
Mauro Torquato e Alessandro: profissionais do Ráscal que participaram do evento
No último dia 19 de abril, a importadora World Wine que tem no seu portfólio importantes produtores do Novo Mundo, realizou nas dependências do Hotel Meliá Jardim Europa, a sua tradicional feira “World Wine Experience”, com a presença de produtores da América do Sul e dos EUA, Austrália e da África do Sul. De há muito já se tornou tradição a realização dessa feira pela World Wine.
Expositores visitados: Finca Sophenia, Andeluna Cellars, Viña Bisquertt, Odfjell, Arnauld Hereu, Viña San Pedro, Domaine Clos Ouvert, Bodegas Castillo Viejo e Jordan Winery
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A Feira primou pela organização, porém, no dia dedicado exclusivamente aos órgãos de imprensa, jornalistas e formadores de opinião o salão escolhido se mostrou pequeno para tanta gente. Havia água e uma mesa de frios na outra sala para que todos se servissem à vontade. Mais tarde foi servida uma massa quente.
Sobre os vinhos
Finca Sophenia – agora na World Wine. Vinhos de perfil moderno. Os destaques são os dois vinhos topo de linha: Synthesis Malbec 2007 e Blend 2006. Ambos confirmaram as elevadas pontuações internacionais.
Andeluna – apenas um Chardonnay provado. Demonstrou tipicidade.
Felix Lavaque – aqui os Torrontés foram os destaques. Um “puro” e outro barricado. Ambos são bons, o primeiro se destaca por seu frescor e o segundo por seu peso e untuosidade. À conferir.

Joana Pereira, enóloga-chefe da Viña Bisquertt e o enófilo José Luiz G. Pagliari
Viña Bisquertt – aqui os destaques foram os brancos do Vale de Colchágua. Por falta de tempo os tintos não foram provados porque o fim do evento já se aproximava. O Late Harvest também mostrou untuosidade.
Domaine Clos Ouvert – sem dúvida o grande destaque da feira. Vinícola estabelecida no Vale do Maule, o vale chileno do momento. Dois enólogos franceses são os responsáveis por videiras de até 100 anos de idade não afetadas pela filoxera vastatrix. Os vinhos são biodinâmicos, leves, frutados com a madeira equilibrada. São verdadeiros “vinhos de terroir”, de estilo nitidamente europeu sem perder a identidade chilena. Além disso, agradam por que não doem na parte mais sensível de nosso corpo: o bolso. Custam R$ 72 e por isso apresentam uma correta equação qualidade-preço. Por fim, valem à pena ser degustados fora do ambiente da feira e preferencialmente escoltados por pratos de alta gastronomia. À Conferir.

Pablo Acevedo Guérineau, Diretor de Exportações para América Latina da Viña San Pedro Tarapacá
Viña San Pedro – Na ala dos brancos três Sauvignons, dois “1865” de safras distintas mas da mesma região: Leyda. O 2007 exibiu tipicidade de sobra e o 2009 tinha perfil aromático muito diferente do que a boca entregava. Vide avaliação abaixo. Mas na linha básica, o Sauvignon Blanc de Elqui, por R$ 40,00, para quem escreve essas linhas o vinho de melhor relação preço qualidade de toda feira, porque em números absolutos é o vinho mais barato com maior pontuação alcançada: 89/100 pts. Outro que também se destacou foi o Cabernet Sauvignon 2007 dessa mesma linha. Redondo, macio, intenso e profundo, tem qualidade e tipicidade de sobra, além de ser fácil de beber é um bom representante do sucesso da Cabernet Sauvignon no Chile, porque mesmo nas linhas mais simples os vinhos são de qualidade bem acima da esperada.
Na linha 1865 o destaque ficou por conta do Malbec safra 2006, com aromas complexos de couro e torrefação e tipicidade na boca. Atingiu sem muito esforço 90/100 pts. O SyrahMas os demais não ficaram muito atrás e os destaques serão os “Limited Edition”. O Syrah de Elqui simplesmentente exuberante na fruta e apesar de caro (R$ 110) vale à pena ser provado. Um grau abaixo ficou para o CS/Syrah.
O top Cabo de Hornos continua na galeria dos grandes Cabernets do Maipo. Vinho longevo que precisa de tempo para mostrar suas qualidades.

Este gentleman é o Dean Hrabar, Diretor de Exportações da Odfjell: linha de vinhos foi uma das mais elogiadas do evento
Odfjell – o forte dessa vinícola estabelecida no Vale do Maipo são os vinhos de Carignan, Cabernet Franc, Syrah e Malbec. A vinícola possui apenas um branco que foi provado, um Sauvignon Blanc do Vale de Casablanca 2009. Nos tintos, o Orzada Syrah 2006, seguido muito de perto pelo Cabernet Franc, Carignan e Malbec, nesta ordem. Os vinhos da linha Armador são bem frutados e o destaque ficou por conta do Carménère. O Hereu, blend de Carignan, Malbec e Syrah também se destacou. Os tops Aliara e Odfjell também não decepcionaram. O primeiro é um vinho cuja composição muda a cada safra porque utiliza sempre as uvas que melhor resultado apresentou e o segundo é um Carignan Super Premium do Vale do Maule.

No centro, o Diretor de Exportações da Viña Castillo Viejo do Uruguai: Gastón Pescetto e sua mulher
Castillo Viejo – Bodega uruguaia cujos destaques são o seu espumante Hasparren e o blend topo de gama El Preciado.
Jordan Winery – o blend californiano de estilo bordalês só não entusiasmou mais por conta do preço. Vinho potente, forte e bastante concentrado cujos elementos estão integração.

1865 Limited Edition: Syrah do Vale de Elqui, originário de vinhedos plantado no Norte do Chile, quase no Deserto de Atacama e próximo do mar, com suas brisas frias e solo rico em minerais, fazem deste terroir uma zona única. Resultado: um vinho delicioso e um dos destaques do evento
Vinã San Pedro
Castilo de Molina Sauvignon Blanc 2009 – do longínquo Vale de Elqui, a mais de 400 km ao norte de Santiago, vem este aromático, mineral e frutado Sauvignon Blanc. Um vinho para ser bebido sozinho ou como acompanhamento de comida. Para comprar de caixa 89/100.
1865 Sauvignon Blanc 2007 – típico Sauvignon costeiro (Leyda) com maracujá, aspargos e forte mineralidade na boca – 88/100
1865 Sauvignon Blanc 2009 – a garrafa provada tinha um forte aroma de suor de cavalo sobre um fundo herbáceo. Na boca não confirmou o nariz porque era macio, vegetal e de bom frescor – 86/100. Necessário prová-lo novamente para desfazer a dúvida sobre seus aromas.
Castillo de Molina Cabernet Sauvignon 2007 – bons aromas, redondo, macio e típico por preço muito bom. 88/100 +
1865 Syrah 2006 – boa tipicidade, taninos redondos e sedosos. Largo e amplo no meio de boca. Um vinho consistente que evolui a cada nova safra. 88/100 ++
1865 Carménère 2006 – sem as exageradas notas herbáceas de alguns vinhos dessa casta, este 1865 apresentou taninos doces, bom corpo e final limpo. 87/100
1865 Malbec 2006 – nariz espetacular com toques animais e couro. Encorpado, denso e voluptuoso termina longo e intenso deixando uma nota adocicada. Um dos melhores Malbecs chilenos da atualidade. Ótima relação preço-qualidade, um dos melhores do evento. 90/100
1865 Limited Edition Syrah 2007 – lançamento da vinícola é um delicioso e fresco Syrah do Vale de Elqui, ao norte de Santiago. Taninos aveludados, forte acento mineral com notas de groselha no palato, sua acidez é gastronômica. Termina longo e frutado. 90/100 +
1865 Limited Edition Syrah/Cabernet 2007 – aqui a CS entra com 45% do corte. Elegante, menos intenso do que o anterior. 87/100 pts.
Cabo de Hornos 2005 – Um dos ícones chilenos de taninos finos e de boa persistência. 88/100
Cabo de Hornos 2006 – este exemplar demonstrou mais frescor do que o 2005. Concentrado, fino e elegante, vai afinar na garrafa. 89/100

Odfjell Carignan, Aliara e linha Orzada: vinhos de qualidade comprovada
Arnaud Hereu e Odfjell
Hereu 2007 – blend de Carignan, Malbec e Syrah, vinho que mostrou correto equilíbrio gustativo com bom balanço entre fruta e madeira. 87/100.
Armador Sauvignon Blanc 2009 – único branco da vinícola elaborado com uvas do Vale de Casablanca apresentou aromas da casta com grama cortada e maracujá. Na boca sua estrutura é leve e tem bom frescor com alguma persistência. 87/100
Armador Cabernet Sauvignon 2007 – Do Vale do Maipo, é um vinho limpo, sem madeira em excesso e com boa fruta e um pouco curto. 86/100
Armador Carménère 2007 – estilo igual do anterior, com concentração e intensidade. 87,5/100
Armador Syrah 2007 – macio, frutado, redondo e de boa tipicidade. 88/100
Orzada Cabernet Franc – aqui subimos um degrau e nos deparamos com um dos melhores vinhos de toda feira por preço acessível. Do Vale do Maule, é denso e frutado, já sinais de ter atingido o auge. A Cabernet Franc costuma recompensar aqueles que tem paciência. 89/100
Orzada Cabernet Sauvignon 2007 – este CS de Colchágua não tem a riqueza de aromas e potência de seu irmão, mas não decepcionou porque é correto, com fruta e corpo médio. 86/100
Orzada Malbec Orgânico 2007 – outro Malbec de Lontué é fino, elegante e de taninos de boa textura e com fruta aparente. O 2006 foi o melhor chileno na categoria. 87/100 +
Orzada Syrah 2006 – para quem escreve esse vinho roubou a cena. Púrpura na cor, rico nos aromas longo e saboroso no palato, é um dos melhores Syrah chilenos do Maule, eis que além de sua tipicidade, tem na relação qualidade-preço um de seus maiores trunfos. 89,5 ++
Orzada Carignan – cepa típica do Vale do Maule onde estão plantados os parreirais mais antigos do Chile. Aromas florais e vegetais. Na boca os taninos são potentes, duros, a acidez é formidável e a madeira está na medida sem encobrir a fruta e o álcool na casa dos 14% concorre para o equilíbrio do conjunto. Um dos vinhos mais elogiados do evento. 89/100+
Aliara 2006 – já foi o vinho top e se caracteriza por reproduzir, em cada edição, um blend com as melhores cepas da safra. Em 2006 a cepa que brilhou foi a Syrah (vide Orzada Syrah) com 48%, seguida da Malbec (em 2006 o Malbec orgânico foi apontado como o melhor de sua categoria) com 35%, a simbólica Carignan com 13% e a onipresente Cabernet Sauvignon com apenas 4%. Ainda fechado nos aromas mostrou elegância e complexidade gustativa. Intenso e de taninos redondos vai ter bom afinamento na garrafa nos próximos anos. 88/100 ++
Odfjell 2005 – o vinho topo de gama leva o nome do fundador da vinícola. A madeira já aparece no aroma com baunilha e tostado. Na boca é denso e sedoso e prenuncia longa vida na garrafa pela frente. É o primeiro Caringnan “Super Premium” do Chile. 89/100