Archive for month junho, 2010

Dois vinhos da Bodega Terrazas de los Andes

quarta-feira, junho 30th, 2010

 

Vista parcial da Terrazas de los Andes, em Agrelo, Mendoza

Localizada em Perdriel (Luján de Cuyo/Mendoza), a velha bodega que um dia pertencera à Domecq foi reformada faz alguns anos. Tem estilo e bom gosto e ainda possui tecnologia de última geração de acordo com o perfil de exportador que lhe foi dado pelo grupo francês proprietário (Chandon/LVMH). Suas propostas se inovam a cada ano. Fato digno de nota foi sua associação com Pierre Lurton, do Domaine Cheval Blanc, iniciada em 1999 para elaborar um dos vinhos ícones mais importante da Argentina: Cheval des Andes, que teve como co-autor o dinâmico Roberto de la Mota, que deixou a empresa para dedicar-se a empreendimento próprio, mas que até hoje presta assessoria a Terrazas.

vista do local de recebimento dos turistas que visitam a Bodega Terrazas

A vinícola conta com uma exclusiva residência para receber turistas e se constitui numa das opções mais atraentes da região para se visitar. Além de sua arquitetura impactante, os vinhos podem ser desfrutados num atraente Wine Bar com vista para a adega. Os tintos e brancos são de perfil internacional, mas sem perder de vista o selo distintivo da Argentina, algo que Manuel Louzada (Diretor) e Pablo Rodriguez (enólogo principal) sabem fazer muito bem. O Malbec, em seus três níveis de rótulos, é um vinho de grande sucesso que no Brasil, principalmente na região Sudeste, onde pode ser encontrado sem muito esforço nas melhores redes de supermercados. O Chardonnay caminha pela mesma senda, um dos raros vinhos argentinos com tampa de rosca. Recentemente foi lançado um Torrontés da linha Reserva.

 

Atualmente, a Terrazas tem capacidade para oferecer desde vinhos de alta qualidade produzidos em grande quantidade até produções limitadas e muito interessantes  que exemplificam bem o seu terroir (Descorchados 2008).

 

Degustação

Terrazas de los Andes Reserva Cabernet Sauvignon 2006 (Agrelo/Mendoza/Argentina) – 13,5% álcool – preço médio: R$ 70,00 – Rubi com reflexo violáceo sem halo de evolução. Aromas típicos da casta com pimenta, frutas vermelhas maduras e leve toque de cacau e baunilha (amadurece doze meses em barrica de carvalho francês de primeiro uso). Na boca subscreve integralmente as sensações olfativas com taninos presentes de boa qualidade, todavia, um pouco secantes e rugosos. Notas de chocolate e ameixas. Acidez marcante e final intenso, largo com leve amargor que não incomoda. Indiscutivelmente é um vinho de guarda, que apresenta boa evolução na garrafa se adequadamente conservado. Bom exemplo do potencial da Cabernet Sauvignon em solo platino.

Avaliação: 87/100 pts. +

 

 

 

 

Afincado Malbec 2006 (Agrelo/Mendoza/Argentina) – 14% álcool – preço médio: acima de R$ 200 – importado por Möet Hennessy do Brasiltel 011 3062 8388 – Rubi com reflexo violáceo e halo púrpura. Aromas expressivos de violetas, coco sobre fundo defumado. Boca no mesmo diapasão, taninos finíssimos, corpo pleno, final profundo e intenso com notas frutadas. Retrogosto duradouro. Longa vida pela frente. Obteve 91/100 pts. de RP em 31.08.2009. Safra apontada como excelente em Mendoza (vinho degustado em 17.06.2010).

Avaliação: 90,5/100 pts. ++

Interfood importa Rocca di Montegrossi, apresentada por Marco Ricasoli-Firidolfi

terça-feira, junho 29th, 2010

No centro Marco Ricasoli-Firidolfi, da Rocca di Montegrossi

Chianti Classico

Em 1° plano "Vin Santo Rocca di Montegrossi": 95/100 pts.

Vinhos DOCG

A vinícola Rocca di Montegrossi está localizada no coração de Chianti Clássico, a 7 km da Comuna de Gaiole in Chianti, remonta às origens da região e do próprio Chianti. De propriedade de Marco Ricasoli Firidolfi, descendente da família Ricasoli-Firidolfi, com tradição secular no cultivo de vinhos, eis que dos 60 hectares da fazenda, 20 hectares são dedicados às vinhas e 20 aos olivais. Os vinhedos estão situados em áreas montanhosas, com declives suaves de calcário e com condições climáticas que favorecem a produção de uvas de qualidade como Sangiovese, Canaiolo, Colorino, Pugnitello, Malvasia del Chianti, Merlot e Cabernet Sauvignon.

 

A estrutura da vinícola, cuja adega foi completamente restaurada em 2000, alia tradição e tecnologia, com tanques de cimento vitrificados e barris de carvalho com temperatura  controlada que garantem a perfeita fermentação das uvas. Dos rótulos produzidos pela Rocca di Montegrossi, o Chianti Clássico San Marcelino 2004 e o Geremia 2004 receberam 93/100 de Robert Parker e o Vin Santo 2000 94/100 pts., considerado pelos críticos um dos melhores vinhos de sobremesa da Itália (vide avaliação ao final do texto).

 

Vin Santo del Chinati Classico: apenas 2.500 garrafas produzidas, 5 meses de "appassimento". Fermenta e amadurece em barricas de cerejeira e carvalho novo durante 6 anos antes de chegar ao mercado. O exemplar degustado foi da safra 2001. Recebeu 95/100 pts., trazido ao Brasil por Marco Ricasoli-Firidolfi especialmente para essa degustação.

 

 

O produtor Marco Ricasoli-Firidolfi cresceu numa família com tradição secular no cultivo de vinhos fortes, eis que a família Ricassoli era proprietária do Castelo de Brolio, o Rocca di Montegrossi, o Monteluco Castelo e o Castelo Cacchiano, em Monti in Chianti, no coração da Toscana, onde Marco cresceu e cultivou sua paixão pelo vinho. Ricasoli é descendente do famoso “Barão de Ferro”, cujo nome verdadeiro era Bettino Ricasoli, nascido em 1809 e político de destaque no “Risorgimento” italiano, movimento que levou à unificação da Itália e que o tornou primeiro-ministro. O barão teria criado, com um amigo, a fórmula para a Sangiovese que seria mais tarde, o Chianti Clássico.

 

Marco Ricasoli-Firidolfi, proprietário da Rocca di Montegrossi, sediada em Monti in Chianti, San Marcellino, Gaiole in Chianti, Siena, Itália.

 

Seus estudos começaram em Florença. Após concluí-los, Marco foi para França, país pelo qual é apaixonado. Durante dois anos fez cursos na Universidade de Bordeaux e Universidade de Dijon, na qual dedicou-se a aprimorar seus conhecimentos em enologia. Ao retornar à Itália, decidido à colocar em prática toda teoria adquirida e dar continuidade à tradição familiar, Marco funda a Rocca di Montegrossi, em 1995.  Neste período, expandiu o cultivo das vinhas para 20 hectares e manteve firme sua filosofia focada no terroir e na qualidade dos vinhos que produz.

A Rocca di Montegrossi é uma vinícola estabelecida em Siena, na Toscana

 

Abaixo a descrição e avaliação dos vinhos degustados. Destaco os esforços envidados por Bruno Airaghi para trazê-lo ao Brasil bem como o seu desempenho à frente da linha Classics da Interfood. Também estiveram presentes Nádia Maira (Interfood), João Curi (Interfood) e Carlos Hakim (Revista Divino), além de outros formadores de opinião que se reuniram no Restaurante Arola Vintetres, na noite de 23 de junho de 2010, para degustação comandada por Marco Ricasoli-Firidolfi:

 

Chianti Clássico DOCG 2006 – 13,5% álcool – região: Gaiole in Chianti – uvas: Sangiovese (90%) e Canaiolo (10%) – preço R$ 112,30 – Rubi com alguma concentração. Aromas com predomínio de notas balsâmicas, chocolate e um leve “sottobosco”. Na boca é um vinho estruturado, tânico (boa qualidade) e expansivo, com sua acidez gastronômica completando o conjunto, de acento mineral. Termina salivante e intenso. É bom ressaltar que a Rocca di Montegrossi conta com certificado de Azienda Biológica. Recebeu 89/100 pts. da WA de RP. A safra de 2006 foi ótima na Toscana.

Avaliação: 88/100 pts.

 

 

 

Vigneto San Marcellino Chianti DOCG 2004 – 13,5% álcool – região: Gaiole in Chianti – uva: Sangiovese (100%) – preço R$ 214,65 – Rubi intenso profundo. Mais complexo do que o anterior com sugestões de ameixas, especiarias e leve tostado. Boca no mesmo diapasão, taninos quase maduros, leve calor, ótima acidez expansiva e salivante. Mostra no palato toda força e rusticidade da Sangiovese. À exemplo do anterior tem acento mineral, notas de ameixas e grande expansão na boca. Um vinho típico que mostrou grande evolução na taça. Perfeito para comida.  

Avaliação: 91/100 pts.+

 

 

 

 

Vigneto San Marcellino Chianti DOCG 2006 – 14% álcool – região: Gaiole in Chianti – uva: Sangiovese (100%) – preço R$ 214,65 – O “Vigneto San Marcelino” é um vinhedo muito antigo, quase extinto que produz vinhos de grande concentração. Rubi intenso profundo com reflexo arroxeado. No olfato apresenta notas de mentol, alcaçuz e especiarias. Na boca é menos intenso do que o anterior, porém, seus taninos são jovens e sedosos. Frutado (ameixas e amoras), equilibrado e persistente, é um vinho que ganhará complexidade com seu envelhecimento na garrafa nos próximos anos. 

Avaliação: 90/100 pts.++

 

 

 

 

Geremia IGT Toscana 2005 – 13,5% álcool – região: Gaiole in Chianti – uvas: Merlot (60%) e cabernet Sauvignon (40%) – preço R$ 205,60 – Rubi intenso profundo. Perfil aromático distinto dos três exemplares anteriores, com notas de frutas vermelhas, licor de cassis e uma pontinha de alcaçuz. Na boca subscreve esses aromas ao exibir fruta integrada aos demais elementos: álcool, madeira, taninos e acidez de viés gastronômico. Um legítimo “Supertoscano”, amadurecido por 18 meses em barrica de carvalho francês de média tosta “Alliers”. Sem filtração, permanece dois anos na garrafa antes de ir para o mercado. Retrogosto frutado. Promete longa vida na garrafa. Dividiu com o Chianti 2004 o título de melhor da noite para os presentes. 

Avaliação: 92/100 pts.++

 

 

 

Vin Santo Del Chianti Clássico 2001 – 13,5% álcool – região: Gaiole in Chianti – uvas: Malvasia (95%) e Canaiolo (5%) – preço: n/c (garrafa de 375 ml) – vinho de pequena produção anual, apenas 2.500 garrafas, considerado um dos melhores da Itália do gênero: Dourado intenso brilhante. Exala aromas deliciosos e convidativos de amêndoas torradas, damasco, frutas secas, geléia de laranja  sobre um fundo de mel com excepcional sustentação na taça. Na boca é simplesmente sublime, untuoso e exibe um equilíbrio gustativo muito próximo da perfeição eis que o seu dulçor tem contraponto na acidez, na fruta e no álcool. Intenso, longo, profundo é interminável no palato. Depois de sorvido deixa uma gostosa e intensa nota crocante e amendoada. O melhor vinho de sobremesa italiano degustado por quem escreve essas linhas. Sem previsão de importação para o Brasil.

Avaliação: 95/100 pts. ++

Tarapacá “La Isla” Sauvignon Blanc Terroir 2008 – Vale de Leyda

segunda-feira, junho 28th, 2010

 

Tarapacá La Isla 2008 foi trazido do Chile em 11/2009. Importado pela Épice - SP.

O Guia Descorchados 2009 informa aquilo que muita gente já sabe: a Tarapacá foi comprada pelo grupo San Pedro, que entre outras linhas, produz os vinhos Santa Helena, muito conhecido dos brasileiros. Comandada pelo enólogo norte-americano Ed Flaherty, que já conseguiu que os vinhos alcançassem maior pontuação na edição do guia em questão. O Tarapacá La Isla Leyda Sauvignon Blanc 2008 já é fruto dessa união e pelo visto as coisas estão caminhando bem.  O leitor deve aguardar porque brevemente essa tradicional vinícola chilena estabelecida no Vale de Maipo, mais precisamente em Isla de Maipo, lançará o seu primeiro “Super Premium”.

 

 

O contra-rótulo:

“El Valle de Leyda, el cual mira desde lo alto al Océano Pacifico  está ubicado em las zonas mas frías, donde los antigos suelos de granito de Cordillera de la Costa, junto com las condiciones climáticas, entregan notas minerales a los vinos que ahí se originan. La Isla,  fue  fermentado em tanques de acero inoxidable para exhibir lãs intensas cualidades y notas minerales de Leyda. Este vino presenta aromas y sabores cítricos, combinados com notas minerales em boca, posee uma crujiente acidez natural y sabores muy persistentes.”

 

 

Degustação

Tarapacá La Isla Sauvignon Blanc Terroir 2008 – Região: Leyda – Álcool: 13% – preço: R$ 36 (Santa Luzia – SP)  – cor: palha claro com reflexos esverdeados. Nariz intenso com notas vegetais típicas da casta, leve apontamento cítrico sobre um fundo mineral. Na boca confirma o nariz e se destaca por conta de seu frescor e mineralidade. Tem profundidade gustativa e corpo médio. No fim-de-boca deixa um amargor vegetal dentro do aceitável. Poderia ser mais elegante, mas tem a favor de si a tipicidade. Obteve 92/100 pts. do Guia Descorchados 2009 com a rubrica “super preço” que aconselha que seja servido junto com “ostras”. Por sua estrutura e mineralidade poderá ser consumido sem atropelo até o fim de 2011. Trazido do Chile em novembro de 2009 por US$ 7, é um vinho comercializado  no Brasil por R$ 36,00.

Avaliação: 87/100 pts. +

De Lucca El Colorado Reserva 2006: um Sauvignon Blanc diferente

domingo, junho 27th, 2010

 

 

O Uruguai é um país que se localiza na parte sul do continente americano e têm cerca de 3,3 milhões de habitantes distribuídos em dezenove departamentos. Seu consumo “per capita” é da ordem de trint e três litros (8º mundial) e cerca de 95% de sua produção de uvas é destinada à produção de vinhos. Apenas 5% da produção é de uvas de mesa. Metade de sua produção anual é para o consumo interno e a outra metade destina-se à exportação para o Brasil, EUA e Europa. A produção está nas mãos de “duzentas e setenta e oito famílias produtoras”. Destaca-se no plantio da cepa “tannat” que tem sua origem no sudoeste francês, mas também obtém sucesso no plantio das castas tintas cabernet sauvignon e franc, merlot, petit verdot, pinot noir, tempranillo e syrah e das brancas sauvignon blanc, sauvignon gris, viognier, torrontés, ugni blanc, gewürztraminer e chardonnay.

 

A vinícola De Lucca compreende três vinhedos situados nas comunidades de “El Colorado”, “Rincón de El Colorado”, “El Colorado Chico” e  ” Progresso “. Essas vinhas totalizam de 50 ha, localizadas a 35 quilômetros da costa do Atlântico. O clima dominante é temperado, quente, úmido, relativamente seco e ensolarado durante a primavera e o verão. O solo escolhido é adequado para o cultivo da uva porque é bastante raso, bem drenado e possibilita o armazenamento de água suficiente para abastecer as vinhas durante o período vegetativo. O solo predominante é de cor marrom escuro e o sub-solo de calcário em alguns pontos.

 

Reinaldo de Lucca, Diretor e Enólogo, faz parte da segunda geração da família produzindo vinhos. Suas raízes estendem-se ao Piemonte, onde a família também produzia vinhos. Aprimorou-se com as graduações nas universidades de Montevidéu (Uruguai), Penn State University (EUA) e Montpellier (França). Seus vinhos são elegantes, vivos e originais, refletindo sua mentalidade inquieta e perfeccionista.

 

 

Degustação

De Lucca El Colorado Sauvignon Blanc Reserva 2006 – região: Canelones – álcool: 14,3% – preço: R$ 48,40 – portal Estação do Vinho – tel: 011 3045 2461 – Elaborado com uvas bem maduras, sua cor é amarelo na transição para o dourado brilhante. À princípio começou fechado mas abriu ao longo do tempo. Notas de fruta madura (melão e pêssego) sobre um discreto fundo vegetal que confirma a tipicidade da casta. Na boca um degrau acima. Álcool generoso integrado à fruta e à acidez perfazendo um conjunto equilibrado, harmonioso e sobretudo complexo.  Untuoso, é um vinho expansivo, longo que arrancou diversos elogios. Indicação do enófilo José Luiz G. Pagliari, é detentor de ótima relação preço-qualidade. Por fim, seu frescor está intacto, o que faz-nos crer que seja um vinho de guarda que  exibe uma cor densa (quase dourada)  por conta de sua passagem por madeira (1 ano). À conferir.

Avaliação: 88/100 pts.

Nova importadora: Vinissimo

domingo, junho 27th, 2010

 

Coppola Blue Label Merlot 2005

sábado, junho 26th, 2010

O degustado foi da safra 2005

O vinho deste post é da safra 2005

 

 

 

Sobre FRANCIS FORD COPPOLA

De ascendência italiana pode-se afirmar que cresceu sob forte influência do vinho e da gastronomia. Famoso cineasta e autor de diversos filmes (O poderoso chefão, Apocalypse Now, O selvagem da motocicleta, etc.), adquiriu a vinícola em 1975 fazendo parte do negócio uma construção de 1879 chamada Inglenook que fora fundada por Gustave Niebaum, donde o nome Niebaum-Coppola. Após minuciosa restauração surgiu a maravilhosa sede que adorna a vinícola no distrito de Rutherford do Napa Valley. Seus vinhos são considerados os melhores da história vinícola dos EUA.

 

Degustação

Coppola Blue Label Merlot  2005 – uvas: Merlot (90%), Syrah (6%) e Petit Verdot (4%) – Álcool: 13,5% – preço: R$120 – Importador: Reloco/RJ – tel: 21 2215 8055 – Rubi violáceo profundo com halo de evolução. Nariz convidativo: desde o início apresentou ótimos aromas, com notas de frutas negras (amoras e ameixas), chocolate, madeira de qualidade e uma ponta de vermute. Sua complexidade olfativa faz lembrar um bom vinho do Vale do Ródano (Châteauneuf-du-Pape). Boca macia, redonda, com madeira bem casada com a fruta subscrevendo as sensações olfativas, taninos maduros e gentis no auge da evolução, toques de anis, chocolate e baunilha. Retrogosto com notas achocolatadas. Vinho prazeroso que mostrou toda a tipicidade da Merlot na Califórnia. Apesar de caro é inegavelmente um vinho prazeroso.

Avaliação: 89/100 pts.

Vinhos da Toscana

sábado, junho 26th, 2010

 

Marlene KratzTel (11|) 2936 2229 – (11) 8935 0464

marlene@premierimportadora.com.br

Santa Julia Chenin-Torrontés 2009: bom e barato

sexta-feira, junho 25th, 2010

 

Zuccardi Santa Julia Chenin Blanc-Torrontés: corte tipicamente argentino que agrada por seu frescor

 

A Argentina é um país que se localiza entre a cordilheira dos Andes e o oceano Atlântico na parte meridional do continente americano e que têm cerca de 37 milhões de habitantes distribuídos em 23 Províncias. Possui a 8ª maior extensão territorial do planeta. É o 5º maior produtor mundial de vinhos e o 10º exportador. Sua principal região vinícola, Mendoza (localizada há 2.500 km ao norte da Patagônia), não sofre influência marítima porque está localizada há 1.000 km do oceano Atlântico e sofre forte incidência do sol o ano inteiro devido ao clima seco que propicia poucas chuvas. A amplitude térmica é grande e isso favorece a vinicultura. Depois de Mendoza, as demais regiões vinícolas do país são: Calchaquies, La Rioja, San Juan e a Patagônia.

 

Nesse contexto, a Bodega Familia Zuccardi tem mais de 40 anos de existência e produz vinhos clássicos originários de Mendoza. A linha Santa Julia, por exemplo, é uma das principais:  vinhos modernos, com muito respeito pela fruta e pela tipicidade varietal (Descorchados 2008).  José Zuccardi, sempre se dedicou ao vinho com muita dedicação, paixão e energia tendo como meta a inovação. Zuccardi se constitui na verdadeira família do vinho argentino: Don Alberto “Pepe” Zuccardi, Ana Amitrano e filhos. Esse time fica completo com a presença dos enólogos Rodolfo Montenegro, Rubén Ruffo e Gustavo Martínez. Todos demonstram abnegação e criatividade pelo que fazem, tanto é que criaram uma bodega experimental para micro-vinificação da linha denominada Innovacción. Além disso, existe uma sortida loja de vendas e a bodega conta ainda com um salão destinado a difundir a expressão cultural local para todo país.  O vinho abaixo é de autoria de Gustavo Martínez.

 

 

Zuccardi Santa Julia Chenin-Torrontés 2009 – 13% álcool – Mendoza/Santa Rosa e Maipú – uvas: Chenin Blanc (70%) e Torrontés (30%) – preço: R$ 21,00 – Ravin/São Paulo tel. 011 5574 5789   Palha claro brilhante com reflexos levemente esverdeados.  Nariz aberto com flores brancas (jasmim) sobre um fundo vegetal. Álcool integrado.  Na boca sua entrada revela um vinho fresco, com boa participação de frutas cítricas e uma nota de pera. Gostoso e fácil de beber, é um vinho para o dia-a-dia que também pode ser um bom acompanhamento para aperitivos e pescados. Termina suave (sem o amargor vegetal comum em alguns torrontés) e deixa uma nota adocicada no palato. Apesar de a Torrontés ser minoritária, está bastante perceptível nos aromas de boca e no retrogosto. Detentor de ótima relação preço-qualidade, é um vinho para ser comprado “de caixa”.  

Avaliação: 86/100 pts.

Pequena Confraria do Ventura “Chica Confraria”: embrião de um grupo de degustação que ainda vai dar o que falar

sexta-feira, junho 25th, 2010

Leyda Pinot Noir Rosé 2007, vinho de boa tipicidade aliado ao frescor de um Rosé com mais jeito de Pinot do que muitos similares existentes por aí: 87/100 pts.

Valduga Naturelle 2008: blend de Cabernet Franc e Pinot Noir

Leyda Pinot Noir Rosé 2007, Casa Valduga Naturelle 2008, Siesta en el Tahuantinsuyu Malbec 2006, Delicato Cabernet Sauvignon 2006 e Dominio Cassis Tannat Oceanico 2006

 

Delicato Cabernet Sauvignon 2005: um californiano de perfil leve, aberto no auge da evolução - 86/100 pts.

 

 

 

Dominio Cassis Tannat Oceanico 2006: típico vinho uruguaio, intenso e potente: 85/100 pts.

 

 

 

 

Siesta en el Tahuantinsuyu 2006: apesar do nome complicado, este Malbec da família Catena obteve 88/100 pts.+

 

 

 

Gracia de Chile Chardonnay Reserva 2009

quinta-feira, junho 24th, 2010

O vinho escolhido para este post é um Chardonnay chileno denominado “Cercanía Reserva 2009”, da “Gracia de Chile”, elaborado com uvas de umas das regiões mais distantes do país andino: o promissor Vale de Bío Bío, o mais austral dos vales produtores chilenos porque está situado a 500 km ao sul de Santiago e que demonstra que a cepa tem plenas condições de evoluir nessa região de clima ameno, de invernos suaves e chuvosos. Os verões são mais frescos que outros vales do país devido à sua latitude. Isso faz com que as uvas atinjam seu ciclo lentamente, conservando seu frescor, intensidade de sabores e de aromas. O solo da região contém uma expressiva quantidade de areia e de pedras, o que permite obter de maneira natural rendimentos baixos. A altura da Cordilheira dos Andes baixa consideravelmente com menores temperaturas a determinar que a colheita ocorra duas semanas depois das verificadas nas regiões mais quentes e o resultado do cultivo principalmente de uvas brancas como Riesling, Gewürztraminer, Sauvignon Blanc e Chardonnay são bastante animadores. A Pinot Noir também é cultivada com algum sucesso.

A vinícola “Gracia de Chile” faz parte do conglomerado “Corpora Viñedos e Bodegas” ao qual pertence as Viñas Agustinos, Canata e Veranda. O atual importador é a rede de supermercados “Wal-Mart”, onde esse vinho pode ser encontrado com alguma facilidade por preço acessível: R$ 17,22. A característica principal da Gracia de Chile segundo Hugh Johnson (Guia de Vinhos de Bolso – edição 2008), é “possuir vinhedos desde Aconcágua até Bío Bío”.
O contra-rótulo informa que: “elaboramos nosso Chardonnay com uvas especialmente selecionadas. Aromas de pêra, abacaxi e mel se sobrassaem neste vinho complexo. Na boca é suave e luxuoso com final sedoso. Parcialmente envelhecido em barris de carvalho francês para obter suas delicadas notas de baunilha. Combina perfeitamente com pescados, massas e quiches. Servir entre 8 e 10°C”.
 

Degustação

Gracia de Chile Chardonnay Reserva 2009 – Vale de Bio Bio – 13,5% álcool – preço: R$ 17,22 – (21.06.2010) – Wal-Mart Supercenter Morumbi – Av. Prof. Fco. Morato 2585 – SP/SP

Atraente cor amarelo verdeal intenso e brilhante. No nariz, os 13,5% de álcool estão integrados e os aromas que se destacam são os de frutas brancas como melão, pêssego e uma ponta de abacaxi maduro. Depois de algum tempo uma nota cítrica, mas o perfil aromático lembra mais um Chardonnay de clima quente por conta do seu frescor um pouco abaixo do esperado e da sugestão de fruta madura. Mesmo assim,  tivesse mais corpo seu perfil o aproximaria dos vinhos de Casablanca, San Antonio e Leyda, porque só fica a dever na mineralidade. Redondo e com alguma persistência, dá espaço para a fruta com sugestões cítricas, mas a baunilha prevalece e um discreto amargor aparece no fim-de-boca.
Conclusão
O Chardonnay Cercanía é um vinho franco, direto, fácil de beber, de boa tipicidade porque consegue exprimir o caráter varietal da cepa e que conta com um fator atraente para o consumidor: sua relação preço-qualidade é bastante favorável, porque se hipoteticamente for comparado com outros Chardonnays da mesma faixa de preço irá se destacar. Não vai ganhar complexidade na garrafa, todavia, poderá ser consumido despreocupadamente nos próximos doze meses. 
Avaliação: 85/100 pts.