu – R$ 43,00  

3º – Casa Silva Reserva 2005 – Colchagua Valley  – 14% – Vinhos do Mundo– R$ 45

2° – Viniterra 2006– Mendoza – 14,5% álcool – Vínea – R$ 62,00

1° – Veo Grande 2005 – Colchagua Valley – 13% álcool – Obra Prima – R$ 35,00

 

Sobre o Benvenuto

Com pratos preparados por Raphael Monteclaro César, o Benvenuto Cucina Artigianale, é um bistrô localizado numa galeria tranqüila da Rua Augusta, entre Oscar Freire e a Alameda Lorena. O bistrô propõe uma gastronomia contemporânea, utilizando produtos de qualidade, feitos artesanalmente, como massas, risottos e sobremesas.  Em sua cafeteria, o Benvenuto trabalha com o Café Treviolo e sempre oferece acompanhamentos diferentes, o que torna a experiência de saborear um expresso algo muito mais prazeroso. Com preços que fazem bem para o bolso, o Benvenuto tem uma cozinha caprichada que vale à pena ser conhecida.

E-mail: contato@benvenutococina.com.br ou www.benvenutococina.com.br. Não abre aos domingos.

 

 

Sobre a degustação

À esquerda: Raphael Monteclaro César comanda a cozinha do Benvenuto

À esquerda: Raphael Monteclaro César comanda a cozinha do Benvenuto

 

 

Essa degustação teve por tema a uva Carménère de procedências diversas além do Chile (Argentina e Brasil) e de safras não muito antigas (o mais velho é de 2004). A avaliação geral quanto ao estado de conservação das amostras foi boa. A amostra mais antiga datava de 2004, Ventisquero Reserva 2004. Um vinho com passagem por barrica de carvalho americano, que ainda não dava sinais de cansaço o que corrobora a afirmativa de que são longevos. Ficou na quarta posição. O campeão da “peleja”: Veo Grande Viña Errazuriz Ovalle 2005 (R$ 35,00 – Obra Prima/PR – representante Washington F. Moraes, celular 9310 6011 e-mail wf.moraes@terra.com.br), vinho elegante que mostrou toda tipicidade da casta (rubi violáceo, mostrou ótima complexidade olfativa com notas de compota (goiabada), frutas vermelhas e de boca fluída, macia, redonda, frutada e que termina com muita harmonia e apresenta um retrogosto levemente herbáceo) por ter sido produzido na excelente safra de 2005, é um vinho que praticamente manteve o seu desempenho inalterado, eis que há exatos dois anos foi campeão da degustação realizada na SBAV-SP denominada “Traga o seu vinho”.  O segundo lugar foi para um vinho que dividiu opiniões: um Carménère de Mendoza, Argentina, que logo sobressaiu-se por seus aromas a lembrar vermute, frutas vermelhas, sobra de álcool e taninos potentes. Sem tipicidade, obteve boa pontuação por conta de seu estilo poderoso e frutado. Por fim, na terceira colocação de forma incontroversa, um Carménère que já obteve o título de “Melhor Carménère do Mundo” promovido pela “Associación de Ingenieros Agronomos Enólogos de Chile”: Casa Silva Reserva 2005. Por fim, digna de nota é a região dos vinhos que ocupam a 1ª. e 3ª. posições: Colchágua,  apontada como uma das principais regiões chilenas para o cultivo dessa uva.

 

 

Sobre a Carménère

É voz corrente que cada país produtor de vinho deve ter uma identidade vitivinícola. A oportunidade do Chile se apresenta com a carménère, uva bordalesa que se extinguiu por completo na França em razão da praga denominada Filoxera. Antes disso, foi trazida ao Chile e amplamente cultivada, porém, descobriu-se que grande parte das plantações de merlot eram realmente de carménère e o Chile é um dos poucos países onde está variedade é produzida e por isso que se converteu na sua bandeira. Seus vinhos são mais escuros que os merlots e ao ser colhida no seu ponto de madurez (gosta do clima quente), apresenta aromas de café, chocolate e terra úmida.  Na boca seus taninos são aveludados e doces.  Colhida antes de seu ponto de maturação seus aromas são predominantemente herbáceos, com notas de pimentão verde e na boca costuma apresentar um ligeiro amargor que lhe confere personalidade.

 

Ela é cultivada em outros países, mas quando se fala em vinho de Carménère a referência é o Chile. É no vale de Colchagua que há o maior cultivo e produção de vinhos dessa varietal. Os especialistas dizem que ela se deu bem na região por causa da geografia que cria barreiras naturais como o oceano Pacífico, o deserto de Atacama e a Cordilheira dos Andes que protegem a região de pragas como a Filoxera e além disso o solo vulcânico e seco contribui para a composição de um terroir adequado à Carménère”.

 

Suas principais regiões de cultivo no Chile são: Vales de Cachapoal, Colchagua, Maule e Rapel.

 

Em 31.08.2008, a Wine Advocate de Robert Parker atribuiu 97/100 pontos para o vinho Carmín de Peumo da safra 2005, da vinícola Concha y Toro, a mais alta pontuação dada por esse importante crítico norte-americano a um vinho chileno.

 

Abaixo a  avaliação dos vinhos degustados;

 

9º. Lugar – Aurora Pequenas Partilhas Carménère S. Gaúcha 2006 – 12% álcool – R$ 35

Nota: 80/100 pts. 

 

8º. Lugar – Viña La Rosa La Capitana Barrel Reserve 2005 – 14,5% – San Marinno – R$ 39

Nota: 82/100 pts. 

 

7º. Lugar – Armador Carménère 2006 – 13,5% álcool – World Wine – R$ 39,00

Nota: 84/100 pts. 

 

6º. Lugar – Santa Rita 120 2006 – 14% álcool – Valle del Maipo – Grand Cru – R$ 32,00

Nota: 85/100 pts. 

 

5º. Lugar – Casillero del Diablo 2005 – Valle Central – 13,5% álcool –  C yT do Brasil – R$ 30,00

Nota: 85/100 pts. 

 

4º. Lugar –  Ventisquero Reserva 2004 – Valle del Rapel – 14% álcool -  Cantu – R$ 43,00  

Nota: 85/100 pts. 

 

Pódio -

 

3º. Lugar – Casa Silva Reserva 2005 – Colchagua Valley  – 14% álcool – Vinhos do Mundo – R$ 45

Nota: 85,5/100 pts. 

 

2º. Lugar – Viniterra 2006 – Mendoza – 14,5% álcool – Vínea – R$ 62,00

Nota: 86/100 pts. 

 

1º. Lugar – Veo Grande 2005 – Colchagua Valley – 13% álcool – Obra Prima – R$ 35,00

Nota: 87/100 pts. 

 

Esvaziando a Adega 19a. edição: África do Sul. Campeão: o vinho da Copa, Nederburg Sauvignon Blanc 2009, por R$ 27,50

quinta-feira, maio 13th, 2010
Vinhos da África do Sul

Vinhos da África do Sul

 

 

A reunião foi realizada no sábado, 8 de maio, na Restaurante  Bem Virá” (tel. 11 3721-1124), localizado no complexo gastronômico denominado “Vila do Jardineiro(Av. Eliseu de Almeida, 1077 – Butantã – São Paulo SP – tel 3721 1124), com a presença dos confrades Clóvis Pavan, Lucas, José Luiz e quem escreve essas linhas. 

Segue  abaixo a relação dos vinhos:

 

 

brancos

2° – Lyngrove Sauvignon Blanc 2008 – Stellenbosch – 14% álcool – Wine Company

1° – Nederburg Twenty 10 Sauvignon Blanc 2009 – 12,5% álcool – Casa Flora

 

tintos

6º – Diversity Gamma 2002 – 14% álcool – Expand

5º – Saxenburg Gwendolym  2000 – 13% álcool – Stellenbosch – Expand

4º - Lyngrove Shiraz 2005 – 14,5% álcool –  Stellenbosch  - Wine Company 

3º – Steenberg 2002 – 14% álcool – Coastal Region – Expand

2º – L’Ami Simon L’Avenir Estate 2003 – 14% álcool – Expand

1º- Lyngrove Reserve Shiraz/Pinotage 2005 – Stellenbosch 14,5% álcool – Wine Company

 

 

Breves comentários

Essa degustação teve como tema algumas garrafas de vinhos da África do Sul da minha adega particular. A avaliação geral quanto ao estado de conservação das amostras foi boa, porém, a conclusão a que chegamos é que os vinhos não são muito longevos. Os vinhos da Expand foram adquiridos normalmente fora dos “Sales” que a importadora promovia e estavam na adega climatizada. A amostra mais antiga datava de 2000, Saxenburg Gwendolym, corte de Shiraz (55%) e Cabernet Sauvignon (45%). Um vinho com passagem por 12 meses em barrica de carvalho francês e americano, que no entanto, já dava sinais de cansaço e que ficou na última posição. Custava R$ 95,00 na Expand. Os demais tintos, exceto o 1° lugar, tinham perfil muito semelhante, cor rubi com halo de evolução, nariz terroso e vegetal, boca forte com taninos médios e álcool sobrando na maioria dos exemplares. São simples e de qualidade aquém aos congêneres produzidos no Cone Sul, mas não chegam a ser ruins. Todavia, parece mesmo que a vocação da África do Sul é a de produzir bons brancos e vinhos de sobremesa. O Nederburg Twenty 10 Sauvignon Blanc safra 2009, o “vinho da Copa”  pode ser apontado como o grande vencedor , eis que custa no máximo R$ 30 e atingiu 88/100 pts. Tem na tipicidade o seu maior destaque. Um vinho aromático, refrescante e mineral. Lembra um Sauvignon Blanc chileno costeiro com a vantagem de custar menos da metade do preço. O tinto que amealhou a primeira colocação, Lyngrove Shiraz/Pinotage 2005, apresentou boa intensidade aromática, concentração de fruta e intensidade gustativa sem aspereza ou amargor. Relação qualidade-preço muito boa. Distanciou-se do segundo lugar por isso. Por fim, destaco o serviço do vinho do Esmeraldo, garçon cuidadoso e esforçado que se desincumbiu muito bem da tarefa porque foi elogiado por todos os degustadores.

 

Abaixo a descrição e avaliação dos vinhos degustados;

 

 

6º. Lugar – De Toren Diversity Gamma 2002 – 14% álcool – uvas: Cabernet Franc (36%), Merlot (31%), Cabernet Sauvignon (15%), Petit Verdot (10%) e Malbec (8%) – Preço: R$ 99,50 – Rubi granada turvo. Nariz pouco intenso com leve toque de couro. Boca simples, taninos duros, final seco e áspero.

Nota 81/100 pts. 

 

 

5º – Saxenburg Gwendolyn  2000 – 13% álcool – uvas: Shiraz (55%) e Cabernet Sauvignon -  Stellenbosch – Expand – 13,9% – preço: R$ 95,00 – Rubi granada com halo de evolução. Olfato fechado com uma nota mentolada. Boca plena, taninos razoavelmente macios, álcool sobrando. Madeira sobre a fruta. Final rústico.

Nota 83/100 pts. 

 

 

 

 

4º - Lyngrove Shiraz 2005 – 14,5% álcool -  Stellenbosch  -  Wine Company  - preço: R$ 40,00- Rubi violáceo com ligeira evolução. Seu perfil aromático é unidimensional, com um toque herbáceo sobre uma nota de madeira velha. Bocamacia, taninos no ponto, alguma integração de seus elementos com leve sobra de álcool. Termina com uma nota tostada.

Nota 84,5/100 pts. 

 

 

 

3º – Steenberg 2002 – 14% álcool – uvas: Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot -Coastal Region – Expand – preço: R$ 55,00 – Rubi granada sem turbidez. Nariz vegetal com toques terrosos e de caça. Boca macia, taninos resolvidos, acidez compatível, alguma concentração de sabor e final intenso sem arestas. Tivesse um pouco mais de complexidade…

Nota 85/100 pts. 

 

 

 

2º – L’Ami Simon L’Avenir Estate 2003 – 14% álcool – uvas: Merlot e Cabernet Franc -Expand – preço: R$ 49,00 – Rubi violáceo intenso com halo de evolução. Nariz mais aberto do que as amostras anteriores com sugestões de frutas negras e um discreto herbáceo. Boca que subscreve o nariz, média concentração de sabor com alguma sobra de álcool e madeira ofuscando um pouco a fruta. Taninos no auge da evolução, a indicar que mais algum tempo na garrafa não lhe fará bem, portanto, beber já. Termina redondo e com alguma persistência.

Nota 85,5/100 pts.   

 

 

1º- Lyngrove Reserve Shiraz (80%) e Pinotage (20%) 2005 – Stellenbosch 14,5% álcool – Wine Company – preço R$ 52,20 – Rubi violáceo com levíssimo halo de evolução. Nariz complexo com leve frutado (ameixa/framboesa) e um toque de cedro. Boca macia, taninos de boa qualidade com alguma doçura e madeira permitindo bom espaço para fruta (compota). Acidez na medida. Termina como começou: sem aspereza e sem amargor. Ainda agüenta mais uma ano na garrafa.

Nota 87/100 pts.+  

 

 

Brancos

2°- Lyngrove Sauvignon Blanc 2008 – Stellenbosch – 14% álcool – Wine Company – preço R$ 40,00 – Palha na transição para o dourado. Nariz simples com notas florais e vegetais sem confirmar a tipicidade da casta. Boca macia, bom frescor com leve toque cítrico. Degustado pela primeira vez em 16.09.2008, esta garrafa apresentou acentuado declínio de seu frescor  e pouca tipicidade. Ainda assim é um vinho razoavelmente agradável.

Nota 86/100 pts. 

 

 

1° – Nederburg Twenty 10 Sauvignon Blanc 2009 – 12,5% álcool – Casa Flora – preço: R$ 27,30 (Rei dos Whiskys – tel. 011 3488 2199) – Palha claro com reflexos esverdeados. Nariz intenso com as notas vegetais típicas da casta, frutas tropicais como maracujá sobre uma nota de arruda e de grama cortada. Na boca subscreve esses aromas com elegância proporcionada pela nota mineral que domina o conjunto. Seu estilo chega a lembrar os gostosos Sauvignons chilenos de Leyda e San Antonio, com a vantagem de custar menos da metade do preço. Equilibrado (12,5% de álcool), foi produzido com uvas da safra de 2009, uma das melhores dos últimos anos para a Sauvignon Blanc na África do Sul. Ligeiramente curto no palato, termina complexo e fresco esbanjando tipicidade. Ótima relação qualidade-preço. Beber já.

Nota 88/100 pts. 

Esvaziando a Adega 18a. edição com blogueiros: verticais de Marques da Casa Concha Merlot e Cabernet Sauvignon

quarta-feira, abril 14th, 2010
Na linha Marques de Casa  Concha os vinhos tem o tradicional perfil chileno e por isso são confiáveis, porque apresentam correta relação preço-qualidade

Na linha Marques de Casa Concha os vinhos tem o tradicional perfil chileno, são confiáveis e apresentam correta relação preço-qualidade

 

 

 

A reunião foi realizada no sábado, 21 de abril de 2010, no “Empório Vila Buarque” (tel. 11 3721-1124), sito à Rua Major Sertório, 561, Vila Buarque, tel. 3214 – 2241, com a presença dos blogueiros abaixo indicados. O serviço do vinho transcorreu com serenidade, sem os habituais atropelos, confusões, superior ao de algumas casas já habituadas em receber confrarias porque os vinhos foram servidos rigorosamente na ordem pré-estabelecida.

 

Alexandre Frias    www.diariodebacco.com.br

Beto Duarte           papodevinho.blogspot.com  

Cristiano Orlandi   www.vivendovinhos.blogspot.com     

Daniel Perches      www.vinhosdecorte.com.br

MarcelodiMoraes   www.marcelodimoraes.com/blog/index.php

Silvia Cintra Franco   www.vinhoegastronomia.com.br

 

 

Vertical de Marques de Casa Concha Merlot 2002, 03, 04 e 2005

Vertical de Marques de Casa Concha Merlot 2002, 03, 04 e 2005

 

   

 

Degustações Verticais: conceito.

 A resposta vem de Suzana Barelli - Revista Menu de julho de 2009:O vinho é a bebida alcoólica que mais nuance de aromas, sabores e estilos apresenta a cada safra. Por mais que a tecnologia, principalmente dos países do chamado Novo Mundo vinícola, consiga reduzir, e muito, as variações entre as safras, nunca um ano é igual ao outro. O clima, em anos com mais chuva, em outros com mais sol, é o principal responsável por estas mudanças – em 2003, de verão quentíssimo na Europa por exemplo, resultou em brancos e tintos alcoólicos, mais prontos para beber quando jovens e muitos com menor capacidade de envelhecimento. Mas há outros fatores como o estilo que o enólogo quer dar à bebida naquela safra, o envelhecimento do vinhedo, cada vez mais velho e com uvas mais concentradas, e o amadurecimento do vinho, agora na garrafa. Todas estas questões se revelam numa degustação vertical – quando diversas safras de um mesmo vinho são provadas na seqüência”.

 

Para tanto, os vinhos escolhidos são dois exemplares representativos da escola chilena, um Merlot do Vale de Rapel e um Cabernet Sauvignon de Puente Alto, Vale do Maipo, berço dos grandes Cabernets do Chile: Marques de Casa Concha, safras 2002, 2003, 2004, 2005 (Merlot) e 2003, 2005 e 2006 (Cabernet Sauvignon). Seu preço atual varia de R$ 65 (Cabernet Sauvignon, Supermercado “Dia”) a R$ 85,00 (CS e Merlot – Supermercado Pão de Açúcar). As safras que podem ser encontradas sem dificuldade são: 2006 e 2007 para Cabernet Sauvignon e 2006 para o Merlot.

 

 

Antes da degustação três espumantes foram abertos levados respectivamente por Silvia Cintra Franco, Alexandre Frias e Cristiano Orlandi:

 

Prosecco levado por Silvia

Prosecco levado por Silvia

 

  

 

1° Col de Salici Prosecco, Spumante Extra Dry, V.S.A.Q., 12,5% álcool, R$ 55,92 – Wine Brands – palha claro, aromas simples e francos confirmados na boca de bom frescor. Termina com discreto amargor. Nota: 85/100 pts.

 

Cave Geisse levado por Alexandre Frias

Cave Geisse levado por Alexandre Frias

 

 

 

 

2° Cave Geisse Nature Método Tradicional, 12,5% álcool – palha claro, aromas complexos, estruturado, macio, de ótimo frescor e tipicidade. Nota: 88/100 pts.

Este Moscatel foi do Cristiano

Este Moscatel foi levado por Cristiano

 

 

 

 

3° Casa Valduga Premium Espumante Moscatel, safra 2009, estilo clássico. – palha claro com reflexos esverdeados, aromático e balanceado. Fácil de beber, um espumante redondo que se destaca por seu frescor e relação preço-qualidade. Nota: 87/100 pts.

 

No sentido horário: Alexandre Frias, Daniel Perches, eu, Silvia Cintra Franco e Cristiano Orlandi

Da direita para esquerda: Alexandre Frias, Daniel Perches, eu, Silvia Cintra Franco e Cristiano Orlandi

 

Vertical MCC Merlot: um autêntico Merlot, como poucos.

 

1º. Lugar – safra 2002Vale de Rapel, Peumo – 14% álcool – 100% do mosto amadureceu 15 meses em barricas francesas, 1/3 novas e 2/3 de 2˚ uso.  Enólogo Marcelo Papa. Rubi violáceo com discreto halo granada. Intenso e complexo no nariz com aromas de frutas negras, tabaco e nuances defumadas. Na boca os taninos sólidos e de firme textura confirmam as sensações olfativas com elegância e sedosidade. Enche o palato e causa intensa salivação. Um vinho clássico, que esbanja tipicidade e que termina longo e suave. Redondo e de fruta bem aparente. Este vinho é prova de não devemos acreditar piamente no julgamento considerando exclusivamente a sua safra, porque 2002 não foi uma boa safra no Chile e pela segunda vez este Merlot confirma sua excelência (vide conclusão no fim do texto). Agüenta mais um ou dois anos na garrafa com folga, mas não irá evoluir.

Nota: 90/100 – Importador: CyT do Brasil – preço médio em SP: R$ 65/85

 

 

2º. Lugar – safra 2005 – Vale de Rapel, Peumo – 14,5% álcool – 100% do mosto amadureceu 18 meses em barricas francesas, 36% novas e 64% de 2˚ e 3° uso. – Aqui temos uma situação inversa. A safra 2003 foi “ímpar” o que em tese implicaria num vinho superior, todavia, isso não aconteceu.  O vinho apresentou cor menos evoluída do que o 2002 e aromas menos intensos, notas de frutas vermelhas (cerejas) sobre um fundo de alcaçuz. No palato os taninos estão presentes (macios) e são de boa qualidade. A madeira dá sinais de integração à fruta. Longo e intenso deixa uma nota herbácea no final. Seu auge está por se aproximar.

Nota 88,5/100 pts.  ++

 

3º. Lugar – safra 2004 Vale de Rapel, Peumo – 14,5% álcool – 100% do mosto amadureceu 17 meses em barricas francesas, 36% novas e 64% de 2˚ e 3° uso. Rubi violáceo vivo. No nariz seus aromas são muito semelhantes ao MCC Cabernet Sauvignon 2003, com cassis, fruta em compota (ameixa) e café torrado. Na boca um vinho estruturado, com leve sobra de álcool, madeira por sobre a fruta, corpo bom, boa tipicidade com ameixa e uma ponta de chocolate. Intenso e profundo necessita de tempo para integração do conjunto.

Nota 88/100 pts. +

 

 

4º. Lugar – safra 2003 – Vale de Rapel, Peumo – 14% álcool – 100% do mosto amadureceu 17 meses em barricas francesas, 36% novas e 64% de 2˚ e 3° uso. Cor semelhante ao 2002 com halo de evolução menos nítido. Um pouco herbáceo no nariz (fechado), denso e de boa persistência, cujo estilo destoa dos demais porque não tem a concentração de sabor esperada. Existe algum equilíbrio entre fruta e taninos, mas muito abaixo do nível do 2002.  Novamente se trata de um exemplar de safra ímpar que decepcionou, mas não muito porque um dos seus principais atributos é a tipicidade que foi confirmada. Será que mais algum tempo na garrafa contribuirá para o equilíbrio de seus elementos ou se trata de problema  dessa garrafa?

Nota 86/100 pts.

 

A mesa preparada para degustação

A mesa preparada para degustação

 

 

 

 

Vertical MCC Cabernet Sauvignon: durante muito tempo o principal da vinícola até o surgimento do Don Melchor, todavia, a qualidade foi mantida.  Vide abaixo:

 

1º. Lugar – safra 2003 – Vale do Maipo, Puente Alto, 14,5% álcool – 100% do mosto amadureceu 18 meses em barricas francesas, 1/3 novas, 2/3 barricas de 2˚ uso e 3° uso.

Rubi violáceo intenso com profundidade. Nariz típico da casta com cassis, chocolate, ameixa e tostado. O álcool está bem entrosado com os demais elementos e o conjunto é equilibrado. Na boca a sua entrada revela um vinho estruturado, pronto, sedoso, de taninos fortes e macios repetindo as sensações olfativas com a livre expressão da fruta e discreto acento mineral. De longa persistência, termina como começou sem arestas e sem rusticidade. Ao contrário, porque se mostrou untuoso e fresco e seus sete anos de garrafa nada pesaram. 2003 foi considerada safra ótima no Chile. Ainda vai evoluir na garrafa. Aqui Marcelo Papa também é o enólogo.

Nota: 89/100 ++ – Importador: CyT do Brasil – preço médio R$ 65/85

 

2º. Lugar – safra 2005 – Vale do Maipo, Puente Alto, 14,5% álcool – 100% do mosto amadureceu 18 meses em barricas francesas, 36% novas, 64% de 2˚ uso e 3° uso.

Muito semelhante ao exemplar anterior tanto na cor como nos aromas, mas  menos intenso em tudo (olfato e palato). Macio e sedoso confirmou a excelente tipicidade da casta no Vale do Maipo. Vinho gostoso que vai evoluir muito bem na garrafa até 2015.

Nota 88/100 pts. + +

 

 

3º. Lugar – safra 2006 – Vale do Maipo, Puente Alto, 14,5% álcool – 100% do mosto amadureceu 18 meses em barricas francesas, 36% novas, 64% de 2˚ uso e 3° uso.

Este vinho é uma verdadeira incógnita. Bebido pela primeira vez na sede da Concha y Toro em fevereiro de 2009, praticamente teve seu perfil inalterado nesta segunda oportunidade. Rubi violáceo intenso com reflexo púrpura. Fechado no nariz com discretos aromas herbáceos. Na boca a madeira está por cima da fruta, mas ainda assim apresenta concentração de sabor e seus taninos são muito firmes. Os elementos álcool, fruta, taninos, acidez e madeira estão por se integrar. Termina longo e com uma ponta de rusticidade, sem perder tipicidade porque é um típico Cabernet do Vale do Maipo.

Nota 86/100 pts.  

 

Degustação do MCC chardonnay 2007 na VCT em 11/2009

Degustação do MCC chardonnay 2007 na VCT em 11/2009

 

 

 

Resumo – Merlot

Parece que a frase “quanto mais velho melhor” tem plena aplicação ao vinho Marques de Casa Concha nas suas duas principais versões: Merlot e Cabernet Sauvignon. No Merlot a grande surpresa foi o excelente 2002 (que para quem escreve não foi novidade porque este vinho já havia confirmado sua supremacia numa degustação coordenada na SBAV em 07.02.2006), que provavelmente encontrou o seu auge e deverá ficar assim por mais um ou dois anos. Tudo indica que o segundo lugar, 2005, atingirá com mais alguns anos o mesmo nível de qualidade.  O 2004 também tem longa vida pela frente e o 2003 decepcionou porque o nível de qualidade apresentado não possibilita nenhuma inferência sobre sua evolução. Será problema dessa garrafa? Será que ela faz parte da estatística mencionada por Hugh Johnson no seu celébre Guia de Vinhos, que estabelece que: “uma garrafa, numa caixa de doze, não estará necessariamente bouchonée, mas apenas misteriosamente abaixo do nível”.

 

Resumo – Cabernet Sauvignon

Sem fugir do espírito da frase supracitada, a lógica das safras chilenas ímpares foi confirmada: o 2003 é um vinho cujo auge se aproxima porque exibiu excelente tipicidade e pleno equilíbrio gustativo. Na mesma linha segue o 2005. O 2006, degustado por duas vezes é uma incógnita, porém, um juízo mais seguro poderá ser obtido degustando-o mais uma vez e tudo indica que isso ocorrerá brevemente, porque uma nova vertical desses vinhos será realizada com as seguintes safras:

 

Merlot -  2003, 2005 e 2007.

Cabernet Sauvignon –  1998, 1999, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007.  

Syrah –  2004, 2005 e 2006.

Chardonnay  -  1997,  2003,  2005 e  2007.

 

Entra da Viña Concha y Toro, no Vale do Maipo, ainda na região urbana de Santiago

Entrada da Viña Concha y Toro, no Vale do Maipo, ainda na região urbana de Santiago

 

 

Por fim, a conclusão final é que o Marques de Casa Concha nas duas principais versões é um vinho consistente, que se destaca por sua tipicidade e que, se não custa barato, ainda assim vale cada centavo. A única observação que faço das safras degustadas é que até 2006 a máxima  “quanto mais velho melhor” tem plena aplicabilidade. Contudo, como já tivemos a oportunidade de degustar os exemplares de 2007 (CS e Merlot) “in loco” (na vinícola), posso afirmar que houve mudança no estilo, mas não para pior: a madeira está menos aparente e a fruta mais evidente. A safra 2007 também é apontada pela VCT como “safra histórica para tintos premium”. Essas garrafas serão incluídas na próxima vertical, eis que gentilmente me foram cedidas por Agnaldo Fidelis, Gerente Comercial da Concha y Toro do Brasil. As demais fazem parte de meu acervo e foram adquiridas na medida que iam sendo lançadas no mercado.

Saúde!

 

Vista parcial do Bistrot existente na Vinícola Concha y Toro: possibilidade de harmonização de vinhos com os pratos indicados no cardápio

Vista parcial do Bistrot existente na Vinícola Concha y Toro: possibilidade de harmonização de vinhos com os pratos indicados no cardápio

Esvaziando a Adega – 17a. Edição – Espumantes

segunda-feira, dezembro 14th, 2009

jeri_01

 

 

A reunião foi realizada no sábado, 12 de dezembro, na Churrascaria “Cabana del Asado” (tel. 11 3721-1124), um dos primeiros restaurantes de SP a evocar uma autêntica  churrascaria portenha encravada no complexo gastronômico denominado “Vila do Jardineiro(Av. Eliseu de Almeida, 1077 – Butantã – São Paulo SP – tel 3721 1124), com a presença dos confrades Clóvis Pavan, Lucas Garaldi, Roberto Ventura e quem escreve essas linhas. 

 

Abaixo, a relação dos vinhos na ordem de classificação:

 

6º – Aliança Danúbio – Sangalhos – 12% álcool

5º – Tarapacá  2008 – Vale do Maipo – Épice – 12,5% álcool

4º -  Bulle de Blanquette 2003 – Vitis Vínifera  – 12,5% álcool

3º – Benjamin Escudero Brut Nature – Cava de Vinhos/La Rioja – 11% álcool

2º – Salton Evidence – preço médio entre R$ 40/50 – 12% álcool

1º – Toso Brut – Mendoza – R$ 22,90 – Interfood/Rei dos Whiskyes – 11,5% álcool

 

jeri_02

Esvaziando a Adega – 16ª. Edição

terça-feira, novembro 24th, 2009

j_04

Vertical de Marques da Casa Concha Chardonnay seguida de quatro Pinots Chilenos.

A reunião foi realizada no sábado, 21 de novembro de 2009, no Restaurante “Bem Virá” (tel. 11 3721-1124), restaurante de concepção arquitetônica rústica encravado no complexo gastronômico denominado “Vila do Jardineiro” (Av. Eliseu de Almeida, 1077 – Butantã – São Paulo SP – tel 3721 1124), com a presença dos confrades Clóvis Pavan, Roberto Ventura, Romeu Mattos Leite, José Luiz e Lucas Garaldi.  O serviço do vinho transcorreu com serenidade, sem os habituais atropelos, confusões, superior ao de algumas casas já habituadas em receber confrarias porque os vinhos foram servidos rigorosamente na ordem pré-estabelecida, na temperatura de serviço e sem necessidade de orientações constantes.

Degustações Verticais: conceito.

A resposta vem de Suzana Barelli – Revista Menu de julho de 2009: “O vinho é a bebida alcoólica que mais nuance de aromas, sabores e estilos apresenta a cada safra. Por mais que a tecnologia, principalmente dos países do chamado Novo Mundo vinícola, consiga reduzir, e muito, as variações entre as safras, nunca um ano é igual ao outro. O clima, em anos com mais chuva, em outros com mais sol, é o principal responsável por estas mudanças – em 2003, de verão quentíssimo na Europa por exemplo, resultou em brancos e tinos alcoólicos, mais prontos para beber quando jovens e muitos com menor capacidade de envelhecimento. Mas há outros fatores como o estilo que o enólogo quer dar à bebida naquela safra, o envelhecimento do vinhedo, cada vez mais velho e com uvas mais concentradas, e o amadurecimento do vinho, agora na garrafa. Todas estas questões se revelam numa degustação vertical – quando diversas safras de um mesmo vinho são provadas na seqüência”.

j_01

Para tanto, os vinho escolhido foi um chardonnay bastante representativo da escola chilena anterior ao Vale de Casablanca: Marques de Casa Concha, das safras 2003, 2004, 2005 e 2006. Seu preço atual está na casa dos R$ 80,00 e a safra 2007 já está à venda. O 2008 já está sendo vendido no Chile e a diferença ficou por conta da origem das uvas: antes vinham do de um setor fresco do Vale do Maipo e à partir de 2008 do Vale de Limari.

100% do mosto do MCC Chardonnay fermenta em barricas francesas, sendo um terço novas e isso reflete o estilo do vinho que é elegante, fragrante com a baunilha evidente nas safras mais recentes e perfeitamente integrada nos mais antigos, com boa expressão de fruta. Todas as garrafas ostentavam o mesmo percentual de álcool: catorze por cento e nenhum exemplar se mostrou desequilibrado e os vinhos expressaram com fidelidade o terroir local e as influências climáticas de cada safra.

Vertical de Marques de Casa Concha  Chardonnay: quanto mais velho melhor.

1º. Lugar – safra 2003 – 14% álcool – Cor amarelo dourado brilhante. Nariz intenso com predomínio de frutas tropicais maduras a lembrar abacaxi em calda, damascos e geléia de frutas. Girando a taça sugestões tostadas e de frutas cítricas sobre um fundo mineral. Apesar de elevado (14%), o álcool está bem entrosado com os demais elementos e o conjunto é equilibrado. Na boca a sua entrada revela um vinho pronto, de acidez delicada com a repetição das sensações olfativas. O corpo é médio e concentração de sabor revela boa fruta com um discreto acento mineral. De média persistência, termina como começou: sem arestas, sem amargor e sem ser enjoativo. Ao contrário, porque se mostrou untuoso e fresco, apesar dos seis anos de sua safra, considerada ótima no Chile. Agüenta mais um ou dois anos na garrafa com folga, mas não irá evoluir.
Nota: 90/100 – Importador: CyT do Brasil – Preço – R$ 80,00

2º. Lugar – safra 2005 – 14% álcool – Descrição semelhante à do vinho anterior, todavia, sua cor demonstrou menos evolução e na boca menos concentração de sabor do que o exemplar anterior. Seu auge está por se aproximar.
Nota 88/100 pts. – Importador: CyT do Brasil – Preço – R$ 80,00

3º. Lugar – safra 2006 – 14% álcool – Amarelo palha na transição para o dourado. Boa expressão aromática com notas de baunilha, algum cítrico e abacaxi. Boca equilibrada, madura, acidez proporcionando bom frescor num corpo médio e intenso. Termina suave e ainda apresenta condições de evolução na garrafa porque a madeira ainda está presente, todavia, permite alguma expressão da fruta.
Nota 87/100 pts. – Importador: CyT do Brasil – Preço – R$ 80,00

4º. Lugar – safra 2004 – 14% álcool – Amarelo dourado semelhante ao 2003. Muita fruta madura no olfato secundado por baunilha. Pesado na boca, com muita madeira e baixo frescor. Depois de algum tempo a fruta apareceu, na forma de compota de abacaxi. Termina denso e com boa persistência, mas seu estilo destoa dos demais.
Nota 85/100  pts. – Importador: CyT do Brasil – Preço – R$ 80,00

 

j_021

Segunda degustação: pinots chilenos

Para essa degustação os vinhos escolhidos estavam na faixa de preço abaixo dos R$ 50 e tivemos surpresas agradáveis. O guia chileno Descorchados 2009 informa que atualmente a uva que mais se planta nas terras chilenas é a Pinot Noir. A cada dia surge um novo vinho dessa casta, de casca fina e de difícil adaptação fora da Borgonha. Todavia, a diversidade de microclimas existentes nos diversos vales chilenos, tem ensinado que nas regiões costeiras os resultados, ainda que distantes do desejado tem sido positivos. A única exceção fica por conta da Undurraga que sempre fez pinots com uvas do Maipo (atualmente as uvas da  linha TH são do Vale de Leyda) e sempre conseguiu resultados satisfatórios na região de Talagante, ao sul do vale citado  e muito próximo do rio Maipo.  Foi incluído como “intruso” : um Pinot Uruguaio, de um produtor de renome (Pisano),  que decepcionou porque estava bouchonée.

Sem mais delongas seguem os resultados:

Desclassificado – Pisano Pinot Noir 2005 – Uruguai – 14% álcool –preço: US$ 29,90 – importadora: Mistral

5º. Lugar – Paso Hondo 2004 Alta Selección – Bio Bio – 14% álcool – preço: R$  65,00  – Intermares/Piracicaba
Rubi com halo granada. Nariz fechado com uma discreta nota vegetal. Boca pouco expressiva, sinalizando um vinho em declínio de pouca fruta, corpo adequado, acidez elevada, madeira tripudiando a fruta e descompasso do tripé álcool, acidez e taninos. Alguma tipicidade. Deve ser bebido já porque não apresenta condições de evolução na garrafa. Termina com alguma rusticidade.
Nota 82/100 pts.

4º. Lugar – Gracia de Chile Relativo 2005 – Bio Bio – 14% álcool – preço: R$ 57,51 – Grand Vin (importador atual Wal-Mart)
Rubi violáceo sem muita concentração e halo de evolução. Nariz mais aberto do que a amostra anterior, com sugestões de frutas vermelhas e um discreto herbáceo. Boca que subscreve o nariz com média concentração a evocar a casta. Taninos macios e acidez lhe conferindo algum frescor. Curto e leve a fruta tem algum espaço. Final franco e simples .Fácil de beber, já está pronto e já sinaliza cansaço.
Nota 84/100 pts.

3º. Lugar – Valdivieso Reserva 2005 – Vale de Casablanca – 13,5% álcool – preço: R$ 50,00 – Bruck
Sua cor não traduz a tipicidade da casta: rubi violáceo intenso com alguma de evolução.  Nariz interessante com notas tostadas e de frutas negras a denunciar alguma complexidade. Boca macia, com taninos no ponto e boa concentração de sabor com tipicidade um pouco abaixo da esperada, porque a madeira vem na frente. Acidez adequada e final com leve adstringência. Não vai melhorar na garrafa, portanto, está num bom momento para ser bebido. Termina com ligeira aspereza.
Nota 85/100 pts.

2º. Lugar – Undurraga 2005 – Vale do Maipo – 13,5% álcool – preço R$ 14,90 – Wal-Mart Brasil Ltda. (adquirido no fim de 2007) – este vinho não me surpreendeu por que é um velho conhecido meu. Seus vinhedos são antigos e estão muito próximos do Rio Maipo e recebem boa insolação e brisas frescas. O solo aluvional é bem drenado, com pedras que possibilitam o correto escoamento da água em benefício da planta.  A Undurraga é uma vinícola que sempre cultivou a Pinot Noir e no seu portfólio existe um interessante “Pinot/Cabernet” que vale à pena ser provado, sem se falar na novel linha TH, com uvas de regiões costeiras.  Rubi violáceo com levíssimo halo de evolução. Nariz expressivo a indicar um vinho de bom frescor, frutado (morango/framboesa), leve sugestão tostada sobre um fundo mentolado com boa sustentação. Depois aromas de compota e mentol. Boca macia, taninos de qualidade muito boa e acidez gastronômica dando equilíbrio ao vinho. De boa tipicidade, termina sem aspereza e sem amargor. Está no auge, portanto, deve ser bebido já. Pelo preço pago, sua relação preço-qualidade é nota 10, com louvor.
Nota 87/100 pts.

1º. Lugar – Casilero Del Diablo 2006 – Vale de Casablanca – 14% álcool – Pernord Ricard do Brasil – preço atual: R$ 29,90 (Makro – safra 2008) – o contra-rótulo informa que: “Un Pinot Noir complejo. sabores a frutilla, frambuesa con suaves  notas de café y chocolate.  De cuerpo medio, buena estructura y un final largo y persistente.  Maridaje. Muy versátil,  puede  acompañar carnes, pollo,  platos vegetarianos, queso camembert e incluso con pescados grasos como salmón  o atún”.  Acrescento as seguintes notas à descrição do vitorioso da degustação: cor rubi com reflexos violáceos e pequeno halo de evolução (inferior aos anteriores), nariz complexo com frutas vermelhas, coco, tostado e, leve balsâmico.  Boca redonda, de acidez delicada, taninos presentes de boa qualidade, fruta em evidência sem excesso de madeira.  Muito boa concentração de sabor com alguma profundidade e tipicidade. Retrogosto persistente com uma nota frutada. Ainda agüenta mais um ano na garrafa e sua relação preço-qualidade é um de seus destaques. O seu único problema é que apesar de ser um Casilero Del Diablo,  não é tão fácil de ser encontrado.  À conferir.
Nota 88/100 pts.+

Esvaziando a Adega – 15a. edição

sábado, outubro 3rd, 2009

aniversario-cibele-0391

 

 A reunião foi realizada no sábado, 03 de outubro de 2009, na Churrascaria “Cabana del Asado” (tel. 11 3721-1124), um dos primeiros restaurantes de SP a evocar uma autêntica  churrascaria portenha encravada no complexo gastronômico denominado “Vila do Jardineiro(Av. Eliseu de Almeida, 1077 – Butantã – São Paulo SP – tel 3721 1124), com a presença dos confrades Alexandre Furniel, Clóvis Pavan, Gilberto Medeiros, Romeu Mattos Leite, José Luiz, Lucas Garaldi, Julio Mora e Horst Kissmann.  Merecem menção especial o atendimento e a recepção de ótimo nível proporcionado pelo Cabaña na pessoa de seu proprietário Alexandre Milton Mora e o impecável serviço do vinho desempenhado pelos garçons Antonio e Celso: tudo transcorreu com serenidade, sem os habituais atropelos, confusões, serviço superior ao de algumas casas já habituadas em receber confrarias porque os vinhos foram servidos rigorosamente na ordem pré-estabelecida, na temperatura de serviço e sem necessidade de orientações constantes. As carnes, todas de boa qualidade,  também foram servidas no ponto correto.

 

Abaixo, a relação dos vinhos:

 

11º – Casa de Piedra Malbec 1999 – Valle Central – 13,5% – importadora Bruck

10º – Palari Faro 1999 – DOC Sicília – 13,5% – Cellar – atual importador: World Wine – R$ 333,00 (safra 2006)

9º – Aliança Tagra 1999 – VR Terras do Sado – Carrefour

8º – Casa Valduga Cabernet Sauvignon  1999 – Vale dos Vinhedos – 12,5%

7º – Arnaldo B Etchart (50% Malbec e 50% CS) – Mendoza/Cafayate – 13,9%

6º – Alamos Malbec 1999 – Mendoza – 13,5% álcool – Mistral

5º – Pata Negra Gran Reserva 1999 – Valdepeñas – Casa Flora

4º - Chateau La Marzelle 1999 – Grand Cru Classé en 1855 – Saint-Emilión 

3º – José de Souza Mayor 1999 – VRA – José Maria da Fonseca 13,5% álcool

2º – Quatro Castas 1999 – Herdade do Esporão – VRA – 13,5% álcool – VRA – R$ 96,50 (safra 2004)

1º – Yacochuya Malbec 1999 – 15% álcool – Grand Cru – R$ 305,00

 

 

Breves comentários

 

Dois vinhos que não participaram da degustação tiveram desempenho surpreendente: o primeiro foi um Argentino, aberto pelo Alexandre da Cabaña del Asado: Enamore 2007, fruto da união das Bodegas Allegrini (Vêneto/Itália) e Renacer (Perdriel/Mendoza), 14,5% de álcool, blend das castas Malbec (60%), Cabernet Franc (23%), Cabernet Sauvignon (10%), Syrah (4%) e Bonarda (3%). O que chama a atenção é o método de produção desse vinho: utiliza técnica do “apassimento” (contra-rótulo), que consiste em deixar as uvas secando sob os fortes ventos andinos, aumentando a concentração de aromas e sabores. Depois de uma larga fermentação o mosto amadureceu mais doze meses em barricas francesas de primeiro uso. O vinho é uma espécie de Amarone Argentino. Na degustação se saiu bem: rubi intenso, aromas com predomínio de ameixas e um toque mentolado, sobra de álcool, boca estruturada, taninos presentes de boa qualidade com algum dulçor, madeira prevalecendo com ligeiro espaço para fruta e final com alguma rusticidade. Apresentou alguma tipicidade, mas seu final áspero destoou um pouco do final suave de um verdadeiro Amarone. Deve melhorar com mais um ou dois anos na garrafa.

Nota: 86/100 +

 

O segundo vinho foi um champagne: René Geoffroy Brut Premier Cru 2003, 12% álcool, levado pelo Confrade Gilberto Medeiros, comprado na França. No contra-rótulo consta a sgte. informação: “Ce Champagne de l’anné 2003 prouve bien que l’effet Millésime joue sur l’originalité dês vins. Petit rappel: aprè une gelée de printemps historique dans la nuit du 10 au 11 avril,  l’été a été marque d’une canicule record. Lê résultat est um début dês vendanges lê 25 Août, lê plus precoce depuis plus 150 ans. Face à la  três faible récolte, nous avons composé um assemblage inédit de 39% de pinot noir, 33% de meunier et 28% de chardonnay.”

Champagne René Geoffroy Brut Premier Cru 2003: 93/100 pts. Não consta importador para o Brasil

Champagne René Geoffroy Brut Premier Cru 2003: 93/100 pts. Não consta importador para o Brasil

 

 

 

 

A cor amarelo pálido brilhante já denotava alguma evolução. Borbulhas muito pequenas e intensas.  Rico e complexo no olfato, com notas de pão torrado, brioches e um leve toque amendoado no final. Na boca o ataque é franco e acaba por subscrever as sensações olfativas e se mostrou bem superior ao que se esperava: pleno de frescor, acidez vibrante, espetacular concentração de sabor com muita intensidade, fineza e elegância. Redondo, termina longo e seu retrogosto é interminável, de grande persistência. A Casa René Geoffroy é uma propriedade de apenas 1 ha, em Cumières, próxima de Epernay, com produção anual de cerca de 9000 garrafas e que ainda produz o Cuvée de Reserve 1er. Cru.

Nota: 93/100 ++ 

 

Por fim, saliento que os vinhos que mais brilharam nesta 15ª. edição foram dois vinhos levados por dois confrades: o champagne supra e o Yacochuya 1999 (levado pelo Júlio). O Horst também levou um Espumante Pizzato Brut que será aberto na próxima reunião. Para todos o meu sincero agradecimento.

 

aniversario-cibele-038

 

 

  

Agora a descrição dos vinhos e respectiva avaliação, informando que o objetivo da degustação é o julgamento dos vinhos sob a ótica do tempo, isto é, uma década depois de sua produção, eis que a degustação acabou por reunir garrafas de características muito distintas entre si e de terroirs absolutamente diferentes.

 

 

 

11º. Lugar – Casa de Piedra Malbec (Valdivieso) 1999Vale Central – 14% álcool – preço: R$ 16,00 (01/05) – Bruck

Rubi telha, aromas apagados com leve toque herbáceo. Boca simples, decadente, sem fruta e com leve amargor. Palatável, mas em franco declínio.

Nota 81/100 pts. 

 

 

 

10º. Lugar – Palari Faro DOC 1999 – Sicília – 13,5% – Cellar – atual importador: World Wine – R$ 333,00 (safra 2006)

Evoluído com turbidez e halo granada. Começou bem com uma pitada de sous bois, animal, couro e algum herbáceo. Boca delicada, taninos resolvidos, boa acidez, curto e de baixa persistência. À exemplo do anterior é um vinho cujo auge já passou, mas ainda poderá dar algum prazer se acompanhado de comida. Declinou rapidamente na taça.

Nota 84/100 pts. 

 

 

9º. Lugar – Aliança Tagra 1999 – VR Terras do Sado – Carrefour

Um pouco menos evoluído do que o anterior. Boca simples, leve nota de compota (castelão), acidez correta e taninos sinalizando cansaço. Termina áspero com leve amargor e apresenta boa tipicidade, com bom corpo.

Nota 84,5/100 pts. 

 

 

8º. Lugar – Casa Valduga Cabernet Sauvignon  1999 – Vale dos Vinhedos – 12,5%

Rubi violáceo com halo de evolução. Nariz com alguma complexidade, notas de especiarias. Boca simples, franca, mais ainda fresca. Não tem muita tipicidade, mas suportou bem uma década. Obteve a Silver Medal no  International Wine Challenge 2000 – Beijing

Nota 85/100 pts. 

 

 

7º. Lugar – Arnaldo B Etchart 1999 (50% Malbec e 50% CS) – Mendoza/Cafayate – 13,9%

Rubi violáceo com discreto halo de evolução. Olfato com frutas negras, especiarias e mentol. Boca plena, taninos macios de qualidade muito boa, equilibrado no álcool e na acidez. Madeira integrada à fruta. Final suave e sem arestas. Longevo, ainda suporta um ou dois anos na garrafa.

Nota 86/100 pts. 

 

6º. Lugar – Alamos Malbec 1999 – Mendoza – 13,5% álcool – Mistral

Rubi violáceo com ligeira evolução. Seu perfil aromático é unidimensional, com licor de jaboticaba e discreto frutado. Boca muito macia, taninos no ponto, tudo integrado. Termina como começou – muito macio. Não é um vinho complexo, mas por sua proposta (atualmente custa R$ 26,00 – safra 2008), suportou muito bem o decurso de dez anos.

Nota 86,5/100 pts. 

 

 

 

5º. Lugar – Pata Negra Gran Reserva 1999 – Valdepeñas – Casa Flora

Rubi com leve evolução. Olfato com toques lácteos, herbáceo e leve chocolate. Boca macia, taninos doces e resolvidos, acidez compatível, boa concentração de sabor e final intenso sem arestas. Redondo e macio, ainda suporta mais tempo na garrafa.

Nota 87/100 pts. 

 

 

 

4º. Lugar – Chateau La Marzelle 1999 – Grand Cru Classé en 1855 – 12% álcool – Saint-Emilión  - Carrefour – preço: R$ 149,00

Rubi violáceo intenso com halo de evolução. Nariz mais aberto do que as amostras anteriores, com sugestões de cassis, pimentão, chocolate e um discreto herbáceo. Boca que subscreve o nariz com boa concentração de sabores com alguma elegância. Taninos no auge da evolução, a indicar que mais algum tempo na garrafa não lhe fará bem, portanto, beber já.

Nota 87,5/100 pts.   

 

 

 

3º. Lugar – José de Souza Mayor 1999 – VRA – José Maria da Fonseca – 13,5% álcool – R$ 117,90 – Makro Speciale Butantã

Rubi violáceo intenso com halo granada. Nariz complexo com notas crocantes e tostadas, chocolate e especiarias. Boca macia, com taninos no ponto e concentração de sabor dentro do esperado. Longo, intenso e de final suave. Ótima tipicidade, vinho de guarda de características de longa sobrevida na garrafa. Ótima tipicidade.

Nota 88/100 pts.  

 

 

 

2º. Lugar – Quatro Castas 1999 – Herdade do Esporão – VRA – 13,5% álcool – VRA – R$ 96,50 (safra 2007)

Rubi violáceo com levíssimo halo de evolução. Nariz expressivo a indicar um vinho de bom frescor, frutado (ameixa/framboesa) e madeira nobre. Boca macia, taninos de qualidade muito boa, doces e madeira permitindo bom espaço para fruta (compota). Acidez se destacando no conjunto. Termina como começou: sem aspereza e sem amargor. Beber nos próximos dois anos.

Nota 89/100 pts.+  

 

 

 

1º. Lugar – Yacochuya Malbec 1999 – 15% – Grand Cru – R$ 305,00

Rubi violáceo quase retinto. Nariz expressivo a indicar um vinho de bom frescor, frutado (ameixa/framboesa) com pitadas de especiarias e o tradicional chocolate dos bons malbecs argentinos. Boca densa, muito macia com taninos de ótima qualidade. Suculento e concentrado, a fruta é a protagonista e a madeira atua como coadjuvante. O álcool elevado não foi notado porque está integrado com os demais elementos. Termina sem arestas, é um vinho que ainda vai evoluir na garrafa nos próximos 3/5 anos. Parabéns ao Confrade Júlio, que levou esse vinho na condição de “pirata” e que acabou por arrebatar o pódio, com muita justiça, porque recebeu os votos de sete dos nove confrades presentes. Seu único senão é o preço…

Nota 90/100 pts.+ + 

Esvaziando a Adega 14. edição: malbec

domingo, agosto 30th, 2009

priorato-074

priorato-0731priorato-075

 

A reunião foi realizada  no sábado, 29 de agosto  de 2009,  no Bistrô Crêpe de Paris, dentro da Villa San Pietro, sito à Rua Augusta 2542, tel 3063 1675, com a presença dos confrades Alexandre Furniel (anfitrião), Clóvis Pavan,  Lucas Garaldi e  Roberto Ventura. Ausentes justificadamente: Paulo Guerra, José Luiz Garaldi e Romeu Mattos Leite.  Pierre Murcia, proprietário do Restaurante foi convidado e também participou.

 

O serviço do vinho foi executado satisfatoriamente pelo garçon Cleyton.

 

O  Menu Alexandre –  R$ 59,00 – valor um pouco acima do esperado porque ainda houve a cobrança de couvert  -  foi composto das seguintes opções:

 

Entradas

Terrine de Pato com pimenta verde e torradas

Salada Niçoise: atum, tomate, batata, ovo, azeitona verde, pimentão e anchova.

Petite Crêpe Nice: queijo gorgonzola, geléia de pimenta e hortelã. 

 

Prato principal

Filet de Saint Pierre grelhado no azeite de oliva com suculento Risoto de Alho Poró

Cassoulet com arroz

Bife de Chorizo Bonsmara, Batata Chips  caseira e Alecrim

 

Sobremesas

Fromages (pratos de queijos): Emental, Brie, Gorgonzola e queijo de cabra.

Crêpe Piaf: chocolate com avelã, rodelas de banana ou morango com nuvem de canela e sorvete de creme.

Mousse de chocolate meio amargo da vovó Juliette]

Crème  Brûlée na maior tradição francesa.

 

A degustação teve por tema Malbecs Argentinos da safra 2002, considerada excelente e somente igualada pela recente safra de 2006, cujos vinhos mais qualificados começam agora a chegar ao nosso mercado. Propositadamente foram incluídos vinhos de safra diferentes, porém, de um mesmo produtor e o resultado foi bastante interessante, porque alguns vinhos da safra 2002 ainda não estavam prontos  e outros, galardoados com altas notas da crítica nacional e internacional tiveram desempenho normal.

 

Agora a relação dos vinhos degustados, malbecs de Mendoza, na ordem de preferências dos degustadores:

Balbi Vineyard Malbec Barrel Reserve -  1998

Obra Prima de Familia Cassone Malbec Reserve -  2002

Balbi Reserve Malbec 2000

Nieto Senetiner Reserva Malbec 2002

Terrazas de Los Andes Reserva Malbc 2002 – obteve 91/100 pts. WS, 53º lugar Top 100/2004 e 89/100 pts. Estadão

Trivento Golden Reserve 2002 – 90/100 WS

Balbi Malbec 2002

Salentein Malbec 2002

 

 

Descrição dos vinhos e pontuação.

 

Balbi Vineyard Malbec Barrel Reserve – álcool: 13% – safra: 1998 – importador: Allied Domecq Brasil Ltda. -  preço: não disponível (vinho adquirido na SBAV em meados do ano 2000) - Vermelho rubi límpido com reflexos granada brilhantes e intensos.  Muita complexidade olfativa com notas animais (couro), herbáceo, ameixas, chocolate e um leve toque terroso, com boa sustentação. Boca finíssima, taninos sedosos  conferindo-lhe elegância e ainda com alguma sobrevida pela frente, acidez perfeita, corpo pleno, largo no meio de boca com ótima concentração de sabor com notas achocolatadas próprias da casta e madeira bem integrada (oito meses em barricas francesas e americanas). Vinho  longo, profundo, produzido numa das piores safras de que se tem notícia na Argentina (1998) e nos demais países da América do Sul.  Um malbec exemplar, prova de que não podemos nos guiar cegamente pelas tabelas de safras que servem de orientação geral, mas que não representam com fidelidade as variações climáticas de um determinado terroir.  Apenas para ilustrar, o Cabernet Sauvignon dessa mesma linha e  safra, obteve a primeira colocação na degustação realizada na SBAV-SP em 08/11/2005, conduzida por quem escreve essas linhas. Nota: 91,5/100 pts.

  

Obra Prima de Familia Cassone Reserva Malbec – álcool: 14% – safra: 2002 – uvas: malbec (80%), cabernet sauvignon (10%) e merlot (10%) -  importador: Fabrizio Fasano – preço: R$ 58  (na época da aquisição) - Rubi violáceo intenso  com discreto halo de evolução. Nariz complexo com notas tostadas, caramelo, chocolate e licor de cacau. Boca a subscrever integralmente o olfato com taninos muito macios, maduros, corpo bom, boa acidez, madeira presente sem encobrir a fruta (ameixa), final longo e intenso com levíssimo amargor que não empana o conjunto. Retrogosto com chocolate. Está se aproximando de seu auge, mas poderá ser guardado por um/dois anos ou mais. Nota: 90/100 + 

 

Balbi  Reserve Malbec – álcool: 13% – safra: 2000 – importador: Allied Domecq Brasil Ltda. -  preço: R$ 9,90 (promoção Carrefour em dez. 2007) -  Cor muita parecida com a do 1998, porém, com menos intensidade. Olfato com notas de evolução, couro, terroso e uma leve sugestão de licor de jabuticaba. Boa  complexidade. Boca de taninos doces, macios e finos.  Boa concentração de sabor com frutas negras e leve nota caramelada. Equilibrado no álcool, acidez e taninos, termina longo, intenso e sem aspereza. Outro vinho produzido numa safra ruim (2000) que contrariou todas expectativas e arrebatou, com justiça, a terceira colocação. Já está pronto e portanto não irá evoluir, no máximo vai ficar com está nos próximos dozes meses. Nota:  89/100

No pódio, apenas um vinho da excelente safra 2002: Obra Prima Reserva Malbec. O campeão foi da safra 1998 e o terceiro lugar, da safra 2000, que também não foi das melhores na Argentina. Como explicar esse fato?

No pódio, apenas um vinho da ótima safra 2002, que teve sua excelência reconhecida por vários críticos: Obra Prima Reserva Malbec. O campeão foi da safra 1998 e o terceiro lugar, da safra 2000, que também não foi das melhores na Argentina. Como explicar esse fato?

Nieto Senetiner Reserva Malbec – álcool: 14% – safra: 2002 – importador: Sonae Distribuição Brasil  S.A. preço: R$   n/d    -     (safra 2007 – R$ 36,94 – Casa Flora) -  Rubi violáceo de boa intensidade e discreto halo de evolução. Nariz elegante com notas de café, caramelo, feno, algum vegetal com média sustentação.  Boca macia, taninos no ponto, acidez média/boa, corpo adequado, boa concentração de sabor com fruta madura.  Termina suave e sem arestas.  Não vai evoluir.  Muito boa relação preço-qualidade.  Nota: 88/100 pts.

 

Terrazas de Los Andes Reserva Malbec – álcool: 13,5% – safra: 2002 – importador: LVMH  – preço: R$    n/d  (safra 2007 – R$ 77 – Carrefour) - Rubi violáceo intenso e profundo com leve halo de evolução. Nariz fino, complexo com notas balsâmicas, aniz, chocolate e leve geléia de ameixas.  Boca que subscreve o nariz com taninos presentes, doces e finos.  Largo e denso no meio de boca, apresentou madeira por sobre a fruta (compota),  acidez correta e final com adstringência, a denunciar que ainda não está pronto.  Merece mais algum tempo na garrafa. Vinho em evolução,  que obteve 91/100 pts. da WS.  Nota: 87/100 pts. +

 

Trivento Golden Reserve Malbec – álcool: 14% – safra: 2002 – importador: Expand – preço: R$ 78,00 - Rubi intenso com reflexos violáceos com levíssima evolução. Fechado no nariz com discretas notas de uva-passa, geléia de amoras e baunilha.  Boca tânica (boa qualidade), média concentração de sabor, madeira evidente (doze meses em barricas francesas), fruta discreta, corpo volumoso  e final longo com alguma adstringência. A linha “Golden Reserve” é feita sob a supervisão de Enrique Tirado, famoso enólogo do Don Melchor e já recebeu 90/100 pts. da Wine Spectator. Dos vinhos degustados este é que apresenta condições de evoluir nos próximos anos. Nota: 86/100 pts.++

 

Balbi  Malbec  – álcool: 12,5% – safra: 2002 – importador: Allied Domecq Brasil Ltda. -  preço: R$ 18,00 (Makro – época da aquisição) - Rubi violáceo concentrado com halo de evolução.  Bem menos complexo do que os seus dois “irmãos”, apresentou leve sugestão animal e de estrebaria.  Boca curta, simples, franca, taninos de qualidade média,  final adstringente. Deve melhorar com comida, principalmente churrasco. Considerando que é um vinho que custa no máximo R$ 20,00, apresentou bom desempenho e suportou bem a passagem do tempo. Nota: 84/100 pts.

 

 

Salentein Malbec 2002 – álcool: 14,5% -  safra: 2002 – importador: Zahil – preço: R$ 73,00  (safra 2006) - Rubi violáceo de média intensidade, límpido e brilhante. Nariz fechado com leva nota herbácea: baixa complexidade  e intensidade.  Boca que subscreve o nariz, curta, taninos adstringentes, secantes e com algum amargor. Perfil unidimensional com madeira tripudiando sobre a fruta. Termina simples e rústico com uma forte nota de madeira velha. Esperava-se mais desse vinho.  Nota: 82/100 pts.

Esvaziando a adega 13a. edição: verticais

terça-feira, julho 28th, 2009

A reunião foi realizada no sábado, 25 de julho de 2009, no Restaurante “Bem Virá” (tel. 11 3721-1124), restaurante de concepção arquitetônica rústica encravado no complexo gastronômico denominado “Vila do Jardineiro(Av. Eliseu de Almeida, 1077 – Butantã – São Paulo SP – tel 3721 1124), com a presença dos confrades Clóvis Pavan, Paulo Guerra, Romeu Mattos Leite, José Luiz e Lucas Garaldi.  Merecem menção especial o atendimento e a recepção de ótimo nível proporcionados pelo Bem Virá na pessoa de um de seus proprietários Alexandre Milton Mora e o impecável serviço do vinho desempenhado pelo competente garçom Antonio Araújo Martins, porque tudo transcorreu com serenidade, sem os habituais atropelos, confusões, serviço superior ao de algumas casas já habituadas em receber confrarias porque os vinhos foram servidos rigorosamente na ordem pré-estabelecida, na temperatura de serviço e sem necessidade de orientações constantes.

Abaixo, cito transcrição do Correio Gourmand sobre o restaurante escolhido.

 

BEM VIRÁ – a mais saborosa novidade da Vila do Jardineiro

 

A charmosa e original Vila do Jardineiro tem, a partir de 22 de julho de 2009, mais uma deliciosa novidade – o BEM VIRÁ, restaurante de cozinha variada, que oferece um apetitoso Buffet Gastronômico com jeito caseiro e  inúmeras opções. 

 

 

 Instalado logo na entrada da casa, numa área com fogão a lenha que lembra uma cozinha do interior, o Buffet Gastronômico do BEM VIRÁ é repleto de iguarias como saladas fresquinhas, tortas e quiches, massas, carnes, peixes, aves e guarnições incrementadas.  Leitão a Pururuca, Moqueca de Peixe, Filet Mignon Assado ao Molho de Vinho, Frango Grelhado com Ervas Finas, Pernil Assado na Laranja, Lasanha Tradicional e Paella são alguns dos pratos oferecidos. Ao todo, são 12 opções de pratos frios, 12 de pratos quentes e 9 sobremesas, como Pavê de Chocolate, Merengue de Morango e Mousse de Maracujá, que variam diariamente. Tudo isso, a R$ 25,90 por pessoa.

 

Bonito, amplo, confortável, com um serviço eficiente e atencioso a preço excelente, o BEM VIRÁ vai agradar aos que gostam da mesa farta, variada e saborosa. O salão comporta 85 lugares, tem pé direito alto e teto de sapé. Todo envidraçado e cercado de verdes folhagens é um local aprazível porque as mesas são bem distribuídas e distanciadas uma das outras.

 

 

 

 

Por fim, o Restaurante Bem Virá é o lugar ideal para reunião de confrarias de vinhos, porque além do preço honesto (apenas R$ 25,90 com direito a sobremesa) para esse tipo de evento, não há cobrança de rolha, prática comum de diversos estabelecimentos e tanto o serviço do vinho como a comida são dignos de reconhecimento. 

 

Nas verticais, como em qualquer degustação o serviço do vinho é  fundamental

Nas verticais, como em qualquer degustação o serviço do vinho é fundamental

Degustações Verticais: conceito.

 

A resposta vem de Suzana Barelli - Revista Menu de julho de 2009:O vinho é a bebida alcoólica que mais nuance de aromas, sabores e estilos apresenta a cada safra. Por mais que a tecnologia, principalmente dos países do chamado Novo Mundo vinícola, consiga reduzir, e muito, as variações entre as safras, nunca um ano é igual ao outro. O clima, em anos com mais chuva, em outros com mais sol, é o principal responsável por estas mudanças – em 2003, de verão quentíssimo na Europa por exemplo, resultou em brancos e tinos alcoólicos, mais prontos para beber quando jovens e muitos com menor capacidade de envelhecimento. Mas há outros fatores como o estilo que o enólogo quer dar à bebida naquela safra, o envelhecimento do vinhedo, cada vez mais velho e com uvas mais concentradas, e o amadurecimento do vinho, agora na garrafa. Todas estas questões se revelam numa degustação vertical – quando diversas safras de um mesmo vinho são provadas na seqüência”. 

 

Para tanto, escolhemos três vinhos que são representativos de seus terroirs de origem, um deles de preço acessível – menos do que R$ 20,00 – e outros dois na casa dos R$ 40 ou cerca de US$ 20,00 – os quais ostentam passagem por carvalho. O primeiro vinho – o chileno Ventisquero Tantehue Cabernet Sauvignon, foi escolhido porque é produzido com uma cepa que reconhecidamente produz caldos aptos ao envelhecimento. O mesmo raciocínio se aplica aos outros dois vinhos escolhidos – o argentino Catena e o chileno Santa Helena Selección del Directório, respectivamente com 12 meses de passagem por madeira e 10 meses o segundo.

 

 

No caso do primeiro vinho escolhido, cuja ficha técnica não está disponível no portal do importador/produtor (não dá para saber se passa ou não por madeira) o resultado da degustação foi bastante claro: quanto mais novo, mais redondo e frutado; quanto mais velho, menos complexo e interessante. O motivo é simples. Por ser um dos produtos básicos do produtor, é do tipo de vinho que Hugh Johnson classificaria com um bmj – beber o mais jovem possível porque não tem aptidão de envelhecer. 

 

Quanto aos outros vinhos, o resultado de certa forma foi inusitado, porque o melhor Catena amargou apenas a quarta colocação. Mas há um dado importante. Dois Catenas (2003 e 2004 – RP e WS 90/100 pts.) foram comprados na “ponta de estoque” e então a comparação envolveu dois vinhos de procedências diversas.

 

 

Ventisquero Tantehue

Ventisquero Tantehue

 

 

Primeira Vertical:

 

1º. Lugar – Ventisquero Tantehue  Cabernet Sauvignon 2007 – Vale Central – 13% álcool Cor rubi violáceo brilhante com reflexos levemente púrpuras. Nariz intenso com predomínio de frutas vermelhas maduras a lembrar geléia de framboesa/amora. Girando a taça sugestões de ameixas e licor de cassis sobre um fundo mentolado. Apesar de elevado (13%), o álcool está bem entrosado com os demais elementos e o conjunto é equilibrado. Na boca a sua entrada revela um vinho pronto, de taninos macios, doces, fácil de beber e de acidez dentro do aceitável. Curto, de agradável concentração de sabor e com boa fruta, termina como começou: sem arestas, sem adstringência e doce sem ser enjoativo. Retrogosto vegetal com alguma persistência. Agüenta mais um ano na garrafa com folga.

Nota: 87/100 – Importador: Cantú – Preço – R$ 16,90 (Carrefour)

 

2º. Lugar – Ventisquero Tantehue Cabernet Sauvignon 2005 – Vale Central – 13% álcool – Descrição semelhante à do vinho anterior, com pequeno halo de evolução e na boca seus taninos macios e doces dão o tom. Está no auge e sua persistência gustativa é menor do que o anterior (2007). Beber já.

Nota 86/100 pts. Importador: Cantú – Preço R$ 13,90 (Makro – 12/2007)

 

3º. Lugar – Ventisquero Tantehue Cabernet Sauvignon 2004 – Vale Central – 12,9% álcool – Rubi violáceo com halo de evolução. Nariz fechado levemente herbáceo. Boca com leve rugosidade, simples e com pouca presença de fruta. Já dá sinais de cansaço, mas ainda é  palatável.

Nota 84/100 pts.  Imp.: Cantú – Preço – R$ 13,90 (Makro – 12/2007)

 

 

4º. Lugar – Ventisquero Tantehue Cabernet Sauvignon 2002 – Vale Central – 12,9% álcool – Rubi com reflexo granada. Nariz sem expressão olfativa, apenas uma nota herbácea. Boca rala com predomínio da acidez. Fruta escassa. Seu auge já passou, mas se for acompanhado de comida poderá melhorar seu desempenho. Já foi apontado como OCÓtima Compra pelo Guia de Vinhos da Revista Gula que circulou no começo do segundo semestre de 2005 com a seguinte descrição: “Da linha básica da casa seus aromas lembram fruta e goiaba. Na boca, preserva a fruta e é equilibrado”.

Nota 82/100  pts.      Imp.: Cantú – Preço – n/c

 

Santa Helena Seleccion Del Directório X Catena

Santa Helena Seleccion Del Directório X Catena

 

Segunda Vertical de cabernets: confronto Argentina X Chile

 

 

Aqui o confronto se deu entre dois gigantes de vendas e de qualidade. De um lado, o Catena (Mistral) de rótulo branco, popularmente conhecido por “Cateninha” e de outro o Santa Helena Selección del Directório, um vinho que pode ser encontrado em qualquer  grande rede de supermercado. Sua importação é da Interfood. Ambos custam pouco mais do que R$ 50 (R$ 48,45 o Catena – promoção e R$ 41,37 o Santa Helena – preços sugeridos pelos importadores).

 

Destaco que os Catenas das safras 2003 e 2004 foram adquiridos na “Ponta de Estoque” da importadora e o 2005 foi comprado normalmente no fim de 2008. A safra atual é a 2006 para o Catena e 2007 o Santa Helena. Os vinhos Santa Helena 2003, 04 e 05 foram adquiridos respectivamente: no Chile, Makro e Supermercado Pão de Açúcar. Todos, desde a aquisição, foram conservados na adega climatizada. A única informação relevante que não consta é o preço de aquisição.

 

O resultado de certa forma foi surpreendente, porque o Catena que reconhecidamente é um dos melhores cabernets argentinos na sua faixa de preço apanhou dos cabernets chilenos nos três embates. Registre-se, neste passo, que a degustação ocorreu completamente às cegas e que o melhor argentino, o Catena 2005, ficou meio ponto atrás do pior chileno, o Selección del Directório 2005, que apesar de ser originário de safra ímpar (apontadas no Chile como superiores), teve seu desempenho um pouco melhor do que o obtido em 08.11.2007, quando de seu lançamento na SBAV-SP (nota 83/100).

 

Já o Catena da safra 2004, apontado como um dos favoritos da “peleja” por ter aquinhoado 90/100 pts. de Robert Parker e da Wine Spectator (informação do portal do importador), amargou o penúltimo lugar. Será algum problema de conservação da garrafa?  O que pode ser assegurado é que desde a aquisição (nov/08 e jan/09) até a realização da degustação é que as garrafas estavam corretamente acondicionadas dentro da adega climatizada.  Sem mais delongas seguem os resultados:

 

6º. Lugar – Catena Cabernet Sauvignon 2003Mendoza -14% álcool – preço: R$ 43,06 (Ponta de Estoque – 29.01.2009)

Rubi violáceo com halo granada. Nariz fechado com uma discreta nota vegetal. Boca de taninos duros, secantes, corpo adequado, acidez elevada, madeira tripudiando a fruta e nítido descompasso do tripé álcool, acidez e taninos. Alguma tipicidade. Deve ser bebido já porque não apresenta condições de evolução na garrafa. Termina aspero e deve melhorar com comida.

Nota 83,5/100 pts. 

 

5º. Lugar – Catena Cabernet Sauvignon 2004Mendoza – 14% álcool –preço: R$ 43,06 (Ponta de Estoque – 23.01.2009)

Um pouco menos evoluído do que o anterior e com taninos menos asperos. Acidez boa e discreta presença de fruta com prevalência da madeira. Termina com amargor e apresenta características de cabernet sauvignon (leve nota de pimentão no aroma e no palato).

Nota 84/100 pts.  

 

4º. Lugar – Catena Cabernet Sauvignon 2005Mendoza – 14,5% álcool – preço: R$ 57,51 (24.11.2008)

Rubi violáceo intenso sem halo de evolução. Nariz mais aberto do que as amostras anteriores, com sugestões de cassis, pimentão e um discreto herbáceo. Boca que subscreve o nariz com boa concentração de sabores típicos da casta. Tropeçou nos taninos adstringentes, a indicar que mais algum tempo na garrafa poderá lhe fazer bem. À exemplo das amostras anteriores tem bastante madeira, mas aqui a fruta (ameixa) tem algum espaço. Final secante, intenso e longo.

Nota 85/100 pts.    

 

3º. Lugar – Santa Helena Selección del Directório Gran Reserva 2005  - Vale de Colchágua – 14% álcoolRubi violáceo intenso com algum de evolução. Nariz interessante com notas picantes e de especiarias a denunciar alguma complexidade. Boca macia, com taninos no ponto e alguma concentração de sabor, um pouco abaixo da esperada. Acidez adequada e final com leve adstringência. Não vai melhorar na garrafa, portanto, está num bom momento para ser bebido. Observação: a partir dessa safra passou a ser denominado Gran Reserva.

Nota 85,5/100 pts.  

 

2º. Lugar – Santa Helena Selección del Directório Reserva 2003Vale de Colchágua  - 14% álcoolRubi violáceo com levíssimo halo de evolução. Nariz expressivo a indicar um vinho de bom frescor, frutado (ameixa/framboesa), madeira nobre (cedro) e leve sugestão tostada. Depois aromas de compota e mentol. Boca macia, taninos de qualidade muito boa e madeira permitindo bom espaço para fruta. Termina sem aspereza e sem amargor. Beber nos próximos anos.

Nota 87/100 pts.+

  

 

1º. Lugar – Santa Helena Selección del Directório Reserva 2004  - Vale de Colchágua  - 14% álcool – o contra-rótulo informa que: “es um vino tinto seco, perfectamente balanceado, de gran bouquet, cuerpo redondo y una suave permanência. Es ideal acompañar carnes rojas y platôs bien condimentados em general. Debe descorcharse uma hora antes y servir a temperatura ambiente”. Acrescento as seguintes notas à descrição do campeão da peleja: cor rubi violácea com pequeno halo de evolução (inferior aos anteriores), nariz rico e complexo com cassis, chocolate, leve balsâmico e fruta em compota.  Boca delicada, taninos presentes e macios, fruta em profusão com uma leve nota de madeira que não incomoda. Ótima concentração de sabor com alguma profundidade e média intensidade. Retrogosto persistente com uma nota mentolada. Beber ou guardar.

Nota 88/100 pts.+  

Esvaziando a Adega – 12ª. Edição – A uva Malbec no Cone Sul

segunda-feira, junho 29th, 2009

 

A reunião foi realizada no sábado, 27.06.2009, no Restaurante “Santa Gula _ – Arte e Gastronomia”, Rua Fidalga, 340 fundos – Vila Madalena – São Paulo SP – tel 3812 7815, com a presença deste redator, Clóvis Pavan, HK, Romeu Leite,  José Luiz e Lucas Garaldi.  

 

 

jeriel_03

 

Para chegar ao restaurante, percorre-se um longo corredor ornamentado por bananeiras. As mesas distribuem-se pelas salas dessa antiga casa de fundos. Todo o mobiliário, assim como peças de decoração, lustres e até copos, está à venda. O cardápio segue a linha moderna. Foi preparado um menu especial denominado “Menu Confraria” constituído de couvert (pães, torradas, lascas crocantes e patês, tudo fresquinho), entradas (quatro opções: casquinha de siri, saladas de tomates marinados, folhas e lascas quebradas, bolinho crispy de batata e caldinho de feijão), prato principal (escondidinho de carne seca – uma das especialidades da casa) e sobremesa: cesta de frutas vermelhas com mousse de tapioca, frutas da estação e brownie com sorvete de canela.

 

Merecem menção especial o atendimento e a recepção atenciosa do Santa Gula na pessoa de sua sócia-proprietária Dani Chamecki, do Gerente Alan e o competente serviço do vinho desempenhado pelo garçom Sebastião Flaurindo, eis que tudo transcorreu com tranquilidade, sem os habituais atropelos, confusões, serviço que pode ser considerado superior ao de algumas casas já habituadas em receber confrarias porque os vinhos foram servidos rigorosamente na ordem, na temperatura de serviço e sem necessidade de orientações constantes.

 

Assim, a conclusão é de que o Santa Gula é uma opção viável para reunião de confrarias de vinhos, porque além do preço razoável (é só combinar com a Dani: dani.chamecki@uol.com.br ou Alan: alan.santagula@uol.com.br) para esse tipo de evento, não houve a cobrança de rolha, prática comum em diversos estabelecimentos e tanto o serviço do vinho como a comida são dignos de reconhecimento. 

 

Sem mais delongas, vamos à classificação geral dos malbecs numa degustação bastante equilibrada a demonstrar o elevado nível de qualidade atingido pelos vinhos chilenos, que enfrentaram com valentia os argentinos que se sagraram vitoriosos (pódio: 1º e 3º lugares), corroborando a assertiva de que a principal casta do país platino é mesmo a malbec. Já no país andino essa degustação é uma prova de que os vinhateiros que optaram por cultivá-la estão no caminho certo porque as amostras provadas superaram as expectativas dos presentes.  Na realidade, a conclusão a que chegamos está bem próxima da manifestação que segue: “engana-se quem pensa que os bons tintos sul americanos da uva malbec são exclusividade das adegas argentinas. Do outro lado da Cordilheira há também bons exemplares dessa casta tinta francesa, que tão bem se adaptou aos terrenos meridionais do continente” – Jorge Carrara, portal Basílico – 04.01.2005

 

O exemplar uruguaio escorregou na tipicidade e o nacional Don Laurindo Malbec 2005 confirmou o bom desempenho apresentado em outras degustações e se firma como ótima opção de malbec produzido no Brasil.

 

jeriel_04

 

O Pódio:

 

1º. lugar – Don Nicanor Malbec 2004 – 14,5% álcool – Lujan de Cuyo – Importador: Casa Flora – preço:  R$ 62,30 (Carrefour)

Rubi violáceo intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz intenso, com violetas, madeira nobre, tostado, café torrado e frutas negras (ameixas). Mostrou boa sustentação e depois de algum tempo apresentou traço aromático típico dos malbecs argentinos, com leve chocolate. Intenso e profundo na boca, taninos já amaciados, acidez equilibrada, termina suave e elegante. Ótima tipicidade.  Vinho pronto e na sua melhor forma. Estruturado, ainda aguenta dois/três anos na garrafa. Seu contra-rótulo informa que: “Distinguido varietal de color rojo profundo, su característico aroma frutado, em equilíbrio com el ahumado que lê da su guarda em barricas roble francês, lê confieren elegância y personalidad. A la boca se presenta com armonía y buena estructura”.

Nota: 88,5/100 pts. +

 

 

2º. lugar – Viu Manent Reserva Malbec 2005 – 14,5% álcool  - Vale de Colchágua – Importador: Hannover – preço: R$ 80,00

 Rubi violáceo intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz floral com violetas exprimindo boa tipicidade, frutado com ameixas e framboesa em evidência e um discreto toque de compota (goiabada). Boca macia, aveludada, taninos em profusão de qualidade muito boa. Tem boa fruta sobre um discreto fundo de chocolate, porém, a madeira ainda está perceptível. Longo, termina com pequena adstringência que não chega a incomodar. Retrogosto vegetal. Precisa de mais tempo na garrafa.  No contra-rótulo consta que: “Carvalho francês e americano por 14 meses. Nariz: cerejas maduras, ameixas e chocolate e café. Paladar: amoras, couro e alcatrão. Grande estrutura, taninos macios e bem incorporados que conduzem a um longo e persistente final. – Medalha de Ouro no Concours Mondial  Bruxelles 2007”

Nota 88/100 pts. ++

 

 

3º. lugar – Santa Julia Malbec 2006 –  13,5% álcool – Mendoza –Importador: Expand – preço médio: R$ 29,90 (Carrefour)

Rubi violáceo intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz complexo com notas balsâmicas, ameixas e leve chocolate. Boca espessa com leve rugosidade, madeira a dar espaço à fruta presença, acidez adequada e média profundidade gustativa. Os taninos ainda presentes e a ligeira aspereza no fim de boca indicam que mais algum tempo de garrafa lhe fará muito bem porque foi produzido com uvas de safra considerada exemplar na Argentina. Dividiu com o vinho seguinte o título de “best buy” da degustação. Boa relação preço-qualidade.

Nota 87/100 pts. +

 

 

Os demais:

 

4º. lugar – Carta Vieja Reserve Malbec 2005 – 13% álcool – Vale de Loncomilla - 13% álcool – importador: Malbec do Brasil – preço médio: R$ 29,50 (Sonda)

Rubi violáceo intenso sem halo de evolução. Nariz com predomínio de notas vegetais, discreto floral sobre um fundo de frutas negras. Boca surpreendente, macia, de boa densidade,  corpo bom, taninos presentes de qualidade muito boa e razoável equilíbrio entre madeira e fruta. Às cegas passou por argentino com folga. Faltou-lhe um pouquinho mais de complexidade gustativa. É um vinho de Loncomilla, que é uma sub-região do Vale do Maule, ao sul do Vale Central, região de grande extensão de vinhedos e apontado como possuidor de alguns dos parreirais mais antigos do Chile (cerca de trezentos anos), inclusive com o cultivo de cepas misturadas. Vinho detentor de interessante relação preço-qualidade.

Nota 86,5/100 pts.  

 

 

 

5º. lugar – Don Laurindo Reserva 2005 – 13,5% álcool –  Vale dos Vinhedos – Serra Gaúcha –  preço médio: R$ 45,00 – Rubi violáceo intenso e com discreto halo de evolução. Nariz doce, intenso com sugestões de geléia de frutas vermelhas e discreta nota de café. Boca macia, taninos prontos, bom equilíbrio gustativo e algum açúcar residual. Boa tipicidade da casta no Brasil, talvez não seja exagero afirmar que é o melhor malbec produzido nessas bandas. Levemente curto, termina sem arestas e não apresenta potencial de evolução na garrafa. Tem condições de sustentar o sabor frutado por mais um ou dois anos no máximo. Vale à pena ser provado. No contra-rótulo consta que: “20.000 garrafas produzidas – 008271  consumir em até seis anos”.

Nota 86/100 pts.  

 

 

6º. lugar – Santa Helena Premium Varietal 2005 – 14% álcool – Vale de ColcháguaImportado por: InterfoodPreço médio – R$ 39,80 – Rubi violáceo com alguma profundidade e leve halo de evolução. Nariz com frutas vermelhas, leve baunilha e fruta em compota (goiabada). Boca macia, curta (falta-lhe estrutura), média concentração de sabor e acidez baixa. Bom vinho, mas falta-lhe tipicidade porque tem caráter unidimensional. Termina com alguma adstringência.

Nota 85/100 pts. +

 

 

7º. lugar – Terrazas de Los Andes Reserva Malbec 200613,5% de álcoolMendozaImportador: Chandon do Brasil – Preço médio: R$ 80 – Rubi violáceo intenso e profundo com reflexos púrpuras. Nariz típico da casta com notas de frutas negras, especiarias e madeira de boa qualidade. Boca macia, taninos prontos, corpo magro, sobra de álcool e pouca concentração de fruta (discreta). Termina sem aspereza e sem amargor, todavia tem baixa persistência olfativa e gustativa. Amadurece 12 meses em barris de carvalho 80% francês e 20% americano.

Nota 84,5/100 pts. 

 

 

8º. lugar – Cot Rouge Lacrado Reserva Malbec  2006 – 11,2% álcool – Depto. La Cruz/Florida – Uruguai – engarrafado em 01/2008 –  Importador: Rede Zaffari – 11,2% álcool – Preço médio: R$ 11,50 – Clarete com halo de evolução, este malbec uruguaio não exibiu a cor normal da casta apontada como tintureira em Bordeaux. Nariz no mesmo diapasão, com toques terrosos e de “cantina”. Boca simples, leve, magra, taninos prontos, pouca complexidade, boa acidez, ausência de fruta e de tipicidade. Termina simples e seus maiores atributos são a apresentação esmerada e o preço. Não tem a tipicidade que se espera da casta. Por sua estrutura é um vinho para acompanhar pratos leves.

Nota 83/100 pts. 

 

Esvaziando a Adega – 11ª. Edição: Varietais do Novo Mundo de uvas pouco convencionais

segunda-feira, junho 15th, 2009

dsc00040b1

 

A reunião foi realizada no sábado, 13 de junho de 2009, no lugar de costume “Risoteria Vitória”, que se encontra dentro do centro gastronômico de arquitetura rústica, entrada de terra, com pedregulhos, árvores, quiosques, etc. denominado “Vila do Jardineiro, localizada na Avenida Eliseu de Almeida 1077 – Caxingui – Butantã – São Paulo SP – tel 3721 1124, com a presença deste subscritor e dos confrades Clóvis Pavan, José Luiz Garaldi e Lucas Garaldi. 

 

Sobre o tema escolhido: uvas pouco convencionais. Por quê?

 

Patrimônio de seus países, as uvas autóctones produzem diferentes sensações organolépticas, permitindo harmonizações com pratos que podem ser difíceis com as castas tradicionais. Essa é a primeira de uma série de degustações de vinhos de diversas origens e distintas das castas globalizadas. Abaixo segue o resultado.

 

 

O Pódio:

1º. lugar – Stonelake Cabernet Franc Premium 2001 – Vale de Lontué – 13,5% álcool – Importador: World Wine -   Rubi violáceo intenso e profundo com halo de evolução. Nariz intenso a lembrar um bom vinho de Rioja, com madeira em profusão, caramelo, fruta madura, tudo isso secundado por um discreto toque herbáceo muito típico dessa casta no Novo Mundo. Após alguns minutos surgiu um leve aroma animal (caça). Mostrou ótima sustentação na taça. Intenso, macio, profundo e persistente na boca, com taninos aveludados próximos de seu auge, acidez balanceada e perfeito equilíbrio de seus elementos com muita tipicidade. Termina do mesmo jeito que começou: sem nenhuma aresta, com boa fruta, elegância e média/longa persistência. Seguramente um dos melhores exemplares chilenos dessa casta, prova de que quando a cabernet franc é bem tratada dá caldos deliciosos como este que infelizmente não é mais importado. Estruturado, ainda tem um ou dois anos de vida pela frente.
Nota: 90/100 pts. +

2º. lugar – Landelia de Argentina Petit Verdot 2005
– Alto Agrelo – 13,7% álcool  – Importador: Ana Import – Preço: R$ 54,00  – Rubi violáceo intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz terroso e animal que abriu espaço para fruta (jaboticaba), secundada por notas tostadas e um acentuado toque vegetal.  Na boca inicialmente apresentou certo impacto porém seus taninos abundantes se mostraram de boa qualidade com alguma rugosidade dentro do aceitável. Denso, profundo e de ótima tipicidade no palato, seu retrogosto apresentou notas vegetais e terminou ligeiramente rugoso, sem perder personalidade. Um vinho intrigante que causou surpresa aos presentes dado seu caráter particular, que induz o degustador à reflexão. Irá arredondar seus taninos com mais alguns anos em garrafa porque tem atributos para isso.
Nota 87/100 pts. +


3º. lugar –  Santa Julia Innovación Arinarnoa 2007
– Mendoza – 13,5% álcool -  Preço: $ 12 (adquirido em dezembro de 2007 na própria vinícola) – Rubi violáceo intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz complexo com notas de fruta em compota e especiarias. Boca frutada com taninos presentes de qualidade muito boa e média complexidade gustativa. Termina suave e sem arestas convidando o degustador para o próximo gole. A Arinarnoa é fruto do cruzamento da merlot com a petit verdot e este vinho é um projeto experimental da opulenta vinícola Família Zuccardi que tradicionalmente produz bons vinhos e este não é exceção.
Nota 86,5/100 pts. 


Os demais:


4º. lugar – Andrew Peace Mighty Murray Durif 2004
– 14% álcool – Importador: Best Wine Ltda. – Preço: R$ 38,00  – data de aquisição: junho de 2008 – Rubi violáceo intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz complexo com notas de café torrado e geléia de ameixas/amoras e algum vegetal. Na boca tem boa densidade e taninos secantes em abundância, boa concentração de sabor com frutas negras em compota, corpo pleno, álcool integrado e bom frescor. Termina longo e profundo com alguma rusticidade. Apesar de ser da safra 2004 este australiano ainda tem bom potencial de guarda
Nota 86/100 pts.  +


5º. lugar – Michel Torino Colección Tannat 2004
–  Cafayate/Salta – 13,5% álcool – Preço: R$ 24,73 (Pão de Açúcar) – Rubi violáceo com reflexos granadas. Nariz unidimensional com leve oxidado, sugestão de caça e herbáceo. Boca superior ao nariz com taninos em profusão de média qualidade. Fruta decadente (framboesa) e notas vegetais. Potente, termina com rusticidade e no retrogosto um leve toque adocicado e frutado. Boa tipicidade da casta na Argentina. Já está no ponto mas ainda agüenta algum tempo na garrafa.
Nota 83,5/100 pts. 


6º. lugar – Chateau Lacave Cabernet Franc 2002

– 12,2% álcool –- Preço: R$ 14,99 (safra atual 2004) – Imigrantes Bebidas – Rubi violáceo com nítidos reflexos granadas. Nariz fechado sem complexidade com discretas notas vegetais. Boca macia, magra, taninos decadentes, madeira tripudiando sobre a fruta e final curto com algum amargor. Produzido com uvas da excelente safra de 2002, o seu auge já passou.
Nota 82/100 pts.