
Vinhos nacionais: qualidade em ascensão
Na noite de 11 de março de 2010, quem escreve essas linhas juntamente com Alexandre Frias, Beto Duarte, Cristiano Orlandi, Daniel Perches, João Filipe Clemente, Márcio Marson (Diretor da EIVIN – Vinhos brasileiros especiais), Guilherme Sulsbach Grando (Diretor da vinícola catarinense Villaggio Grando) e Eduardo Milan (Enófilo e Diretor Jurídico da Eivin), reunidos no Espaço Rosso Bianco, sito à Rua Conrado Offa, 535, bairro Chácara Urbana (uma travessa da Avenida 9 de Julho, a principal da cidade), Jundiaí, São Paulo, tel. 3214 2241, para degustação dos vinhos nacionais distribuídos pela EIVIN – www.eivin.com.br, Rua Barão de Jaceguai 1401, CEP 04606-003, Campo Belo, São Paulo, tel 55 11 5042 3890
Alexandre Frias www.diariodebaco.com.br
Beto Duarte blog papodevinho.blogspot.com
Daniel Perches www.vinhosdecorte.com.br
Cristiano Orlandi blog vivendovinhos.blogspot.com
João Filipe Clemente blog falandodevinhos.blogspot.com
MarcelodiMoraes www.marcelodimoraes.com/blog/index.php
A EIVIN, vinhos nacionais especiais tem por objetivo atender a uma necessidade do mercado de encontrar pequenas vinícolas que produzem vinhos de qualidade internacional, elaborados com características próprias, identificados por seu terroir local.
Também atende a uma necessidade dos clientes: restaurantes e empórios, em adquirir pequenas quantidades de vinho para suas compras semanais, evitando grandes estoques e perdas de produto.
O modelo de trabalho escolhido é o do desenvolvimento comercial e de marketing de Vinícolas Nacionais com atuação em todo o território nacional. Este conceito foi criado após criteriosa análise do mercado nacional e internacional de vinhos com o apoio de um seleto grupo de amigos do vinho, entre consultores, críticos, jornalistas e donos de restaurantes/empórios.
Atualmente a EIVIN distribui vinhos das vinícolas brasileiras Marson (www.cavemarson.com.br), Cordilheira de Sant`Ana (www.cordilheiradesantana.com.br), Terragnolo (www.terragnolo), Santo Emílio, Vinha Solo e outras novas vinícolas que estão em fase de análise e cadastramento.
Abaixo impressões sobre os vinhos com destaque para o elevado nível de qualidade das amostras degustadas. Márcio Marson, com a habitual simpatia, discorreu com muita serenidade sobre os objetivos da EIVIN e particularmente sobre características dos produtores e dos vinhos degustados. O resultado da degustação foi auspicioso. Márcio reuniu produtores escolhidos “à dedo” e os vinhos realmente superaram as expectativas, daí o título dado a este post: “Vinhos do Brasil que o Brasil não conhece”. São vinhos diferenciados e pouquíssimos conhecidos nessas bandas. O perfil das amostras vai do clássico Bettú Corte C 2001 até o moderno Marselan 2009 da Terragnolo. Na ala dos espumantes, o destaque ficou para o Stellato Charmat, um vinho espumante de Cabernet e Merlot com boa fruta e ótimo frescor. A única observação fica por conta do preço de algumas amostras (um pouco acima do desejado, todavia, Márcio explicou que a tributação nos Estados de origem é bem inferior à do Estado de São Paulo, que não permite uma alíquota diferenciada para o vinho como as existentes nos Estados de SC e RS), fator importante nos dias que correm e determinante na concorrência acirrada travada no nosso mercado, porque muitos compram “descontos” na ilusão de estar adquirindo bons vinhos. Por fim, a conclusão é que a EIVIN tem um portfolio de vinhos nacionais de regiões até então desconhecidas que vale à pena ser conhecido.
Marson Espumante Brut Champenoise
Origem: Brasil – safra: não safrado – álcool: 12% – uvas: Chardonnay (85%) e Pinot Noir (15%) – região: Cotiporã /Serra Gaúcha – preço estimado: R$ 53,00 – palha esverdeado. Perlage media com discreta coroa de espuma. Olfato simples e franco com uma boa dose de leveduras secundadas por baunilha e frutas brancas. Com o passar do tempo perdeu expressão e mostrou uma paleta floral sobre um fundo de leveduras. No palato é fino, frutado, curto e não deixa nenhum amargor. Para um espumante “Champenoise” poderia ter mais complexidade.
Avaliação: 85/100 pts.
Espumante Stellato Charmat
Origem: Brasil – safra: 2006 – álcool: 13% – uvas: Merlot e Cabernet Sauvignon em partes iguais – região: Lajes/Serra Catarinense – preço estimado: R$ 43 – Em 2003 a Família Binotto adquiriu a Fazenda Quinta dos Montes situada em Urupema, Santa Catarina, naquele que é considerado um dos pontos mais altos e frios do Brasil. Iniciou o plantio de uvas finas e foi buscar referências no mercado internacional para a produção de vinhos de elevada qualidade. Elegeu a meta de plantar 40 ha de vinhedos e está iniciando um projeto para construção de uma das mais modernas vinícolas do país. Análise organoléptica: Cor rosa salmão brilhante, perlage intensa e fina com borbulhas em profusão. Aromático com sugestões de frutas vermelhas frescas (morangos e cerejas) e leveduras, tudo com boa sustentação na taça. Sem passagem por madeira, elaborado segundo o método charmat longo, a fermentação maloláctica realizou-se em tanques de aço inoxidável com temperatura controlada para aumentar a complexidade aromática e, pelo visto, isso foi conseguido. Amadurece sobre suas leveduras “sur lie” por três meses. Termina intenso com bastante delicadeza e tem por destaque seu elevado frescor que lhe confere equilíbrio gustativo.
Avaliação: 87,5/100 pts.
Villaggio Grando – Chardonnay
Origem: Brasil – safra: 2008 – álcool: 12,8% – região: Campos de Herciliópolis/Água Doce/SC – preço: R$ 51,00 – A história da Villaggio Grando se inicia nos anos 1990 quando um amigo da família de origem francesa analisou o clima, a altitude e o solo e concluiu que o terroir local é apropriado para o cultivo de “vitis vinifera”. Trata-se da região de Herciliópolis, município catarinense de Água Doce, onde a Floresta de Araucárias dá lugar aos Campos de Palmas, planalto de características singulares para o desenvolvimento e cultivo de vinhedos. O método de plantio utiliza espaldeiras e a exposição das videiras obedece ao sentido norte-sul. Os cachos maturam lentamente, o que resulta em vinhos bem estruturados e de vida longa, incluindo os brancos. Análise organoléptica: Coloração amarelo-palha claro brilhante. Nariz a sinalizar boa tipicidade da casta com notas amanteigadas, abacaxi, pêra, maçã verde sobre um fundo de mel com leve toque defumato. Média intensidade com boa complexidade aromática. Na boca, apresenta boa acidez e boa concentração de sabor com delicadeza e elegância. Limpo (sem madeira), equilibrado termina com levíssimo amargor vegetal que não incomoda.
Avaliação: 86/100 pts.
Cordilheira de Sant’ana Reserva Especial – Gewürztraminer
Origem: Brasil – safra: 2008 – álcool: 12% – região: Santana do Livramento/RS – preço: R$ 60,00 – Localizada em Palomas, na Campanha Gaúcha, quase na divisa com o Uruguai, a Cordilheira de Sant’ana sempre demonstrou bom manejo dessa casta. Análise organoléptica: Cor palha esverdeado brilhante a denotar juventude. Nariz de notável tipicidade, com notas de flores brancas, lichias, pétalas de rosa, especiarias e mel. Boa intensidade aromática. Na boca, é um pouco curto e exibiu algum frescor, notas cítricas (lima-da-pérsia), corpo médio, alguma aspereza e amargor no retrogosto. Apresentou curta persistência gustativa e apesar de não ter subscrito integralmente as sensações olfativas, o seu grande destaque é a tipicidade porque a casta é pouco cultivada no Brasil.
Avaliação: 85/100 pts.

A EIVIN distribui vinhos nacionais diferenciados de pequenos produtores
Prelúdio
Origem: Campos de Cima da Serra/RS – safra: 2007 – álcool: 12,7% – uvas: Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc – preço estimado: R$ 40,80 – Primeiro projeto da Vinha Solo, elaborado à partir de vinhas de produtividade reduzida (menos de 2 kg por planta) e sem adição de conservante INS 220 consoante afirmação de seu produtor Marco Danielle. Análise organoléptica: rubi intenso com alguma profundidade. Muito complexo no olfato com aromas de couro, caça e madeira sobre um fundo vegetal. Na boca um degrau a menos, com taninos de qualidade média, ligeira sobra de álcool, fruta escassa, final áspero e com alguma rusticidade. Esperava mais desse vinho.
Avaliação: 83/100 pts.
Bettú Corte Bordalês C – garrafa n° 120
Origem: Brasil – safra: 2001 – álcool: 13,8% – uvas: Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc – região: RS/Garibaldi – preço estimado: R$ 120,00 – Vilmar Bettú é reconhecidamente um produtor garagista de primeira linha. Recentemente, quem escreve essas linhas teve oportunidade de provar dois rosés de sua autoria, um filtrado e outro não. Ambos agradaram, mas o não filtrado se sobressaiu por conta de seu sabor concentrado e saboroso. Seus vinhos esbajam tipicidade e o respeito pela natureza está em primeiro lugar. Se a safra não é boa para determinada cepa, Vilmar simplesmente não a vinifica. Análise organoléptica: Rubi violáceo intenso com halo de evolução. Nariz tipicamente bordalês com fruta madura, notas mentoladas, especiarias (cravo e pimento-do-reino), leve cassis sobre um fundo balsâmico. No palato é um vinho redondo, macio, taninos finos, boa acidez e madeira integrada à fruta. Seu estilo privilegia a elegância sem perder de vista a ótima concentração de sabor proporcionada pela maceração longa (30 dias) e passagem por barrica de “madeira velha” (13 meses). Às cegas facilmente passaria por um bom vinho do Velho Continente. Termina longo e suave convidando o degustador para o próximo gole. Não vai evoluir, porém, poderá ser bebido sem pressa nos próximos anos porque ainda tem sobrevida na garrafa.
Avaliação: 88/100 pts.
Terragnolo Marselan
Origem: Bento Gonçalves/Vale dos Vinhedos/RS – safra: 2009 – álcool: 13,8% – uva: Marselan – preço estimado: R$ 45,00 – A história da Terragnolo remonta a 1875 com a chegada de Luigi Valduga ao Brasil, vindo de Terragnolo – Trento, norte da Itália. Luigi trouxe na bagagem mudas de videiras que foram plantadas na região de Bento Gonçalves. Hoje a família já se encontra na quarta geração, nas mãos de Sandro Valduga que além de produzir vinhos, faz sucos e geléias diferenciados que também levam a marca Terragnolo. Obs: A Marselan resulta do cruzamento da bordalesa Cabernet Sauvignon com a Grenache, que desempenha papel importante no Rhône e na Espanha. Análise organoléptica: Rubi intenso com reflexo púrpura. Nariz poderoso e crocante, aromas concentrados de geléia de frutas negras (amoras e ameixas), especiarias doces, chocolate escuro e algo lácteo sobre um fundo terroso. Na boca subscreve plenamente o nariz com frutado exuberante, suculento e gostoso. Taninos potentes contrabalançados por acidez de viés gastronômico a formar um vinho de perfil moderno e que demonstra o potencial da região. Termina com ligeira adstringência que se suavizará com mais algum tempo na garrafa. Longa vida pela frente.
Avaliação: 88/100 pts. +
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