Archive for month março, 2010

Mas La Plana 2005: um Cabernet Sauvignon espanhol vanguardista

quarta-feira, março 31st, 2010
Mas La Plana: qualidade homogênea e muita tipicidade

Mas La Plana: qualidade homogênea e muita tipicidade

 

A família Torres dedica-se à viticultura desde o século XVII e fundou a própria empresa em 1870. Possui hoje 1.700 hectares de vinhedos na Cataluña e é a maior vinícola do país, entregando ao mercado 35 milhões de litros de vinhos por ano. A casa é bastante conhecida dos brasileiros, que há muito se habituaram a rótulos como Coronas, Gran Coronas, Sangre de Toro, Viña Sol. Miguel Agustin Torres, formado em enologia na França, começou a trabalhar na empresa em 1961 e assumiu definitivamente o lugar do pai, Miguel Torres Carbó, em 1991. Representando a quarta geração da família, foi ele quem comandou a ampliação dos negócios na Espanha, há alguns anos, com novas vinhas em Ribera del Duero, no Priorato, Toro e Jumilla. Além disso, em 1994 comprou a vinícola de Jean Leon, mais em homenagem ao amigo espanhol que fez sucesso com um restaurante em Los Angeles, nos Estados Unidos, com quem mantinha amistosa rivalidade. Jean Leon foi o primeiro a plantar Cabernet Sauvignon no Penedés, logo seguido por Miguel Torres (texto extraído do portal Winexperts – 24.11.1996).

 

 

Informações do contra-rótulo.

Há mais de 3 décadas atrás, nasceu na Espanha, um vinho misterioso. Seu rótulo: preto. Sua garrafa: Borgonhesa. Sua variedade: Cabernet Sauvignon. Muito poucos acreditavam no projeto. Certamente ninguém poderia esperar que em 1979 triunfasse numa degustação às cegas em Paris (Olimpíadas do vinho), contra os vinhos mais afamados no mundo. Esse foi o começo de uma nova era. O momento em que nós paramos de sonhar, para começar a caminhar, ano após ano, safra após safra.

 

Degustação

Torres Mas La Plana Cabernet Sauvignon 2005 – 14% álcool – Penedès/Catalunha – R$ 190,00 – (www.wine.com.br  - tel 0800 602 9463) –  Importado por Reloco/RJ – Originário de vinhas velhas, de quase  50 anos, exibiu cor rubi violáceo de média intensidade e profundidade. Aromas complexos e de média intensidade com notas de cassis, amoras sobre um fundo de baunilha que depois de algum tempo da lugar a uma discreta nota herbácea. Na boca é um vinho sedoso, encorpado, de taninos polidos, com fruta em evidência “quase guloso” e uma boa dose de especiarias. Equilibrado e com tudo no sítio certo, termina longo e no retrogosto deixa uma nota tostada. Amadureceu 15 meses em carvalho de origem não divulgada. Degustado pela primeira vez em 15.07.2009, apresentou boa evolução na garrafa e vai evoluir bem nos próximos cinco anos, desde que convenientemente armazenado.

Avaliação: 90/100 ++

Nossa colaboração para Revista Divino n°10, nas bancas: uma adega de múltiplas opções

domingo, março 28th, 2010

divino

Uma Adega de Múltiplas Opções

O mercado brasileiro é um dos mais diversificados do mundo. Somente nos EUA, Inglaterra e Japão existem tantas opções de vinhos como aqui. Por isso, o principiante poderá ter alguma dificuldade na hora de escolher. Abaixo, segue uma lista para celebrações e datas especiais. Há também dois tintos abaixo de R$ 50, ótimos para o almoço de domingo.

 

Cava Cordoniu Pinot Noir Brut – R$ 114 (Interfood).  Produzido pelo método tradicional, este delicioso Cava brut oferece intensas notas de frutas vermelhas e cassis. Elegante na boca tem doçura na medida e confirma a fruta. É uma ótima opção para os dias quentes do verão, por conta de sua cremosidade, estrutura, frescor e tipicidade. Versátil, vai bem com pratos leves e sobremesas.

 

Louise Brison Brut Millésime 2003 – R$ 175  (Cave Jado).

Resultado de viticultura orgânica com a utilização de Chardonnay e de Pinot Noir em proporções iguais é um champagne de borbulhas numerosas e pequenas. Perlage fino e intenso. Nariz com sugestões de fermento, fruta branca e algum cítrico. No palato é leve, macio, de acidez delicada e refrescante. Deixa uma sensação gostosa na boca.

 

Ruca Malén Chardonnay 2006 – R$ 54,00 (Hannover). Paleta aromática diversificada com pitadas de baunilha, damasco, pêssego e um leve toque cítrico. No palato chamou atenção por seu frescor, maciez, alguma untuosidade, fruta (abacaxi maduro) e madeira (50% do mosto passou por barricas francesas durante oito meses) em comunhão. Equilibrado, tudo no lugar certo (álcool, acidez e madeira), termina suave e refrescante.

 

 

Ervideira Branco Reserva DOC Alentejo 2007 – R$ 81,00 (World Wine). Elaborado com uma das melhores castas brancas portuguesas, a Antão Vaz, é um vinho que comprova que Portugal também produz brancos de elevada qualidade. Sua complexa paleta aromática evoca frutas tropicais (toranja), madeira fina e uma nota mineral solidamente confirmada no palato. Na boca é balanceado, estruturado, sua acidez e sabor aveludado lembram um bom Chablis. Fim de prova longo sem arestas. Apresenta potencial de evolução na garrafa.  

 

Arboleda Sauvignon Blanc Leyda 2007 – R$ 85,00 (Expand). O Chile também vem se destacando na produção de brancos. Este exuberante sauvignon blanc esbanja tipicidade com suas notas vegetais (grama cortada), aspargos e maracujá. Na boca é voluptuoso, concentrado, de acidez rica e cítrico sem perder o acento mineral dos vinhos do Vale de Leyda, localizado a apenas 14 km do Pacífico.

 

 

 

 

 

Louis Latour Chablis Côte D’Or  2007 – R$ 126 (Aurora). Palha claro brilhante. No olfato seu forte traço mineral secundado por frutas brancas e a ótima sustentação na taça confirmam sua boa tipicidade. Boca que subscreve integralmente o olfato, intensa, de acidez delicada, fina com a repetição da mineralidade.  Fim de prova persistente e agradável.

 

 

Don Laurindo Tannat Reserva 2005 – Vale dos Vinhedos – R$ 36 (Rei dos Whyskies) – Rubi violáceo intenso com alguma profundidade. Aromas frutados com predomínio de framboesa, especiarias e madeira fina. Denso e rugoso na boca, com uma massa tânica de ótima qualidade  que lhe dá vida. Tudo no lugar certo: álcool, taninos, acidez e madeira perfazendo um conjunto equilibrado e prazeroso. Vinho regular e consistente  que apresenta ótima evolução na garrafa, podendo ser guardado por 8/10 anos.

 

Don Diego Cabernet Sauvignon Roble Orgânico Catamarca 2007 – R$ 48,00 (SP Gourmet) - Vinho surpreendente que apresenta ótima tipicidade da casta no noroeste da Argentina, eis que seu perfil é distinto dos cabernets mendocinos. Intenso e profundo na cor, de boa expressão aromática com notas mentoladas, tabaco, groselha sobre um fundo madeirado crocante. Na boca é fresco, taninos firmes e de grande personalidade. Não é superconcentrado e a madeira está bem colocada (seis meses em barricas francesas e americanas) e lhe dá boa complexidade. Termina com ligeira rugosidade e com mais algum tempo na garrafa deverá arredondar-se ainda mais. Bom para churrascos.

 

 

Taurus Crianza Tinta de Toro DO 2005 Bodega Marco Real – R$ 89,90 (Obra Prima) – A emergente região de Toro vem surpreendendo com seus vinhos potentes, concentrados e gulosos. Este, não foge à regra porque consegue aliar madeira à fruta de forma interessante. Aromas intensos de frutas negras, mentol e caramelo. Na boca é um vinho quente, macio, carnudo e muito saboroso. Tem acento mineral e uma boa dose de fruta em compota. Termina crocante e suave prometendo uma boa evolução na garrafa nos próximos anos.   Contra-rotulo: “TC  nace em nuestros viñedos de Tinta de Toro, vendimiados a mano.  Trás la fermentación, el vino fue criado em barricas de roble francês durante seis meses y osteriormente em botella hasta la fecha. De color rojo cereza picota com tonos granates, em nariz se aprecian potentes aromas de frutas negras maduras, em perfecto equilíbrio  com notas eseciadas y tostadas. Amplio y carnoso, em boca posee gran final, elegante y persistente. Este vino no ha sido filtrado ni estabilizado, por lo que se recomienda  decantar”   

 

 

 

 

 

Ventisquero Grey Syrah Colchágua 2006 – R$ 98,00 (Cantú) – O Vale de Colchágua é comprovadamente o melhor terroir da Syrah no Chile. Este varietal tem uma participação pequena de Cabernet Sauvignon e de Carménère que lhe conferem mais complexidade. No olfato violetas, frutas vermelhas e um toque picante de especiarias (noz moscada e cravo) a lhe confirmar tipicidade. Álcool elevado sem incomodar. Na boca os taninos macios dão o tom. A madeira (carvalho francês) está presente e não tripudia sobre a fruta. De acidez firme e sólida, é um vinho guloso que se move facilmente no palato e que termina longo, suave e sem arestas.

 

 

 

 

 

Cesari Bosan Ripasso DOC 2006 – R$ 120,00 (Wine Brands) – De forma simplificada, a técnica Ripasso consiste na refermentação de vinhos da mesma safra ou anteriores no bagaço das uvas do Amarone. Potente no nariz com frutas negras, especiarias e uma deliciosa nota de licor de cacau. Boca rica, de taninos macios, aveludados, acidez gastronômica. Encorpado, profundo e intenso, sua concentração de sabor evoca ameixas em calda. Termina sedoso e sem arestas. De ótima tipicidade, apresenta qualidade superior a de alguns Amarones mais baratos. Ótima opção para carnes grelhadas, queijos maturados ou para ser bebido sozinho.

 

 

 

Borgonero IGT 2003 – Borgo Scopeto – “Supertoscano” – R$ 256,00 (MM Vinhos) -  Nariz complexo com notas de caça, couro, terroso, madeirado e com uma boa dose de frutas negras e especiarias. Ao ingressar na boca, apresenta uma estrutura imponente, discreta e equilibrada, com acidez evidente, taninos mastigáveis prevalecendo sobre o álcool. Notas de canela e de especiarias perfazendo um conjunto concentrado, profundo e intenso. Guloso, concilia de forma ímpar a força da Sangiovese com a elegância da Cabernet Sauvignon e as especiarias da Syrah. Termina doce e persistente convidando o degustador para o próximo gole. Para ser bebido nos próximos 10 anos.

 

 

A Naca Rosso IGT Sicília – Calatrasi 2006 – R$ 298,00 (Ravin) – A Casa Vinícola Calatrasi di San Cipirello é uma vinícola siciliana cuja produção apresenta qualidade em constante crescimento. Já obteve, inclusive, a certificação ISO 9002. Com 95% de Nero D’Avola e 5% de outras uvas autóctones, este A Naca apresenta nariz amplo, envolvente e complexo com alcaçuz e fruta madura (cereja e amora) sobre um fundo de tabaco. Na boca, sua entrada é quente e confirma as sensações olfativas com taninos densos, poderosos e doces. Ótima acidez e integração da fruta, madeira (amadurece 15 meses em barricas de origem não divulgada), acidez e taninos. Deixa uma sensação agradável no fim de boca. Vinho de grande tipicidade e inequívoca personalidade mediterrânea. Seu estilo lembra um bom Amarone.

É da Argentina que vem duas opções de vinhos interessantes…

terça-feira, março 23rd, 2010
Portfólio da Hannover: espumantes Adolfo Lona e vinhos do Cone Sul

No Portfólio da Hannover espumantes Adolfo Lona e vinhos do Cone Sul : Argentina, Chile e Uruguai

 

A Bodega Serrera (Marton Andina) é uma empresa vitivinícola dedicada à elaboração de vinhos finos, com produção limitada.

 

Localizada em Mendoza, a maior zona de produção da Argentina, elabora artesanalmente vinhos de qualidade obtidos com uvas de terroirs selecionados. Vinhos concebidos como manifesto de um ideal de proporcionar prazer, orgulho, e satisfação para quem os consome.

 

Nos campos e na bodega, os proprietários e equipe enológica realizam com muita dedicação o processo de elaboração dos vinhos para demonstrar sua essência, cultura e tradição.

 

A vinícola conta com toda a tecnologia necessária para elaborar seus vinhos. E sua política empresarial está baseada em estabelecer a perfeita conexão entre todos os setores de produção de vinhos de qualidade, desde o terreno até a formação profissional de quem os elabora.

 

Por fim, cabe destacar que seus vinhos são exportados para o Reino Unido, EUA, Grécia e agora para o Brasil, através da Hannover, com sede em Porto Alegre e representação em São Paulo (Capital – tel 2638 0881), que faz a distribuição de seus produtos com respaldo na opinião de confrarias, sommeliers, enólogos e veículos especializados, a fim de proporcionar aos consumidores a garantia de estarem levando para casa vinhos de ótima procedência.

 

Degustação

Serrera Moments – Esencia de Los Andes – origem: Argentina – safra: 2008 – álcool: 13,2% – região: Maipú/Mendoza – uva: Torrontés – preço: R$ 36,00 – Coloração palha claro límpido e brilhante. Nariz floral (jasmim) típico com muita delicadeza, sugestões vegetais e leve nota de arruda. Boca que se destaca por sua maciez e frescor intenso. Vinho razoavelmente estruturado e de corpo médio. Apresentou boa harmonia entre olfato e palato. Termina com le víssimo amargor. Este exemplar demonstrou maior equilíbrio gustativo do que o provado em maio de 2009, da mesma safra. Possui vocação gastronômica, principalmente comida asiática.

Nota: 86/100 pts.

 

 

A Ruca Malén, sediada em Agrelo/Luján de Cuyo/Mendoza é uma bodega cujos rótulos homenageiam as tradições mapuches e que graças a seu árduo trabalho conseguiu um lugar de destaque no competitivo mercado local. Fundada em 1998 pelos experientes empresários do setor vitivinícola Jean Pierre Thibaud (ex-presidente da Chandon Argentina) e Jacques Louis de Montalambert (de família tradicional da Borgonha), teve sua primeira safra em 1999.  A contratação do enólogo Pablo Cúneo deu a essa bodega sediada em Agrelo uma clara direção.  Colheita após colheita seus vinhos mantém qualidade homogênea. Esse bom resultado tem haver com a equipe que trabalha nos vinhedos. Por outro lado cabe destacar que 45% da produção são exportados para diversos países, dentre os quais Estados Unidos, Inglaterra, França, Holanda, Uruguai, Canadá, México e Brasil, etc.

 

Degustação

Ruca Malén Petit Verdot – origem: Argentina – região: Agrelo/ Luján de Cuyo/Mendoza – safra: 2007 – álcool: 13,7% – uva: Petit Verdot (100%) – preço estimado: R$ 54,00 – Rubi violáceo intenso, profundo e de reflexo púrpura. Olfato tomado por uma forte nota de alcaçuz que depois cede espaço para café torrado e especiarias, leve floral e fruta madura, tudo de forma definida e integrada. Boca forte, rica, volumosa, intensa com taninos presentes de ótima textura. É um vinho de personalidade que tem “nervo”. Equilíbrio no álcool, acidez e madeira, que por sinal está bem colocada (doze meses em barris de carvalho de 1º, 2º e 3º uso, 85% franceses e 15% americanos) e permite a expressão da fruta madura (ameixa/framboesa). De produção pequena, mostrou tipicidade da casta no Novo Mundo e no concurso “Argentina Wine Awards 2010” o exemplar da safra 2008 obteve medalha de ouro e a distinção “Trophy”, ou seja, na análise de dois grupos de julgadores, passou no último dia por uma reavaliação de todos os jurados em conjunto, para se estabelecer o melhor em cada categoria, cabendo aí essa distinção. À conferir. 

Nota: 88/100 pts. +

Héritage du Marquis de Greyssac 2007 – Um dos campeões do “Traga o seu vinho – Bordeaux” realizado na SBAV-SP

segunda-feira, março 22nd, 2010

Marquis de Greyssac: um vinho honesto
Marquis de Greyssac: um vinho honesto

 

 

 

 

A vinícola “La Domaine de Sansac” situada a 70 km ao leste  da cidade de Bordeaux, produz o conhecido “Héritage du Marquis de Greyssac Tradition Bordeaux”, um vinho elaborado com as principais castas bordalesas, a saber: Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. Engarrafado e produzido por Domaine de Sansac/Univitis, criada em 1973  denominada a “Primeira União dos Produtores de Bordeaux”  agrega 250 produtores e  objetiva  a produção/comercialização de vinhos da Gironda detentores de relação preço-qualidade que ostentam a denominação “Bordeaux” nos respectivos rótulos.

 

 

O Marquis de Greyssac Bordeaux 2008 ostenta na sua cápsula uma medalha de ouro auferida no “Concours dês Grands Vins de France – Médaille  D’Or” o que já é um indicador de qualidade. Todavia, diante das inúmeras opções existentes nas gôndolas das grandes redes de supermercados, este vinho provavelmente não seria notado, porém, sua apresentação esmerada e a medalhinha no gargalo devem ter chamado a atenção de uma confreira da SBAV-SP, que resolveu levá-lo para o “embate etílico” que se travou numa terça-feira de janeiro último na sede da associação. E, na mesa “A”, onde às cegas foram servidos vinhos da envergadura de um Chateau Larosse-Trintaudon Haut-Médoc Cru Bourgeois ou o não menos famoso Chateau Pedesclaux Pauillac, o Marquis de Greyssac 2007 amealhou nada menos do que a primeira colocação, numa peleja acirrada, consoante classificação abaixo:

 

 

 

 

 

1º Marquis de Greyssac  - Bordeaux 2007
2º Chateau La Dauphine – Fronsac 2004
3º Chateau Puycarpin – Cotes de Castillon 2004

4º Chateau Larosse-Trintaudon Haut-Médoc Cru Bourgeois 2001

5º Chateau Pedesclaux Pauillac 2004

6º Chateau D’Archambeau Graves 2003

 

 

E quem traz esse vinho para o Brasil?

 

 

É a “Max Brands – The Partner’s Choice”,  sediada nesta Capital sito à Vila Andrade, próxima do Shopping Plaza Sul (www.maxbrands.com.br - 011 2174 6700),  comandada pelo experiente Alexandre Fadel, ex-presidente da Maxxium do Brasil. Focada nas marcas que representa, a Max Brands traz no seu portfólio De Cecco, Pampas Del Sur (Arg), Sottano (Arg), Santa Alicia (Chile), Cesari (Itália/Vêneto), Marques de Greyssac (França/Bordeaux) e Cave de Ladac (França/Beaujolais e Côtes du Rhône).  Em SP possui equipe própria e mais vinte e cinco representantes espalhados pelo Brasil. Suas operações iniciaram em janeiro de 2009 com trezentas mil caixas de vinhos importadas. Pretende crescer 25% em 2010. No que tange aos alimentos, a Max Brands  importa as massas De Cecco, sinônimo de qualidade e boa mesa.

 

 

 

Degustação

Héritage du Marquis de Greyssac 2008 – 12,5% álcool – preço: R$ 51,90 (Pão de Açúcar)   Análise organoléptica:

Rubi intenso com reflexo violáceo. Nariz intenso com predomínio de frutas vermelhas (cereja e framboesa), especiarias (cravo e pimento-do-reino) sobre uma nota herbácea. Confirmou na boca esses aromas com equilíbrio e alguma elegância. Taninos polidos e de boa textura. Integração do álcool, taninos, fruta e acidez. Termina suave e redondo. Degustado no almoço de domingo do ótimo Rosmarino saiu-se bem. No meio da infinidade de opções de vinhos existentes nas grandes redes de supermercados, o Marquis de Greyssac é uma escolha viável.

Avaliação: 86/100 pts. +

 

 

 

Leyda Falaris Hill Chardonnay 2005: frescor e mineralidade

sábado, março 20th, 2010

Leyda Chardonnay 2005: ótima tipicidade

Leyda Chardonnay 2005: ótima tipicidade

 

 

 

A Viña Leyda foi pioneira do Vale de Santo Antonio, uma área que vem chamando a atenção da crítica pelo frescor e intensidade de seus vinhos, moderados pela proximidade do Oceano Pacífico. O estilo da Leyda se centra especificamente no aproveitamento da influência fria, moldando os vinhos com frescor, voluptuosidade e força. Não são sobremaduros como os de outras regiões. O trabalho setorizado desenvolvido por essa vinícola, concorre para fixar identidade própria a seus vinhos com resultados cada vez mais sólidos.  Recentemente essa vinícola foi comprada pelo conglomerado Viña San Pedro (citação abaixo).

 

Apenas para ilustrar transcrevo trecho do Guia Descorchados 2008: “A Leyda foi comprada este ano pelo grupo San Pedro (também composto por Santa Helena e Altair) e coincidentemente aumentou o seu portfólio de vinhos, acrescentando tintos de outras regiões. Para o guia Descorchados continuam relevantes os vinhos produzidos no Vale de Santo Antonio, lugar onde a Leyda foi a primeira a plantar uvas na segunda metade da década de 1990”.

 

 

 

Degustação

Leyda Chardonnay Falaris Hill 2005 – 13,5% álcool – preço promocional: R$ 28,00 (Hannover São Paulo 011 2638 0881 c/Sandra) - Palha com reflexos dourados.  Rica paleta de aromas cremosos com predomínio de abacaxi fresco, damasco, carambola e uma forte nota amanteigada com boa sustentação na taça. Na boca repete as sensações olfativas com destaque para sua elegância, madeira integrada à fruta e  cremosidade sobre uma nota mineral. Apesar dos cinco anos de garrafa seu frescor é satisfatório, contudo, é melhor não guardá-lo por muito tempo porque o seu auge já passou, mas sua tipicidade e frescor ainda se destacam e dão equilíbrio ao conjunto. Termina elegante, com média persistência e ausência de amargor e no longo retrogosto deixa uma nota de mel.

Avaliação: 86,5/100 pts.

4° Encontro Enoblogs – Degustação de vinhos da EIVIN: “Vinhos do Brasil que o Brasil não conhece”

sexta-feira, março 19th, 2010

  

Vinhos nacionais: qualidade em ascensão

Vinhos nacionais: qualidade em ascensão

 

 

Na noite de 11 de março de 2010, quem escreve essas linhas juntamente com Alexandre Frias, Beto Duarte, Cristiano Orlandi, Daniel Perches, João Filipe Clemente, Márcio Marson (Diretor da EIVIN – Vinhos brasileiros especiais), Guilherme Sulsbach Grando (Diretor da vinícola catarinense Villaggio Grando) e Eduardo Milan (Enófilo e Diretor Jurídico da Eivin), reunidos no Espaço Rosso Bianco, sito à Rua Conrado Offa, 535, bairro Chácara Urbana (uma travessa da Avenida 9 de Julho, a principal da cidade), Jundiaí, São Paulo, tel. 3214 2241, para degustação dos vinhos nacionais distribuídos pela EIVINwww.eivin.com.br, Rua Barão de Jaceguai 1401, CEP 04606-003, Campo Belo, São Paulo, tel 55 11 5042 3890

 

 

Alexandre Frias  www.diariodebaco.com.br

Beto Duarte blog papodevinho.blogspot.com  

Daniel Perches  www.vinhosdecorte.com.br  

Cristiano Orlandi  blog vivendovinhos.blogspot.com  

João Filipe Clemente   blog falandodevinhos.blogspot.com    
MarcelodiMoraes
www.marcelodimoraes.com/blog/index.php

 

 

A EIVIN, vinhos nacionais especiais tem por objetivo atender a uma necessidade do mercado de encontrar pequenas vinícolas que produzem vinhos de qualidade internacional, elaborados com características próprias, identificados por seu terroir local.

 

Também atende a uma necessidade dos clientes: restaurantes e empórios, em adquirir pequenas quantidades de vinho para suas compras semanais, evitando grandes estoques e perdas de produto.

 

O modelo de trabalho escolhido é o do desenvolvimento comercial e de marketing de Vinícolas Nacionais com atuação em todo o território nacional. Este conceito foi criado após criteriosa análise do mercado nacional e internacional de vinhos com o apoio de um seleto grupo de amigos do vinho, entre consultores, críticos, jornalistas e donos de restaurantes/empórios.

 

Atualmente a EIVIN distribui vinhos das vinícolas brasileiras Marson (www.cavemarson.com.br), Cordilheira de Sant`Ana (www.cordilheiradesantana.com.br), Terragnolo (www.terragnolo), Santo Emílio, Vinha Solo e outras novas vinícolas que estão em fase de análise e cadastramento.

 

Abaixo impressões sobre os vinhos com destaque para o elevado nível de qualidade das amostras degustadas. Márcio Marson, com a habitual simpatia, discorreu com muita serenidade sobre os objetivos da EIVIN e particularmente sobre características dos produtores e dos vinhos degustados. O resultado da degustação foi auspicioso. Márcio reuniu produtores escolhidos “à dedo” e os vinhos realmente superaram as expectativas, daí o título dado a este post: “Vinhos do Brasil que o Brasil não conhece”. São vinhos diferenciados e pouquíssimos conhecidos nessas bandas. O perfil das amostras vai do clássico Bettú Corte  C 2001 até o moderno  Marselan 2009 da Terragnolo. Na ala dos espumantes, o destaque ficou para o Stellato Charmat, um vinho espumante de Cabernet e Merlot com boa fruta e ótimo frescor. A única observação fica por conta do preço de algumas amostras (um pouco acima do desejado, todavia,  Márcio explicou que a tributação nos Estados de origem é bem inferior à do Estado de São Paulo, que não permite uma alíquota diferenciada para o vinho como as existentes nos Estados de SC e RS), fator importante nos dias que correm e determinante na concorrência acirrada travada no nosso mercado, porque muitos compram “descontos” na ilusão de estar adquirindo bons vinhos. Por fim, a conclusão é que a EIVIN tem um portfolio de vinhos nacionais de regiões até então desconhecidas que vale à pena ser conhecido.

 

 

Marson Espumante Brut Champenoise

Origem: Brasil – safra: não safrado – álcool: 12% – uvas: Chardonnay (85%) e Pinot Noir (15%) – região: Cotiporã /Serra Gaúcha  – preço estimado: R$ 53,00 – palha esverdeado. Perlage media com discreta coroa de espuma.  Olfato simples e franco com uma boa dose de leveduras secundadas por baunilha e frutas brancas. Com o passar do tempo perdeu expressão e mostrou uma paleta floral sobre um fundo de leveduras. No palato é fino, frutado, curto e não deixa nenhum amargor. Para um espumante “Champenoise” poderia ter mais complexidade.                    

Avaliação: 85/100 pts.

 

 

 

Espumante Stellato Charmat

Origem: Brasil – safra: 2006 – álcool: 13% – uvas: Merlot e Cabernet Sauvignon em partes iguais – região: Lajes/Serra Catarinense – preço estimado: R$ 43 – Em 2003 a Família Binotto  adquiriu a Fazenda Quinta dos Montes situada em Urupema, Santa Catarina, naquele que é considerado um dos pontos mais altos e frios do Brasil. Iniciou o plantio de uvas finas e foi buscar referências no mercado internacional para a produção de vinhos de elevada qualidade.  Elegeu a meta de plantar 40 ha de vinhedos e está iniciando um projeto para construção de uma das mais modernas vinícolas do país. Análise organoléptica: Cor rosa salmão brilhante, perlage intensa e fina com borbulhas em profusão. Aromático com sugestões de frutas vermelhas frescas (morangos e cerejas) e leveduras, tudo com boa sustentação na taça. Sem passagem por madeira, elaborado segundo o método charmat longo, a fermentação maloláctica realizou-se em tanques de aço inoxidável com temperatura controlada para aumentar a complexidade aromática e, pelo visto, isso foi conseguido. Amadurece sobre suas leveduras “sur lie” por três meses. Termina intenso com bastante delicadeza e tem por destaque seu elevado frescor que lhe confere equilíbrio gustativo.

Avaliação: 87,5/100 pts.

 

 

Villaggio Grando – Chardonnay

Origem: Brasil – safra: 2008 – álcool: 12,8% – região: Campos de Herciliópolis/Água Doce/SC – preço: R$ 51,00 – A história da Villaggio Grando se inicia nos anos 1990 quando um amigo da família de origem francesa analisou o clima, a altitude e o solo e concluiu que o terroir local é apropriado para o cultivo de “vitis vinifera”.  Trata-se da região de Herciliópolis, município catarinense de Água Doce, onde a Floresta de Araucárias dá lugar aos Campos de Palmas, planalto de características singulares para o desenvolvimento e cultivo de vinhedos. O método de plantio utiliza espaldeiras e a exposição das videiras obedece ao sentido norte-sul. Os cachos maturam lentamente, o que resulta em vinhos bem estruturados e de vida longa, incluindo os brancos.  Análise organoléptica: Coloração amarelo-palha claro brilhante. Nariz a sinalizar boa tipicidade da casta com notas amanteigadas, abacaxi, pêra, maçã verde sobre um fundo de mel com leve toque defumato. Média intensidade com boa complexidade aromática. Na boca, apresenta boa acidez e boa concentração de sabor com delicadeza e elegância. Limpo (sem madeira), equilibrado termina com levíssimo amargor vegetal que não incomoda.

Avaliação: 86/100 pts.

 

 

Cordilheira de Sant’ana Reserva Especial – Gewürztraminer

Origem: Brasil – safra: 2008 – álcool: 12% – região: Santana do Livramento/RS – preço: R$ 60,00 – Localizada em Palomas, na Campanha Gaúcha, quase na divisa com o Uruguai, a Cordilheira de Sant’ana sempre demonstrou bom manejo dessa casta. Análise organoléptica: Cor palha esverdeado brilhante a denotar juventude. Nariz de notável tipicidade, com notas de flores brancas, lichias, pétalas de rosa, especiarias e mel. Boa intensidade aromática. Na boca, é um pouco curto e exibiu algum frescor, notas cítricas (lima-da-pérsia), corpo médio, alguma aspereza e amargor no retrogosto. Apresentou curta persistência gustativa e apesar de não ter subscrito integralmente as sensações olfativas, o seu grande destaque é a tipicidade porque a casta é pouco cultivada no Brasil.

Avaliação: 85/100 pts.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A EIVIN distribui vinhos nacionais diferenciados

A EIVIN distribui vinhos nacionais diferenciados de pequenos produtores

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Prelúdio

Origem: Campos de Cima da Serra/RS – safra: 2007 – álcool: 12,7% – uvas: Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc – preço estimado: R$ 40,80 – Primeiro projeto da Vinha Solo, elaborado à partir de  vinhas  de produtividade reduzida (menos de 2 kg por planta) e sem adição de conservante INS 220 consoante afirmação de seu produtor Marco Danielle. Análise organoléptica: rubi intenso com alguma profundidade. Muito complexo no olfato com aromas de couro, caça e madeira sobre um fundo vegetal. Na boca um degrau a menos, com taninos de qualidade média, ligeira sobra de álcool, fruta escassa, final áspero e com alguma rusticidade. Esperava mais desse vinho.

Avaliação: 83/100 pts.

 

 

 

 

Bettú Corte Bordalês C – garrafa n° 120

Origem: Brasil – safra: 2001 – álcool: 13,8% – uvas: Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc – região: RS/Garibaldi  – preço estimado: R$ 120,00 – Vilmar Bettú é reconhecidamente um produtor garagista de primeira linha. Recentemente, quem escreve essas linhas teve oportunidade de provar dois rosés de sua autoria, um filtrado e outro não.  Ambos agradaram, mas o não filtrado se sobressaiu por conta de seu sabor concentrado e saboroso. Seus vinhos esbajam tipicidade e o respeito pela natureza está em primeiro lugar. Se a safra não é boa para determinada cepa, Vilmar simplesmente não a vinifica. Análise organoléptica: Rubi violáceo intenso com halo de evolução. Nariz tipicamente bordalês com fruta madura, notas mentoladas, especiarias (cravo e pimento-do-reino), leve cassis sobre um fundo balsâmico. No palato é um vinho redondo, macio, taninos finos, boa acidez  e madeira integrada à fruta. Seu estilo privilegia a elegância sem perder de vista a ótima concentração de sabor proporcionada pela maceração longa (30 dias) e passagem por barrica de “madeira velha” (13 meses). Às cegas facilmente passaria por um bom vinho do Velho Continente. Termina longo e suave convidando o degustador para o próximo gole. Não vai evoluir, porém, poderá ser bebido sem pressa nos próximos anos porque ainda tem sobrevida na garrafa.

Avaliação: 88/100 pts.

 



 

 

Terragnolo Marselan

Origem: Bento Gonçalves/Vale dos Vinhedos/RS – safra: 2009 – álcool: 13,8% – uva: Marselan – preço estimado: R$ 45,00 –  A história da Terragnolo remonta a 1875 com a chegada de Luigi Valduga ao Brasil, vindo de TerragnoloTrento, norte da Itália.  Luigi trouxe na bagagem mudas de videiras que foram plantadas na região de Bento Gonçalves. Hoje a família já se encontra na quarta geração, nas mãos de Sandro Valduga que além de produzir vinhos, faz sucos e geléias diferenciados que também levam a marca Terragnolo. Obs: A Marselan resulta do cruzamento da bordalesa Cabernet Sauvignon com a Grenache, que desempenha papel importante no Rhône e na Espanha. Análise organoléptica: Rubi intenso com reflexo púrpura. Nariz poderoso e crocante, aromas concentrados de geléia de frutas negras (amoras e ameixas), especiarias doces, chocolate escuro e algo lácteo sobre um fundo terroso. Na boca subscreve plenamente o nariz com frutado exuberante, suculento e gostoso. Taninos potentes contrabalançados por acidez de viés gastronômico a formar um vinho de perfil moderno e que demonstra o potencial da região. Termina com ligeira adstringência que se suavizará com mais algum tempo na garrafa. Longa vida pela frente.

Avaliação: 88/100 pts. +

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Blogueiros:

Deu na Folha de S. Paulo: serviço de degustação em domicílio da La Cave Jado

sexta-feira, março 19th, 2010
La Cave Jado: vinhos franceses por preços realistas

La Cave Jado: vinhos franceses por preços realistas

 

 

Folha de S. Paulo, 18 de março de 2010,  Caderno Ilustrada – Comida: “A importadora de vinhos La Cave Jado acaba de lançar um serviço de degustação em domicílio, conceito que trouxe da França. Durante os encontros, há prova de seis vinhos – apresentados  em uma ficha entregue aos participantes. Os utensílios são responsabilidade da importadora (tel. 011 2478-2001. Custa cerca de R$ 60 por pessoa.”

 

Quem conhece JeanneDorothée sabe que a La Cave Jado vai longe, porque além dos ótimos vinhos franceses que importa, campeões de relação preço-qualidade, agora  investe no serviço diferenciado do vinho, algo inédito nessas bandas…

 

Degustação de vinhos espanhóis da Decanter conduzida por Guilherme Corrêa na SBAV-SP: “Magister Dixit”

quinta-feira, março 18th, 2010
SBAV-SP

SBAV-SP

 

Sommelier Guilherme Correa

Sommelier Guilherme Correa

 

 

 

Na noite de 16 de março, o Sommelier Guilherme Corrêa, conduziu nas dependências da Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho em São Paulo, localizada na Alameda Gabriel Monteiro da Silva 2586, Jd. Paulistano, telefone 3814 7905, uma degustação de vinhos espanhóis de diversas regiões produtoras.

 

Sobre Guilherme Corrêa: natural de Belo Horizonte, recebeu o título de sommelier da Associazione Italiana de Sommeliers – AIS, na Toscana, Itália.  Em 2006, foi escolhido o melhor sommelier do Brasil e repetiu essa façanha em 2009.  Por isso, foi o representante do Brasil no concurso “Concurso Panamericano de Sommeliers APAS/ASI”, realizado em maio ultimo na Argentina e chegou a ser finalista. O desfecho será agora em 2010. Atualmente, é Diretor Técnico da Importadora Decanter e redige catálogos, “garimpa” novos produtores, organiza cursos, conduz degustações e jantares harmonizados. Tornou-se referência no tema enogastronomia em nível nacional.

 

Sobre a degustação. Cinqüenta e quatro presentes. Casa cheia.  Guilherme Corrêa apresentou uma seleção de sete vinhos espanhóis do portfólio da Importadora Decanter (http://www.decanter.com.br), num amplo espectro de regiões, tipos e preços. Como sói acontecer, Guilherme contagiou os presentes com seu entusiamo, simpatia e conduziu com o habitual brilhantismo a degustação. Discorrendo sobre a vitivinicultura espanhola, acentuou mais uma vez o grande favor da natureza para com a Península Ibérica, com destaque para a Espanha que ali construiu um dos melhores “terroirs” do mundo, em especial pelas condições do solo e clima, uvas autóctones, acrescentando a herança deixada pelos romanos para a vinicultura.

 

A propalada qualidade e  tipicidade dos vinhos da Espanha trazidos pela Decanter foi justificada.  A degustação iniciou com um delicioso e elegante Cava da região da Catalunha/Sant Sadurní D’Anoia/Barcelona, o Raventós i Blanc 2004. Na sequência continuamos no brancos, mas desta vez um vinho tranquilo, o aromático e refrescante Verdejo 2008, do novo produtor incorporado ao portfólio da Decanter, José Pariente. Na sequência adentramos nos tintos e começamos pelo Peique Viñedos Viejos 2006, elaborado com uma das castas do momento na Espanha que é a Mencía.  Este vinho também é uma novidade e consoante avaliação abaixo agradou. Seguimos nos tintos e degustamos aquele que foi considerado por quem escreve essas linhas como o vinho da noite, o suculento e aveludado Luis Cañas Reserva Selección de la Família 2002, corte majoritariamente de Tempranillo “temperada ” com 15% de Cabernet Sauvignon.  Segundo informação passada por Guilherme, essa casta em pouco tempo terá sua utilização formalmente autorizada pela regulamentação local. A sua adição concorreu para a invulgar elegância desse vinho. Continuamos nos tintos, agora com um exemplar de Toro, o Tres Lunas Reserva 2002. No palato se mostrou um vinho potente e picante, de taninos redondos e de final um pouco adstringente sem comprometer o conjunto. O encerramento se deu com chave de ouro, porque o Jerez – Oloroso Dry 15 AñosEl Maestro Sierra, encantou os presentes, principalmente aqueles que admiram essa bebida. José Luiz G. Pagliari, o “Don Jerez” descreveu-o da seguinte maneira: “amarelo castanho brilhante; aroma complexo de evolução, com frutos secos e algo amanteigado; na boca untuoso, e muito longo, com retrogosto de avelãs torradas. Dei 9,5 em 10 de persistência e poderia ter dado 10”. No jantar, o Cuveé Especial Reserva Navarra Pago de Cirsus 2003,  teve desempenho satisfatório, mas um pouco abaixo dos demais. Ao final dessa singular degustação, Guilherme com toda humildade que caracteriza as pessoas verdadeiramente talentosas, foi ovacionado  pelos presentes.

Obs. a frase “Magister Dixit”, do latim, significa “E disse-o o Mestre”.

 

enoteca-decanter

 

Abaixo a descrição e avaliação dos vinhos degustados:

 

Cava Raventós i Blanc Gran Reserva – região: Cataluña/Sant Sadurní D’Anoia/Barcelona – safra: 2004 – álcool: 12% – uvas: Xarel.lo (50%), Macabeo (20%), Parellada (15%), Chardonnay (10%) e Pinot Noir (5%) – preço: R$ 133,60 – Palha brilhante na transição para o dourado. Perlage fina e delicada. Borbulhas diminutas e com alguma intensidade. Complexo e balanceado no olfato com leveduras em primeiro lugar. Depois uma deliciosa nota tostada sobre fruta madura que passa a dominar o conjunto. Na boca confirma a elegância sinalizada no nariz. A adição de Chardonnay e de Pinot Noir conferiu-lhe singular finesse. Cremoso, estruturado e expansivo, no palato a sua pedra angular é o frescor e mineralidade, comum nos cavas de boa procedência. Saboroso e intenso, tem bom final e deixa uma nota tostada no retrogosto. No contra-rótulo uma rara e importante informação para o consumidor: a data do dégorgement:  23.06.2009  Vai ganhar complexidade na garrafa nos próximos anos.  A safra 2003 obteve 88/100 pts. no Guia Peñin 2009.
Nota: 89/100 pts.
+

 

José Pariente Varietal Verdejo – Origem: Espanha – região: Rueda/Valladolid/La Seca – safra: 2008 – álcool: 13% – uva:  Verdejo – preço: R$ 75,00 – Palha esverdeado brilhante. No nariz uma verdadeira explosão de aromas com destaque para frutas tropicais como maracujá e carambola no primeiro plano. Em alguns momentos chegou a evocar um Sauvignon Blanc do Novo Mundo tamanha a semelhança de perfil. Após algum tempo a paleta aromática se desenvolveu com notas florais e de frutas brancas sobre um fundo mineral. Ótima sustentação na taça. Na boca subscrição total desses aromas com profundidade e intensidade. Uma sensação cremosa domina o palato, o álcool na medida e a acidez pungente lhe garantem frescor acima da média. Termina redondo, fresco e frutado. Segundo Guilherme, tem potencial de guarda de até quatro anos.
Nota: 88/100 pts. +

 

Peique  Viñedos Viejos – Origem: Espanha – região: Bierzo/Valtuille de Abajo/León – safra: 2006 – álcool: 14,5% – uva: Mencía – preço: R$ 95,00 –  Rubi intenso, profundo com borda violácea. Inicialmente, no nariz, apresentou uma sobra de álcool que depois cedeu para toques balsâmicos, chocolate, frutas negras (amoras/ameixas) sobre um fundo tostado. Na boca é quente, estruturado, carnudo com taninos de boa textura contrabalançados por acidez  gastronômica. Cremoso, expressivo, termina intenso e redondo. Serve de bom exemplo para quem desejar conhecer a casta. A safra 2005 obteve 90/100 pts. no Guia Peñin 2009.
Nota: 88/100 pts.

 

Luis Cañas Reserva Selección de la Família – Origem: Espanha – região: Rioja Alavesa/Villabuena de Alava – safra: 2002 – álcool:  14,5% – uvas: Tempranillo (80%), Cabernet Sauvignon (15%), Graciano e Garnacha (5%) – preço: R$ 137,85 – Rubi violáceo intenso, profundo com levíssimo halo de evolução.  No olfato apresentou gostosos aromas frutados, madeira fina (cedro), balsâmico e um love toque de cassis sobre um fundo defumado. Na boca é um vinho suculento, de taninos extremamente macios, com tudo no lugar certo: acidez, álcool, taninos, frescor, fruta e madeira tudo entrelaçado harmonicamente a resultar num vinho delicioso, profundo, mineral, muito vivaz e de longa vida na garrafa. A adição de 15% de Cabernet Sauvignon contribuiu decisivamente  para dar um perfil sublime a este verdadeiro best buy ibérico, eis que apesar de não custar pouco, oferece qualidade elevada, por preço inferior a de seus congêneres. Deve crescer ainda mais à mesa, apresentou excelente tipicidade e ainda vai aguentar uns bons anos na garrafa. Nesta safra obteve 89/100 pts. do Guia Peñin 2009 e também alcançou 93/100 pts. de Robert Parker e 90/100 pts. da WS na safra anterior, 2001.
Nota: 91/100 pts. +

 

Gil Luna – Tres Lunas Reserva – Origem: Espanha – região: Toro/Zamora – safra: 2002 – álcool: 14% – uvas: Tinta de Toro (95%) e Garnacha (5%) – preço: R$ 107,00 – Rubi intenso com halo de evolução. Balsâmico e herbáceo apresenta uma sugestão de fruta madura no olfato. Na boca a sua entrada é quente (álcool elevado), taninos redondos, leve prevalência da madeira sobre a fruta com boa concentração de sabor ligeiramente picante a lhe conferir personalidade.  Médio frescor, razoável persistência e pequena adstringência no final sem comprometer o conjunto. Obteve 89/100 pts. do Guia Peñin 2009 – safra 2004.
Nota: 88/100 pts. +

 

Jerez Oloroso El Maestro Sierra 15 años – Origem: Espanha – região: Andaluzia/Jerez de la Frontera – safra: n/c – álcool: 19,5% – uva: Palomino Fino – preço: R$ 92,60 –  amarelo castanho brilhante. Aroma complexo de evolução com frutos secos e leve amanteigado; notas de caramelo e frutas secas. Na boca untuoso, mineral, crocante e muito longo com retrogosto de avelãs torradas. Obteve 91/100 pts. de Robert Parker em  01.02.2007
Nota: 91/100 pts. ++

 

Pago de Cirsus Cuvée Especial Reserva Navarra – Origem: Espanha – região: Navarra/Ablitas – safra: 2003 – álcool: 14% – uvas: Tempranillo (40%), Merlot (40%) e Cabernet Sauvignon (20%) – preço: R$ 125,30 – Rubi violáceo com halo de evolução, se distinguiu no olfato por conta de suas notas frutadas e balsâmicas. Boca franca, macia, medianamente complexa, com alguma fruta e madeira sem incomodar. Picante, os elementos álcool, taninos e acidez estão em sintonia. Termina com leve adstringência e um pequeno amargor. Obteve 87/100 pts. do Guia Peñin 2009.
Nota: 86/100 pts.

 

Leyda Single Vineyard Pinot Noir Rosé 2007: um verdadeiro achado

terça-feira, março 16th, 2010
Leyda Pinot Noir Rosé: tipicidade incomum para um rosé

Leyda Pinot Noir Rosé: tipicidade incomum para um rosé

Os rosés estão na moda. Parece ser um verdadeiro must para qualquer produtor que se preze, produzir um Rosé. Não se pode olvidar que existe muito preconceito contra esse tipo de vinho, todavia, o respeitado critico de vinhos de Portugal, João Afonso, com a erudição que lhe caracteriza afirma que “encontram-se muitos rosés sobre-alcoólicos que não cumprem a principal virtude a que se propõe – serem frescos, leves e elegantemente perfumados. Mas também há produtores a trabalhar exclusivamente para a meta “Rosé”. Nestes casos o objetivo e eventual sucesso parece ser mais fácil de alcançar.”

 

 

Uma das metas deste blogueiro é compartilhar com os leitores as experiências e “garimpagens” de vinhos que faz. Nesse diapasão, recentemente fizemos uma visita à importadora Hannover, estabelecida em São Paulo (telefone 011 2638 0881)  e lá fomos recebidos por José Manuel Affonso que é o Gerente de Vendas em SP (A Hannover está sediada em Porto Alegre/RS). Lá chegando, a sempre atenciosa Sandra apontou o dedo para o corredor onde estavam empilhadas algumas caixas do Leyda Pinot Noir Rosé 2007.  Aqui segue uma observação: não escondo de ninguém que sempre gostei dos vinhos chilenos. Além da relação preço-qualidade da maioria dos rótulos produzidos pelo país Andino, seus vinhos sempre se destacaram por sua tipicidade. E desta vez não foi diferente, mas a conclusão  será relatada um pouco adiante, na avaliação do vinho.

 

Apenas para ilustrar transcrevo trecho do Guia Descorchados 2008: “A Leyda foi comprada este ano pelo grupo San Pedro (também composto por Santa Helena e Altair) e coincidentemente aumentou o seu portfólio de vinhos, acrescentando tintos de outras regiões. Para o guia Descorchados continuam relevantes os vinhos produzidos no Vale de Santo Antonio, lugar onde a Leyda foi a primeira a plantar uvas na segunda metade da década de 1990”.

 

No mesmo guia, o Pinot Noir Rosé 2007 recebeu 89/100 pts. com a seguinte descrição: “Há muitos produtores no mundo tentando levar à sério o rosé. Este pinot pode ser um bom ponto de partida, mas sem perder de vista que se trata de um vinho simples, agradável, fresco e cheio de fruta”.

 

 

 

Degustação

Leyda Pinot Noir Rose Loica Vineyard 2007 – 14% álcool – preço promocional: R$ 28,00 (Hannover São Paulo 011 2638 0881 c/Sandra) - Exuberante cor  salmão brilhante na transição para pêssego com discreto halo de evolução. Logo após a abertura da garrafa uma forte nota de álcool encobriu os aromas, todavia, após alguns minutos deliciosas notas de morangos e cerejas  dominaram o conjunto. Na boca, subscrição total desses aromas com um frescor bem acima do esperado, porque a  safra deste Loica Pinot Noir é 2007 e para os rosés vale a regra estabelecida por Hugh Johnson: beber o mais jovem possível.  Outro aspecto a ser ressaltado é o da tipicidade. Normalmente os rosés da América do Sul utilizam Cabernet Sauvignon (Chile) e Malbec (Argentina). No Brasil e no Uruguai e mesmo nos países retrocitados, outras uvas também estampam os rótulos, mas os vinhos, amiúde, não guardam relação com a casta utilizada. Os bons tem alguma concentração de sabor, mas desrespeitam o caráter varietal da cepa, no máximo conseguem ser refrescantes e nada mais. Pois neste item o Leyda também abre léguas de vantagens sobre seus concorrentes, porque se fosse servido às cegas, num copo de cor escura, um bom degustador conseguiria identificar sua casta ou sua procedência, eis que depois de algum tempo os aromas de morango e groselha cederam para frutas em compota a lembrar goiabada . Não consideramos isso um defeito, apenas uma característica do terroir chileno. Ainda na boca se destacou por sua acidez delicada, leve mineralidade, notas frutadas e uma saborosa concentração de sabor (cítrico) contrabalançada por ótima acidez que lhe confere frescor incomum para um rosé do Novo Mundo com três anos de idade. Para ser comprado de caixa e bebido aos “borbotões”, este Leyda Pinot ainda aguenta de 6/12 meses na garrafa, desde que conservado em ambiente climatizado.

Avaliação: 88/100 pts.

Para sair da mesmice: Hobo Zinfandel Sonoma Dry Creek Valley 2007

domingo, março 14th, 2010
Hobo Zinfandel: um bom representante da casta trazido por Smart Buy Wines de São Paulo

Hobo Zinfandel: um bom representante da casta trazido por Smart Buy Wines de São Paulo

 

A Zinfandel apesar de suas origens se encontrarem na costa do Adriático (Itália) é considerada a grande uva dos Estados Unidos da América.  Plantada em toda a Califórnia do Pacífico a Noroeste, a Zinfandel se dá melhor nas regiões quentes, com temperaturas mais baixas durante a colheita. Os vinhos podem variar de rosés secos aos brancos até os grandes e estilosos caldos de Russian River Valley, para não falar nos deliciosos vinhos de sobremesa. Os sabores variam da framboesa, amora, com profundidade e tons de especiarias que são os mais comuns.

 

 


A Hobo Wine Company surgiu por iniciativa do enólogo Kenny Likitprakong em 2002, com a simples idéia de ter alguma diversão.Kenny passou a vinificar uvas cultivadas sob métodos biodinâmicos/orgânicos e o seu  festejado Zin Dry Creek leva uma pitada de Petite Sirah, normalmente tem 14,5% de álcool e sempre apresenta amora madura. Tem estilo clássico porque é feito segundo a receita italiana.

 

 

 
Dry Creek Valley

Na Califórnia Dry Creek Valley Zinfandel é considerada uma “Appellation do Vinho” e representa o melhor do que pode ser feito na denominação, ou seja, fruta rica,  não sobremadura, vinhos estruturados, mas não tânicos. Hobo Zin 2007 é um blend de Beasley, Treborce, Larrick, Wellstone, Voigt e Branham. Os vários sítios, climas e tipos de solo representam o terroir da denominação: uma variedade de expressões e sabores diferentes. Os mostos foram fermentados individualmente e misturados na primeira trasfega, em dezembro de 2008, incluindo cerca de 10% Petite Sirah. O lote final foi envelhecido numa combinação de carvalho francês e americano, com 30% carvalho novo (metade francês e a outra metade americano). Apenas 440 caixas foram produzidas.

                                            

 

Degustação

Zinfandel Dry Creek Valley 2007 – 14,7% álcool – www.smartbuywines.com.br – tels. 011  2308 2793 e 011 5093 6109 - Rubi violáceo brilhante com profundidade. No nariz é rico, intenso e sobressaem aromas picantes e doces com destaque para canela, tabaco, chocolate sobre um fundo de ameixas em calda. Na boca é gostoso, apresenta taninos maduros e suaves. Mesmo sem apresentar corpo exuberante, no sabor retoma as notas de chocolate, mas com estrutura e profundidade incomuns para um Zin. No fim-de-boa deixa uma nota tostada com apontamentos de anis e sálvia. Complexo, bem acabado e de ótima tipicidade, é um vinho ótimo para acompanhar pizzas e massas. Equilibrado, não se nota o álcool na casa dos 14,7%  Obteve 90/100 pts. da Wine Enthusiast em  07.01.2009

Avaliação: 87,5/100 pts.