
Reunidos no restaurante paulistano Dinho’s, na noite de 18 de fevereiro de 2010, os Confrades Waldir, Paulo, Miguel, Júlio, Sérgio, Gilberto, Salvador, quem escreve essas linhas e o convidado Horst Kissmann tiveram a oportunidade de aferir a qualidade atual dos Vinhos bordaleses da margem esquerda. Ausentes: Marcos e Glauber.
Abaixo o menu escolhido por este Confrade e que foi servido após a degustação:
Sugestão de Cardápio Mesa Dinho´s
Uma viagem ao que há de mais gostoso na culinária contemporânea
® APERITIVOS
Coquetel Dinho’s
Batidinhas variadas
Suco de tomate
® SALGADINHOS
Pão folha com presunto e rúcula
Pastelzinho de palmito
Delícias do chef
® BEBIDAS
Água Mineral |gasosa e sem gás|
Refrigerante |tradicional e light|
Sucos
Cerveja original ou bohemia
Chopp brahma
® COUVERT
Pãozinho de queijo
Pão de polvilho
Mini-pão Francês
Torradinha
Pout pourri de patezinhos: ricota, tomate seco, azeitonas pretas, beringela, roquefort
Queijo de cabra
Salmão pochet
Manteiga com limão
Molho campanha
Farofa campanha
® BUFFET DE SALADAS
Mix de folhas frescas
Berinjela italiana
Melanger de frutos do mar
Carpaccio de carne
Queijos variados
Salada Waldoff
Presunto Parma
Palmito
Tomate caqui
Fundo de alcachofra
Mussarelinha de búfala
Aspargos
® SERVIÇO A FRANCESA
Carnes, peixes e guarnições variadas serão servidas à francesa
® BUFFET DE SOBREMESAS
Frutas frescas da estação
Pudim de leite
Doces caseiros da fazenda com queijo branco
Creme brulle
Salada de frutas
Tarteletes sortidos
Mousses de chocolate e maracujá
® CAFÉ
Café expresso com Petit Fours sortidos
A degustação transcorreu normalmente e o serviço do vinho foi profissional porque a equipe do Dinho’s se desincumbiu muito bem. Agradecimentos especiais para Giovanne, Nascimento, Loiola, Glê Lopes e Jocélio. Os vinhos forma servidos na ordem pré-estabelecida (às cegas) com a presteza esperada. A comida, ótima e o menu aprovado pelos presentes com muitos elogios.
O tema escolhido “Bordeaux – Margem Esquerda” foi oportuno e isso pôde ser notado pela acirrada peleja dos vinhos escolhidos criteriosamente pelos Confrades da Saboresdebacco, tanto é que houve um rigoroso equilíbrio nas notas atribuídas, havendo pequenas diferenças de pontuação.
Na margem esquerda pontifica a Cabernet Sauvignon porque o solo é composto basicamente por cascalho. Margaux, Pauillac, Saint-Estéphe e Saint-Julién, no Médoc e mais ao sul em Graves são regiões cujo terroir possibilita a expressão máxima desta cepa. Os vinhos são sólidos, complexos, firmes e têm excelente potencial de envelhecimento, principalmente nos melhores château.
Abaixo segue a relação dos vinhos degustados às cegas na ordem de preferências do grupo:
10.- Baron de Milon Pauillac 1992 – Club du Taste du Vin
9.- Château Lascombes Margaux 1999 – sem importador
8.- Château de Malleret Haut-Medóc 2003 – Zahil
7.- Château Tour de Pez Saint-Estéphe 1993 – Club du Taste du Vin
6.- Château Pichon-Longueville Pauillac 2002 – diversos importadores
5.- Château La Tour de By Cru Bourgeois Médoc 2003 – Zahil
4.- Château La Grange Saint Julién 2004 – World Wine
3.- Château Beau-Site Saint Estephe 2001 – Ana Import
2.- Château Carbonnieux Pessac-Leognan 1999 – Mistral e Grand Cru
1.- Château Léoville Poyferré Saint Julién 2004 – Grand Cru
Antes dos trabalhos foram servidos os espumantes Cave Geisse 2005 (Sérgio) e Nieto Senetiner Extra Brut (Jeriel).

Do 6° ao 10 colocados: Pichon-Longueville, Tour de Pez, Malleret, Lascombes e Baron de Milon
10. Baron de Milon Pauillac 1992 – Barão de Milon vem de uma seleção de uvas que são a base do “Grand Vin”, Château Duhart-Milon Domaines Barons de Rothschild – Lafite. Barão de Milon tem diversas características semelhantes ao vinho retro, mas a sua estrutura é mais leve e seu tempo de envelhecimento em barricas é mais curto, o que significa que tem o menor potencial de envelhecimento (de modo geral, as uvas são da parte mais nova dos vinhedos). Portanto, deve ser consumido mais jovem do que o Château Duhart-Milon, que em contrapartida é mais robusto. Castas: Cabernet Sauvignon 55/60% Merlot e 40/45%. Duração do afinamento em barris de carvalho: 10 meses em barricas de dois anos de idade. A produção média anual: 3.000 a 5.000 caixas. Descrição organoléptica: rubi com reflexo granada brilhante, aromas complexos de frutas negras, chá e especiarias. Boca macia, taninos redondos e algum resquício de fruta. Termina simples e sem defeitos. Seu auge já passou.
Importadora Club du Taste-Vin – preço: n/c - Paulo
9.- Château Lascombes – Margaux – 1999 – 12,5% álcool - Granada brilhante, aromas complexos com predomínio das notas balsâmicas e leve terroso (húmus). Boca macia, sedosa, taninos vivos, acidez compatível e pouca fruta. Termina sem adstringência. RP 77-79/100 pts (04/2000), 86/100 WS (03/2002) e 16/20 Jancis Robinson (07/2008)
Importadora Mistral – preço: R$ 342,99 (2004) – Gilberto
8.- Château de Malleret – Cru Bourgeois Supérieur – Haut-Médoc – 2003 - 13% álcool – Cabernet Sauvignon (55%) e Merlot (45%). Rubi intenso com boa concentração de cor. Nariz mentolado, chá, notas balsâmicas e alguma fruta vermelha. Boca no mesmo diapasão com fruta escondida, taninos de média qualidade, denso, macio e pouco complexo. Falta-lhe profundidade gustativa. Terminou secante. Deverá permanecer assim durante mais algum tempo. WS 84/100 pts. (03/2006)
Importadora Zahil – preço: R$ 132,00 - Waldir
7.- Château Tour de Pez – Cru Bourgeois Exceptionnel – Saint-Estéphe – 1993 – 12,5% álcool – Rubi intenso com halo granada. Unidimensional no nariz com notas de chá sobre um fundo herbáceo. Melhor na boca, redondo, salivante, intenso com alguma profundidade. Boa tipicidade com sobrevida pela frente.
Importadora Club du Taste-Vin – preço: n/c – Paulo
6. Château Pichon-Longueville Baron – Grand Cru Classé de Bordeaux en 1855 – Pauillac-Médoc – 2002 – 13,5% álcool – Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc – Rubi intenso com halo de evolução. Fechado no nariz com notas de chá, especiarias e toques vegetais. Boca macia, taninos suculentos de ótima qualidade, intenso, profundo, fino e elegante com uma longa sobrevida pela frente. Decepcionou um pouco por não ter ficado entre os primeiros colocados, mas provavelmente isso se deu porque o vinho ainda não está suficientemente maduro para ser aberto. Só resta saber se o tempo poderá fazer a sua parte ou se foi algum problema específico dessa garrafa, porque se trata de um vinho mítico, simplesmente um dos líderes na sua categoria. WS 93/100 (03/2005) e RP 89/100 (04/2005)
Importadora Grand Cru – preço: R$ 826,00 (safra 2006) - Júlio

Os cinco primeiros: Léoville Poyferré, Carbonnieux 1999, Beau-Site, Lagrange e La Tour de By
5. Château La Tour de By - Cru Bourgeois Supérieur – Médoc – 2003 – 13% álcool – Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot. Rubi violáceo com menos evolução do que os anteriores. Nariz com fruta em evidência, cassis e tostado. Esse perfil aromático não se alterou durante a degustação. Boca macia, redonda, taninos presentes e gentis, fruta madura, acidez delicada, madeira bem colocada e final elegante sem arestas. Seu desempenho foi surpreendente porque apresentou atraente relação qualidade-preço. Vai evoluir bem na garrafa nos próximos anos. WS 84/100 pts.
Importadora Decanter – preço: R$ 130,60 (2005)
4. Château Lagrange – Grand Cru Classé de Bordeaux en 1855 – Saint-Julién – 2004 – 3° Grand Cru Classé – 13% álcool – Cabernet Sauvignon (65%), Merlot (28%) e Petit Verdot (7%) – Rubi violáceo intenso e profundo. Nariz expressivo e complexo com baunilha, aniz e especiarias doces sobre um fundo frutado. Subscrição integral desses aromas no palato, boca volumosa, densa, frutada e sobretudo equilibrada. Vinho longo que termina com suavidade. Vai longe. RP 89/100 (06/2007), WS 89/100 pts. (03/2007) e 18,5/20 Jancis Robinson (08/2008)
Importadora World Wine – preço: R$ 296,50 (Makro Speciale) – Miguel
3.- Château Beau-Site Haut-Vignoble – Cru Bourgeois Superieur – Saint-Estèphe – 2001 – 12,5% álcool – Cabernet Sauvignon (55%), Merlot (40%) e Petit Verdot (5%) – Rubi violáceo profundo com reflexo granada. Nariz complexo com mentol, chocolate, geléia de frutas vermelhas, licor de casis e tabaco. Boca intensa, longa, rugosa, taninos jovens, poderosos e mastigáveis. Excelente concentração de sabor com muita fruta (geléia de amoras e framboesa). Intenso, profundo, elegante seu estilo é nitidamente bordalês, com tudo equilibrado, nada fora do lugar: acidez, taninos, álcool, fruta e madeira. Final intenso e longo. Vai arredondar ainda mais na garrafa. Muita tipicidade com longa sobrevida na garrafa. WS 89/100 (01/2004)
Importadora Ana Import – preço: R$ 259,00 (2002) – Salvador
2.- Château Carbonnieux – Grand Cru Classé de Graves – Pessac-Leognan – 1999 - 12,5% álcool – Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (30%) e Cabernet Franc (10%) – Rubi violáceo intenso, profundo com halo granada. Nariz fino, compota de frutas vermelhas, chá, tabaco e especiarias. Boca no mesmo diapasão com taninos macios aplacados pelo tempo, acidez salivante, mineral, frutas secas perfazendo conjunto de ótima concentração de sabor e larguesa no meio de boca. Termina longo, intenso e sem arestas. Está no auge e não deve evoluir, no máximo vai ficar como está nos próximos dois anos. Por pouco não levou o pódio. WS 79/100 pts.(03/2002) e RP 86/100 (04/2002)
Importadora Grand Cru – preço: R$ 243,00 (2006) - Jeriel
1.- Château Léoville Poyferré – Saint Julién – 2004 – 2° Grand Cru Classé du Médoc – 13,5% álcool – Cabernet Sauvignon (62%), Merlot (28%), Petit Verdot (8%) e Cabernet Franc (2%) – Rubi violáceo intenso, profundo e concentrado. Começou fechado e alcoólico. Depois apresentou uma paleta aromática digna de um verdadeiro Cru Classe: mentol, licor de cassis, azeitonas, frutas negras, alcaçuz e tabaco com excelente sustentação. Boca expansiva, redonda a subscrever plenamente o olfato, com taninos jovens, musculosos, macios e de excelente qualidade, integração de fruta e madeira. Boa acidez que pede comida, ótima concentração de sabor com intensidade, profundidade e alguma mineralidade. Termina macio e sem nenhuma aresta. Vinho de longa guarda cujo único defeito é o preço elevado. RP 93/100 (06/2007) e WS 90/100 pts. (03/2007)
Importadora Grand Cru – preço: R$ 557,00 (2006) – Sérgio

Château Suduiraut Sauternes 2002
Ao final foi servido o Château Suduiraut Sauternes 2002 – Premier Cru Classé em 1855 – 13,5% - RP 90-92/100 pts (04/2005) e 90/100 WS (07/2006) – preço: R$ 434 (2003) – Júlio
Resultado da degustação realizada em Novembro de 2009 – Pinot Noir
7º lugar – Les Marconnets Leroy; 1999, país: França, Grand Cru, álcool 13%, US$ 100 (Júlio)
visual : rubi de baixa intensidade,
olfativo: intensidade baixa a média, frutas vermelhas bem presentes, nota tostada, leve madeira
gustativo : corpo leve, acidez média, ligeiro travo amargo, fruta um tanto escondida, persistência curta
6º lugar – Faiveley Gevrey Chambertin; 2004, país: França, álcool 13%, preço E$ 59 (Sérgio)
visual : rubi de média intensidade
olfativo : boa intensidade, frutas vermelhas, cânfora, notas terrosas
gustativo : boa acidez, taninos ok, frutas vermelhas, equilibrado e elegante, final médio
5º lugar – Beauversant Haute Cote de Nuits; 2005, país: França, Enoteca Fasano, álcool 12% (Paulo Guerra)
visual : rubi de média intensidade, sem halo de evolução
olfativo : intensidade de boa a média, frutas vermelhas maduras, notas terciárias de humus e compota
gustativo : corpo médio (não típico da Pinot Noir), taninos delicados, persistente, boa fruta
4º lugar – Louis Jadot Beaune Avaux; 1998, país: França, Mistral, álcool 13,5%, R$ 180,00 (Glauber)
visual : rubi de baixa intensidade, leve halo de evolução
olfativo : intenso, frutas negras maduras (amora), café , defumado, nota de baunilha
gustativo : boa presença em boca, confirmando o exame olfativo, boa acidez e taninos ainda presentes, denotando possibilidade de mais algum tempo de evolução; leve amargor no final mas sem prejudicar o conjunto, boa persistência
3º lugar – Maison Champy Gevrey Chambertin; 2002, país: França, Mistral, álcool 13%, US$ 100 (Marcos)
visual : rubi de média intensidade
olfativo : média intensidade, um tanto fechado, leve nota caramelada, frutas secas
gustativo : boa acidez, frutas vermelhas, tanino ainda adstringente, demonstrando clara capacidade de evolução, precisando de mais tempo de adega para atingir seu auge, persistência média
2º lugar – Vosne Romanée Les Petit Monts; 2002, país: França, álcool 13,5%, sem preço (Gilberto)
visual : rubi de média intensidade
olfativo : intenso e complexo, defumado, caramelo, leve nota oxidativa (agradável), fruta em calda
gustativo : grande presença em boca, equilibrado, boa acidez conferindo vivacidade ao conjunto, corpo médio, frutado, fino, longa persistência
1º lugar – Domaine Drouhin; 2006, país: EUA, Mistral, R$ 162,71 – álcool 14% (Miguel)
visual : rubi de média intensidade
olfativo : intenso, frutas vermelhas, framboesa, madeira, baunilha, tostado
gustativo : elegante, bom corpo, boa acidez, trazendo a fruta percebida no exame olfativo, agradável e persistente
