Dois vinhos argentinos: Mora Negra Malbec-Bonarda 2005 e Espumante Toso Brut

Mora Negra 2005: tradicional corte argentino no qual a força da Malbec é temperada pela fruta da Bonarda, que atinge alta expressão em Tulum-San Juan
A região de San Juan possui uma superfície de 89.561 km2 dos quais 50.000 mil hectares são destinados à vinicultura. Tem cerca de 620.000 habitantes. Sua economia tem por base a agricultura, que depende da presença de verdadeiros oásis perto da Cordilheira dos Andes da qual descem diversos rios que são autênticos cordões transversais. O cultivo das videiras é a atividade mais importante dessa Província. Fica atrás apenas de Mendoza nas estatísticas do vinho argentino: tanto na superfície de vinhedos como no volume produzido. Vários são os vales dessa região: Tulum é o mais importante, seguido dos vales Ullum-Zonda, Calingasta, Jáchal e El Pedernal. Há diversos vinhedos próximos das margens dos rios Jáchal e San Juan os quais desempenham o papel de fornecer água para a irrigação dos vinhedos. Uma das principais características desse terroir é a composição do solo, aluvional e arenoso. Altitudes médias de 600 metros. As principais uvas são: Syrah, Bonarda, Malbec, Tannat e Cabernet Sauvignon e Franc. Um corte muito comum é a fusão da Cabernet Sauvignon à Syrah, à moda australiana. Na ala dos brancos a Viognier é um dos destaques ao lado da Chardonnay e da Torrontés.
Sobre a Finca Las Moras
Pertencente ao grupo Peñaflor é a flilial sanjuanina da Bodega Trapiche e os seus vinhedos estão localizados no Vale de Tulum (650 metros de altitude), aos pés da Cordilheira dos Andes, principal zona vitícola da Provincia de San Juan. Ali se produzem vinhos expressivos e de características frutadas. Diversos já foram avaliados pela Wine Spectator e Wine Advocate de Robert Parker com boas notas.
O Mora Negra foi o primeiro tinto de alta gama elaborado em San Juan. Um blend balanceado de Malbec-Bonarda, corte argentino por excelência, com uvas de vinhedos de trinta e três anos. O que diz o “contra-rótulo”: Mora Negra es un corte único de Malbec e Bonarda, cuyas uvas son obtenidas de los viñedos más añejos de Finca Las Moras, em la Província de San Juan.
El água del deshielo de los Andes irriga por goteo las viñas que producen este vino. Las uvas son luego cosechadas a mano, racimo por racimo, seleccionando únicamente aquellas que señalan estar em su ponto óptimo de madurez. Para preservar las condiciones del suelo, el rendimiento de las parcelas es constante y acotado. Mora Negra despliega una pureza excepcional de la fruta y la elegancia propia de um vino estibado por 15 meses em barricas de roble francés.
Notas de cata: de color púrpura intenso. Su aroma a frutos del bosque com algunas notas de chocolate, abre paso a unos taninos redondos y amables, que alargan el gusto en boca. Mora Negra es la expresión pura de la tierra donde nasce. Potencial de guarda: cinco años. Unicamente 10.018 botellas elaboradas”.
Degustação
Mora Negra de Finca Las Moras 2005 – Região: vinhas velhas de Tulum, 650 metros de altitude/San Juan com vinificação em Maipú, Mendoza – álcool: 14,5% – uvas: Malbec (70%) e Bonarda (30%) – importador: Decanter -
Cor: rubi concentrado, intenso, profundo com reflexo púrpura. Já na cor revela excelente extração.
Olfato: paleta aromática complexa, profunda e limpa com amoras, cassis, especiarias, trufas, chocolate e uma ponta floral (violetas) aportada pela malbec.
Boca: subscrição total do olfato. Os quinze meses de barrica ainda estão para se integrar e já permite algum espaço para a fruta com amoras em evidência sobre um fundo vegetal. Taninos vivos e ligeiramente secantes. Ótima concentração de sabor com frutas negras, especiarias e madeira de boa qualidade. Carnudo e volumoso no palato sua massa de taninos finos contrabalançados por sua acidez salivante e álcool integrado que lhe dão vida. Bem estruturado e de prolongado final, termina com ligeira adstringência que não incomoda. Mais algum tempo na garrafa aprimorará suas qualidades. Recebeu 85/100 pts. da Wine Spectator em 31.12.2008 e 89/100 pts. da Wine Advocate de Robert Parker em 31.12.2008. Incluído como finalista dos 69 melhores vinhos argentinos do Guia Austral Spectator 2009.
Enogastronomia: ravióli de cordeiro ou um bom spaghetti com molho bolonhesa.
Preço – R$ 142,50
Nota: 88/100 pts.+

O nível de qualidade do espumante Toso Brut é um indicador fiel do atual estágio dos espumantes argentinos
Espumante Toso Chardonnay Brut
A família Llorente, atual proprietária desta antiga bodega detentora de vinhedos próprios no Maipú, em Barrancas, nos últimos anos empreendeu mudança drástica no estilo dos vinhos, agora com perfil internacional e de espírito vanguardista. A vinícola foi fundada pelo imigrante piemontês Pascual Toso em 1880 em San José de Guaymallén e atualmente conta com a importante assessoria do enólogo californiano Paul Hobbs, conhecido internacionalmente e contratado em 2001 para acompanhar a Bodegas y Viñedos Pascual Toso em seu novo estágio. Paul trabalha em conjunto com o competente enólogo argentino Rolando Luppino, no desenvolvimento dos vinhos premium e super premium. O troféu de melhor produtor argentino premiado pelo IWSC (Londres) em 2007, reflete a qualidade atingida. Novamente em Londres, agora em 2009, a vinícola repetiu o feito e foi o produtor argentino mais premiado.
O que diz o contra-rótulo: “This Toso Sparkling wine has been made by one of the oldest, prestigious wineries in Argentina, a winery that has continued the traditional methods of wine making for the last eighty years. Made from 100% chardonnay, this wine has a soft fresh style for early enjoyment , but will evolve and gain complexity in the bottle with age. -11,5% álcool”
Degustação Espumante Toso Brut
Método: Charmat – Região: Guaymallén/Mendoza – álcool: 11,5% – uva: chardonnay (100%) – imp: Interfood – engarrafamento: 2009
Cor: palha claro com borbulhas finas, intensas e coroa de espuma persistente.
Olfato: o ataque inicial é seco, mas logo desponta uma ponta cítrica ao lado das tradicionais notas de leveduras, pão fresco, leve floral que confirma boa tipicidade.
Boca: subscreve o olfato com adequada concentração de sabor, sugestão de frutas secas e um levíssimo amargor que não destoa nem desequilibra o conjunto. O que lhe dá prazer é o seu intenso frescor aliado à boa fruta madura, alguma untuosidade que o habilita a ser bebido sozinho ou acompanhado de aperitivos. Final harmonioso e vivaz.
Comentário: detentor de uma das melhores relações preço-qualidade do mercado. Uma de suas últimas premiações foi “médaille d’or no Challenge International Du Vin – France 2007
Preço – R$ 22,90 (Rei dos Whiskys e Vinhos – tel. 011 3488 2199)
Nota: 87/100 pts






























