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Esvaziando a adega 13a. edição: verticais

terça-feira, julho 28th, 2009

A reunião foi realizada no sábado, 25 de julho de 2009, no Restaurante “Bem Virá” (tel. 11 3721-1124), restaurante de concepção arquitetônica rústica encravado no complexo gastronômico denominado “Vila do Jardineiro(Av. Eliseu de Almeida, 1077 – Butantã – São Paulo SP – tel 3721 1124), com a presença dos confrades Clóvis Pavan, Paulo Guerra, Romeu Mattos Leite, José Luiz e Lucas Garaldi.  Merecem menção especial o atendimento e a recepção de ótimo nível proporcionados pelo Bem Virá na pessoa de um de seus proprietários Alexandre Milton Mora e o impecável serviço do vinho desempenhado pelo competente garçom Antonio Araújo Martins, porque tudo transcorreu com serenidade, sem os habituais atropelos, confusões, serviço superior ao de algumas casas já habituadas em receber confrarias porque os vinhos foram servidos rigorosamente na ordem pré-estabelecida, na temperatura de serviço e sem necessidade de orientações constantes.

Abaixo, cito transcrição do Correio Gourmand sobre o restaurante escolhido.

 

BEM VIRÁ – a mais saborosa novidade da Vila do Jardineiro

 

A charmosa e original Vila do Jardineiro tem, a partir de 22 de julho de 2009, mais uma deliciosa novidade – o BEM VIRÁ, restaurante de cozinha variada, que oferece um apetitoso Buffet Gastronômico com jeito caseiro e  inúmeras opções. 

 

 

 Instalado logo na entrada da casa, numa área com fogão a lenha que lembra uma cozinha do interior, o Buffet Gastronômico do BEM VIRÁ é repleto de iguarias como saladas fresquinhas, tortas e quiches, massas, carnes, peixes, aves e guarnições incrementadas.  Leitão a Pururuca, Moqueca de Peixe, Filet Mignon Assado ao Molho de Vinho, Frango Grelhado com Ervas Finas, Pernil Assado na Laranja, Lasanha Tradicional e Paella são alguns dos pratos oferecidos. Ao todo, são 12 opções de pratos frios, 12 de pratos quentes e 9 sobremesas, como Pavê de Chocolate, Merengue de Morango e Mousse de Maracujá, que variam diariamente. Tudo isso, a R$ 25,90 por pessoa.

 

Bonito, amplo, confortável, com um serviço eficiente e atencioso a preço excelente, o BEM VIRÁ vai agradar aos que gostam da mesa farta, variada e saborosa. O salão comporta 85 lugares, tem pé direito alto e teto de sapé. Todo envidraçado e cercado de verdes folhagens é um local aprazível porque as mesas são bem distribuídas e distanciadas uma das outras.

 

 

 

 

Por fim, o Restaurante Bem Virá é o lugar ideal para reunião de confrarias de vinhos, porque além do preço honesto (apenas R$ 25,90 com direito a sobremesa) para esse tipo de evento, não há cobrança de rolha, prática comum de diversos estabelecimentos e tanto o serviço do vinho como a comida são dignos de reconhecimento. 

 

Nas verticais, como em qualquer degustação o serviço do vinho é  fundamental

Nas verticais, como em qualquer degustação o serviço do vinho é fundamental

Degustações Verticais: conceito.

 

A resposta vem de Suzana Barelli - Revista Menu de julho de 2009:O vinho é a bebida alcoólica que mais nuance de aromas, sabores e estilos apresenta a cada safra. Por mais que a tecnologia, principalmente dos países do chamado Novo Mundo vinícola, consiga reduzir, e muito, as variações entre as safras, nunca um ano é igual ao outro. O clima, em anos com mais chuva, em outros com mais sol, é o principal responsável por estas mudanças – em 2003, de verão quentíssimo na Europa por exemplo, resultou em brancos e tinos alcoólicos, mais prontos para beber quando jovens e muitos com menor capacidade de envelhecimento. Mas há outros fatores como o estilo que o enólogo quer dar à bebida naquela safra, o envelhecimento do vinhedo, cada vez mais velho e com uvas mais concentradas, e o amadurecimento do vinho, agora na garrafa. Todas estas questões se revelam numa degustação vertical – quando diversas safras de um mesmo vinho são provadas na seqüência”. 

 

Para tanto, escolhemos três vinhos que são representativos de seus terroirs de origem, um deles de preço acessível – menos do que R$ 20,00 – e outros dois na casa dos R$ 40 ou cerca de US$ 20,00 – os quais ostentam passagem por carvalho. O primeiro vinho – o chileno Ventisquero Tantehue Cabernet Sauvignon, foi escolhido porque é produzido com uma cepa que reconhecidamente produz caldos aptos ao envelhecimento. O mesmo raciocínio se aplica aos outros dois vinhos escolhidos – o argentino Catena e o chileno Santa Helena Selección del Directório, respectivamente com 12 meses de passagem por madeira e 10 meses o segundo.

 

 

No caso do primeiro vinho escolhido, cuja ficha técnica não está disponível no portal do importador/produtor (não dá para saber se passa ou não por madeira) o resultado da degustação foi bastante claro: quanto mais novo, mais redondo e frutado; quanto mais velho, menos complexo e interessante. O motivo é simples. Por ser um dos produtos básicos do produtor, é do tipo de vinho que Hugh Johnson classificaria com um bmj – beber o mais jovem possível porque não tem aptidão de envelhecer. 

 

Quanto aos outros vinhos, o resultado de certa forma foi inusitado, porque o melhor Catena amargou apenas a quarta colocação. Mas há um dado importante. Dois Catenas (2003 e 2004 – RP e WS 90/100 pts.) foram comprados na “ponta de estoque” e então a comparação envolveu dois vinhos de procedências diversas.

 

 

Ventisquero Tantehue

Ventisquero Tantehue

 

 

Primeira Vertical:

 

1º. Lugar – Ventisquero Tantehue  Cabernet Sauvignon 2007 – Vale Central – 13% álcool Cor rubi violáceo brilhante com reflexos levemente púrpuras. Nariz intenso com predomínio de frutas vermelhas maduras a lembrar geléia de framboesa/amora. Girando a taça sugestões de ameixas e licor de cassis sobre um fundo mentolado. Apesar de elevado (13%), o álcool está bem entrosado com os demais elementos e o conjunto é equilibrado. Na boca a sua entrada revela um vinho pronto, de taninos macios, doces, fácil de beber e de acidez dentro do aceitável. Curto, de agradável concentração de sabor e com boa fruta, termina como começou: sem arestas, sem adstringência e doce sem ser enjoativo. Retrogosto vegetal com alguma persistência. Agüenta mais um ano na garrafa com folga.

Nota: 87/100 – Importador: Cantú – Preço – R$ 16,90 (Carrefour)

 

2º. Lugar – Ventisquero Tantehue Cabernet Sauvignon 2005 – Vale Central – 13% álcool – Descrição semelhante à do vinho anterior, com pequeno halo de evolução e na boca seus taninos macios e doces dão o tom. Está no auge e sua persistência gustativa é menor do que o anterior (2007). Beber já.

Nota 86/100 pts. Importador: Cantú – Preço R$ 13,90 (Makro – 12/2007)

 

3º. Lugar – Ventisquero Tantehue Cabernet Sauvignon 2004 – Vale Central – 12,9% álcool – Rubi violáceo com halo de evolução. Nariz fechado levemente herbáceo. Boca com leve rugosidade, simples e com pouca presença de fruta. Já dá sinais de cansaço, mas ainda é  palatável.

Nota 84/100 pts.  Imp.: Cantú – Preço – R$ 13,90 (Makro – 12/2007)

 

 

4º. Lugar – Ventisquero Tantehue Cabernet Sauvignon 2002 – Vale Central – 12,9% álcool – Rubi com reflexo granada. Nariz sem expressão olfativa, apenas uma nota herbácea. Boca rala com predomínio da acidez. Fruta escassa. Seu auge já passou, mas se for acompanhado de comida poderá melhorar seu desempenho. Já foi apontado como OCÓtima Compra pelo Guia de Vinhos da Revista Gula que circulou no começo do segundo semestre de 2005 com a seguinte descrição: “Da linha básica da casa seus aromas lembram fruta e goiaba. Na boca, preserva a fruta e é equilibrado”.

Nota 82/100  pts.      Imp.: Cantú – Preço – n/c

 

Santa Helena Seleccion Del Directório X Catena

Santa Helena Seleccion Del Directório X Catena

 

Segunda Vertical de cabernets: confronto Argentina X Chile

 

 

Aqui o confronto se deu entre dois gigantes de vendas e de qualidade. De um lado, o Catena (Mistral) de rótulo branco, popularmente conhecido por “Cateninha” e de outro o Santa Helena Selección del Directório, um vinho que pode ser encontrado em qualquer  grande rede de supermercado. Sua importação é da Interfood. Ambos custam pouco mais do que R$ 50 (R$ 48,45 o Catena – promoção e R$ 41,37 o Santa Helena – preços sugeridos pelos importadores).

 

Destaco que os Catenas das safras 2003 e 2004 foram adquiridos na “Ponta de Estoque” da importadora e o 2005 foi comprado normalmente no fim de 2008. A safra atual é a 2006 para o Catena e 2007 o Santa Helena. Os vinhos Santa Helena 2003, 04 e 05 foram adquiridos respectivamente: no Chile, Makro e Supermercado Pão de Açúcar. Todos, desde a aquisição, foram conservados na adega climatizada. A única informação relevante que não consta é o preço de aquisição.

 

O resultado de certa forma foi surpreendente, porque o Catena que reconhecidamente é um dos melhores cabernets argentinos na sua faixa de preço apanhou dos cabernets chilenos nos três embates. Registre-se, neste passo, que a degustação ocorreu completamente às cegas e que o melhor argentino, o Catena 2005, ficou meio ponto atrás do pior chileno, o Selección del Directório 2005, que apesar de ser originário de safra ímpar (apontadas no Chile como superiores), teve seu desempenho um pouco melhor do que o obtido em 08.11.2007, quando de seu lançamento na SBAV-SP (nota 83/100).

 

Já o Catena da safra 2004, apontado como um dos favoritos da “peleja” por ter aquinhoado 90/100 pts. de Robert Parker e da Wine Spectator (informação do portal do importador), amargou o penúltimo lugar. Será algum problema de conservação da garrafa?  O que pode ser assegurado é que desde a aquisição (nov/08 e jan/09) até a realização da degustação é que as garrafas estavam corretamente acondicionadas dentro da adega climatizada.  Sem mais delongas seguem os resultados:

 

6º. Lugar – Catena Cabernet Sauvignon 2003Mendoza -14% álcool – preço: R$ 43,06 (Ponta de Estoque – 29.01.2009)

Rubi violáceo com halo granada. Nariz fechado com uma discreta nota vegetal. Boca de taninos duros, secantes, corpo adequado, acidez elevada, madeira tripudiando a fruta e nítido descompasso do tripé álcool, acidez e taninos. Alguma tipicidade. Deve ser bebido já porque não apresenta condições de evolução na garrafa. Termina aspero e deve melhorar com comida.

Nota 83,5/100 pts. 

 

5º. Lugar – Catena Cabernet Sauvignon 2004Mendoza – 14% álcool –preço: R$ 43,06 (Ponta de Estoque – 23.01.2009)

Um pouco menos evoluído do que o anterior e com taninos menos asperos. Acidez boa e discreta presença de fruta com prevalência da madeira. Termina com amargor e apresenta características de cabernet sauvignon (leve nota de pimentão no aroma e no palato).

Nota 84/100 pts.  

 

4º. Lugar – Catena Cabernet Sauvignon 2005Mendoza – 14,5% álcool – preço: R$ 57,51 (24.11.2008)

Rubi violáceo intenso sem halo de evolução. Nariz mais aberto do que as amostras anteriores, com sugestões de cassis, pimentão e um discreto herbáceo. Boca que subscreve o nariz com boa concentração de sabores típicos da casta. Tropeçou nos taninos adstringentes, a indicar que mais algum tempo na garrafa poderá lhe fazer bem. À exemplo das amostras anteriores tem bastante madeira, mas aqui a fruta (ameixa) tem algum espaço. Final secante, intenso e longo.

Nota 85/100 pts.    

 

3º. Lugar – Santa Helena Selección del Directório Gran Reserva 2005  - Vale de Colchágua – 14% álcoolRubi violáceo intenso com algum de evolução. Nariz interessante com notas picantes e de especiarias a denunciar alguma complexidade. Boca macia, com taninos no ponto e alguma concentração de sabor, um pouco abaixo da esperada. Acidez adequada e final com leve adstringência. Não vai melhorar na garrafa, portanto, está num bom momento para ser bebido. Observação: a partir dessa safra passou a ser denominado Gran Reserva.

Nota 85,5/100 pts.  

 

2º. Lugar – Santa Helena Selección del Directório Reserva 2003Vale de Colchágua  - 14% álcoolRubi violáceo com levíssimo halo de evolução. Nariz expressivo a indicar um vinho de bom frescor, frutado (ameixa/framboesa), madeira nobre (cedro) e leve sugestão tostada. Depois aromas de compota e mentol. Boca macia, taninos de qualidade muito boa e madeira permitindo bom espaço para fruta. Termina sem aspereza e sem amargor. Beber nos próximos anos.

Nota 87/100 pts.+

  

 

1º. Lugar – Santa Helena Selección del Directório Reserva 2004  - Vale de Colchágua  - 14% álcool – o contra-rótulo informa que: “es um vino tinto seco, perfectamente balanceado, de gran bouquet, cuerpo redondo y una suave permanência. Es ideal acompañar carnes rojas y platôs bien condimentados em general. Debe descorcharse uma hora antes y servir a temperatura ambiente”. Acrescento as seguintes notas à descrição do campeão da peleja: cor rubi violácea com pequeno halo de evolução (inferior aos anteriores), nariz rico e complexo com cassis, chocolate, leve balsâmico e fruta em compota.  Boca delicada, taninos presentes e macios, fruta em profusão com uma leve nota de madeira que não incomoda. Ótima concentração de sabor com alguma profundidade e média intensidade. Retrogosto persistente com uma nota mentolada. Beber ou guardar.

Nota 88/100 pts.+  

Chateau Latour 1982, Cos d’Estournel 1990 e outros vinhos

quarta-feira, julho 22nd, 2009
Icones do Velho Mundo
Icones do Velho Mundo

 

Na noite de 16 de julho último, quem escreve essas linhas juntamente com  Garaldi,  Pagliari, Lucas, Vitor, Arthur e Romeu M. Leite, no Rosmarino, sito à Rua Henrique Monteiro 44, Pinheiros, tel. 3819 – 3897 para degustação dos seguintes vinhos:

 

 

Barolo Parussa – Bussia “Vigna Rocche” 1993, 13,5% álcool -  (R$ 282,00 – safra 2004 – Expand)

Manyetes – Priorato  2003,  14,5% álcool, US$ 149,00 – Mistral

 

Duché La Lande “Lalande de Pomerol” 1998, 12% álcool, R$ 35,00 – (adquirido em 2001 – Importação descontinuada pelo Carrefour)

Buçaco Reserva Tinto Reserva 1987, 11% álcool - (R$ 307,83 – safra 2002 - Mistral)

Cos d´Estournel Saint-Estephe 1990 – Grand Cru Classe em 1855 (2ème St. Estèphe) – adquirido na Maison du Vin  

Chateau Latour Pauillac 1982 – Premier Grand Cru Classé - R$ 6.800,00 – Expand 

Chateau Latour Pauillac 1994 – Premier Grand Cru Classé - R$ 2.250,00 – Expand

 

Segue o menu  que foi servido após a degustação:

 

 

Entrada

Salada Rosmarino servida no cestinho de parmesão. 

 

 

Pratos Principais

Picanha de Cordeiro ao vinho tinto e pimenta verde com taglioline na manteiga e sálvia ou Brasato ao vinho tinto com batata assada ao alecrim ou Peito de Pato grelhado com cogumelos e risoto ao parmesão trufado.

 

 

Sobremesas

Bavarese de chocolate ao aroma de laranja ou

Torta de maçã caramelada com sorvete de canela

ou

Frutas da estação.

Café e chá.

Segue a descrição e avaliação dos vinhos degustados.

CHATEAU LATOUR PAUILLAC 1994 – Premier Grand Cru Classé – origem: França – região: Bordeaux/Médoc/Pauillac – safra: 1994 – álcool: 12,5% – uvas: Cabernet Sauvignon (75%), Merlot (20%), Cabernet Franc (4%) e Petit Verdot (1%) – preço: R$ 2.250,00 (Expand) – Rubi violáceo intenso e profundo com pequeno halo de evolução. Nariz concentrado com presença de frutas negras e discreta mineralidade. Boca macia, elegante, taninos amigáveis sinalizando algum cansaço, boa acidez, razoável concentração de sabor sem a intensidade e profundidade esperada desse ícone da vinicultura francesa, madeira bem trabalhada mesmo assim ressentindo-se de mais fruta, final pouco intenso e sem arestas. Retrogosto com notas tostadas. Recebeu 16/20 pts. de Jancis Robinson em 05.10.2005, 90/100 pts. da WS em 31.01.2000 e  94/100 pts. de RP em 01.01.1998,  porém, essa garrafa  não estava na sua melhor forma e provavelmente não foi bem conservada. Uma pena, porque não são todos os dias que podemos beber um vinho desses, até porque sua safra não foi das piores.

Nota: 87/100 pts.

 

 

BUÇACO TINTO RESERVA – origem: Portugal – região: Bairrada – safra: 1987 – álcool: 11% – uvas: Baga e outras castas não divulgadas pelo produtor originárias do Dão e da Bairrada – preço: n/c – adquirido em Portugal (R$ 307,83 a safra 2002 na Mistral) – Rubi violáceo com alguma intensidade e halo de evolução. Nariz com fruta decadente e levemente herbáceo. Boca macia, plena de acidez, taninos polidos, bom equilíbrio do tripé acidez, álcool e taninos e boa complexidade gustativa. Ao final sobressaiu um traço de madeirização a indicar alguma decrepitude. Termina suave e não apresenta condições de evolução na garrafa porque já chegou a seu limite.

Nota: 87,5/100 pts.

 

 

 

BAROLO PARUSSO – origem: Itália – região: Barolo/Bussia/Vigna Rocche – safra: 1993 – álcool: 13,5% – uva: Nebbiolo – preço: 30 Euros em Zurique (R$ 282,00 a safra 2004 na Expand) – Granada sem intensidade com ligeira turbidez. Nariz complexo e vigoroso com sugestões florais, baunilha, especiarias e algum balsâmico. Boca que subscreve o nariz com taninos finos, macios e resolvidos, acidez que se destaca no conjunto porque lhe confere equilíbrio. Sabor intenso com alguma profundidade gustativa. Termina suave. Está no auge: não irá ganhar mais complexidade na garrafa porque já dá alguns sinais de decrepitude, mesmo assim cresceu à mesa.   

Nota: 88/100 pts.

 

 

DUCHÉ LALANDE DE POMEROL – origem: França – região: Saint Emilión/Pomerol – safra: 1998 – álcool: 12% – uvas: Merlot e Cabernet Franc – preço: R$ 35,00 em 2001. Importado pelo Carrefour – Clarete evoluído de boa expressão aromática com frutas negras, ervas e leve toque cítrico (mexerica) com ótima sustentação na taça. Surpreendente no palato, com taninos potentes e finos, ótima concentração de sabor com muita tipicidade e maciez. Tudo no sítio certo neste Lalande de Pomerol, região contígua à famosa Pomerol, que se notabiliza pela inovação aliada à qualidade e que termina sem arestas arrebatando o título de “best buy” da degustação. Pena não contar atualmente com importador regular…

Nota: 89/100 pts.     

 

 

MANYETES – origem: Espanha – região: Priorato – safra: 2003 – álcool: 14,5% – uvas: Cariñena (70%), Garnacha (20%), Cabernet Sauvignon (5%), Syrah (5%) – preço: US$ 149,00 (Mistral) – Rubi violáceo intenso, profundo e sem halo de evolução. Chamou atenção no olfato graças a sua complexa paleta aromática com sugestões balsâmicas, extrato de guaraná, frutas negras e madeira fina. Boca estruturada, complexa, harmônica com taninos em profusão de ótima qualidade, boa fruta, acidez na medida conferindo-lhe bom frescor. Álcool elevado e praticamente imperceptível tanto no olfato como no palato. Chamou atenção por seu caráter mineral que é o traço típico dos vinhos do Priorato. Harmônico e elegante do começo ao fim, este Manyetes é um dos principais da região que galgou fama internacional graças à vinhos de estirpe como este. Longa sobrevida na garrafa.

Nota: 90/100 pts.

 

 

COS d´ESTOURNEL Saint-Estèphe – Grand Cru Classé em 1855 (2ème St. Estèphe) - origem: França – Região: Bordeaux/Médoc/Saint-Estèphe – safra: 1990 – álcool: 13% – uvas: Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (38%) e Cabernet Franc (2%) – Adquirido na extinta Maison du Vin -  preço:  n/c Rubi violáceo com halo de evolução. Nariz rico, fino e elegante com sugestões florais e alguma fruta. Leve nota de tabaco e de caça. Gordo e denso no palato, com taninos muito finos e delicados e sem nenhuma ponta de adstringência. Fruta madura ainda presente (ameixa), acidez destacada e absoluta harmonia entre taninos, acidez e álcool. Intenso, profundo, largo no meio de boca, uma”pomade” que está no auge e assim deve permanecer nos próximos cinco anos. Termina doce e suave e no retrogosto apresenta um toque de frutas negras. Justificadamente  apontado como um dos melhores do Médoc, obteve 94/100 pts. RP em 30.06.2009, 89/100 WS em 28.02.2005 e 17/20 pts. de Jancis Robinson em 06.10.2005

Nota: 93/100 pts.+ +

 

 

 

CHATEAU LATOUR PAUILLAC – Premier Grand Cru Classé – origem: França – região: Bordeaux/Médoc/Pauillac – safra: 1982 – álcool: 12,5% – uvas: Cabernet Sauvignon (75%), Merlot (20%), Cabernet Franc (4%) e Petit Verdot (1%) – preço: R$ 6.800,00 (Expand) – Rubi intenso, profundo, sem turbidez e com reflexos granadas.  Intenso e profundo no nariz, apresentou um paleta de aromas concentrados e bem definidos que exprimem bem o terroir de origem com notas terrosas, sous bois, caça, couro, café torrado, alcaçuz, caixa de charutos e uma nuance defumada com excelente sustentação na taça. Boca no mesmo diapasão, vigorosa, madura e extraordinária. Taninos delicadamente potentes, vigorosos e que se fundem à fruta e à acidez constituindo um conjunto perfeito. A densidade e concentração de sabor no palato lhe conferem finesse e uma salivação incomum que clama por comida. Pleno de harmonia e equilíbrio é um vinho milimétricamente bem feito, persistente e interminável na boca. Longo, profundo e com alguma austeridade, deixa no retrogosto uma nota de frutas negras a denunciar que sua sobrevida na garrafa é longa e que facilmente poderá ser degustado satisfatoriamente em 2012, quando completará 30 anos. Como sobredito não pede, clama por comida quando crescerá ainda mais. Simplesmente um vinho singular e paradigmático, de uma das melhores safras do século passado e que já chegou a receber 100/100 pts. de Robert Parker em 30.06.2009 (fonte: http://90pluswines.com), Jancis Robinson lhe deu 18,5/20 pts. em 15.08.2007  e em 30.01.2001 recebeu 98/100 pts. da Wine Spectator..

Nota: 95/100 pts..

 

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Antes da degustação foi servido o ótimo espumante francês Bulle de Blanquette Brut Sieur d’Arches 2003 (Nota 87/100) e ao final o não menos ruim Porto Warre’s Quinta da Cavadinha Vintage 1987 (Nota 90,5/100).

 

 

Vinhos Espanhóis na SABORESDEBACCO

quarta-feira, julho 15th, 2009

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Reunidos no Rosmarino, na noite de 15 de julho de 2009, os Confrades Waldir, Paulo, Glauber, Marcos, Sérgio, quem escreve essas linhas e os convidados Gilberto e HK tiveram a oportunidade de aferir a qualidade atual dos vinhos espanhóis de diversas regiões produtoras (Rioja, Ribeira Del Duero, Navarra, Rueda, Toro e Jumilla). Ausentes justificadamente: Miguel e Júlio.

 

Abaixo o menu escolhido pelo Coordenador do mês Waldir Gandolfi e que foi servido após a degustação:

 

Entrada

Salada Rosmarino servida no cestinho de parmesão. 

Pratos Principais

Picanha de Cordeiro ao vinho tinto e pimenta verde com taglioline na manteiga e sálvia ou Brasato ao vinho tinto com batata assada ao alecrim.

Sobremesas

Bavarese de chocolate ao aroma de laranja ou

Torta de maçã caramelada com sorvete de canela

ou

Frutas da estação.

Café e chá

 

A degustação transcorreu normalmente e o serviço do vinho foi bastante profissional porque o garçom Odair, acostumado no atendimento de confrarias se desincumbiu muito bem e serviu na ordem pré-estabelecida (às cegas) com presteza além do habitual. A comida estava ótima e o menu servido na forma como proposto e aprovado pelos presentes. Registro aqui homenagens à equipe do Rosmarino, comandada pelas irmãs Ângela Amado e Stela Krempel, sempre muito atenciosas e preocupadas com todos os detalhes.

 

O tema escolhido “vinhos espanhóis” foi oportuno e isso pôde ser notado pelo nível de qualidade dos vinhos trazidos pelos Confrades, tanto é que houve um rigoroso equilíbrio das notas atribuídas, havendo pequenas diferenças do terceiro ao oitavo colocado e maior diferença entre o segundo e terceiro colocados e oitavo e nono colocados. Entre o primeiro e o segundo colocados a diferença também foi muito pequena: apenas meio ponto. A vitória ficou para um Rioja de perfil moderno: El Puntido 2004, levado pelo Marcos, seguido muito de perto do Viña Sastre Crianza 2002, Ribeira Del Duero, levado pelo Glauber. O “best buy” da degustação ficou por conta do Altico Syrah 2004 (Vinci Vinhos – US$ 29,90), do produtor Agapito Rico, de Jumilla, região espanhola emergente.

Abaixo segue a lista em ordem decrescente:

 

9.- Marques de Arienzo – Rioja 2000 (13% álcool – 95% Tempranillo e 5% Graciano e Mazuelo) – Granada brilhante, de longe o mais evoluído de todos, aromas vegetais, farmácia e um toque oxidativo. Boca macia, taninos duros e rascantes, acidez elevada e descompasso entre os componentes. Exageradamente evoluído para um reserva espanhol, já dá sinais de cansaço. Final rústico. Deve melhorar com comida. (Waldir)

Nota: 83/100 pts. – Importadora Pernord Ricard – preço: R$ 137,00 – (Waldir)

                                                

8.- Prado Rey Crianza 2004 – Ribera del Duero (15% álcool – 95% Tinta Fina, 3% Cabernet Sauvignon e 2% Merlot) – Rubi intenso com boa concentração de cor. Aromas de geléia de frutas vermelhas e baunilha discreta. Ainda fechado com álcool sobrando. Boca tânica (boa qualidade), fruta madura, acidez compatível, intenso e com alguma profundidade gustativa. É um vinho que nunca decepciona, mas desta vez ficou devendo.

Nota: 85,5/100 pts.+ – Importadora Decanter – preço: R$ 105,85 -  (HK)

 

7. Três Lunas Reserva 2002 – Toro (14% álcool – 95% Tinta de Toro e 5% Garnacha)

Rubi intenso com halo de evolução. Boca macia, leve prevalência da madeira sobre a fruta com boa concentração de sabor a lhe conferir personalidade. Algum desequilíbrio dos componentes que não chega a comprometer o conjunto.  Pequena adstringência no final.

Nota: 86/100 pts.  Importadora Decanter – preço: R$ 122,65 – (Paulo)

 

6.- Pago de Cirsus Cuvée Especial Reserva 2001 – Navarra (14% álcool – 40% Tempranillo, 40% Merlot e 20% Cabernet Sauvignon) – Semelhante ao anterior na cor, se distinguiu no olfato por conta de suas notas frutadas e balsâmicas. Boca franca, macia, sem muita complexidade, com alguma fruta e madeira sem incomodar. Tripé álcool, taninos e acidez em sintonia. Termina com leve adstringência que não chega a incomodar.

Nota: 86,5/100 pts.  Importadora Decanter – preço: R$ 140,40 – (Jeriel)

 

5.- Valduero Reserva 1999Ribera del Duero  (13,5% álcool – 100% Tempranillo) Rubi de média intensidade com discreto halo de evolução, nariz complexo com toques terosos e de sous bois,  café torrado e tabaco.  Boca macia, redonda, taninos presentes e gentis, fruta madura, acidez delicada e final elegante sem arestas. Passa 20 meses em carvalho e 16 meses na garrafa. 

Nota: 87/100 pts.  - Importadora Península – preço: R$ 147,00 – (Gilberto)

 

4.- Mas La Plana Cabernet Sauvignon 2005 – Penedés/Catalunha – (14% álcool) –  Rubi violáceo intenso de média intensidade e profundidade. Intrigante nos aromas porque começou fechado e desinteressante, porém, abriu durante a degustação e mostrou uma paleta aromática complexa com nuances frutadas,  tostadas (barrica) e terminou com geléia de frutas vermelhas. Subscrição integral desses aromas no palato, com a madeira na frente, que depois cedeu espaço para frutas vermelhas. Denso e rugoso, ao final da degustação estava macio e equilibrado. Às cegas ninguém apontou-o como cabernet sauvignon. Um vinho estruturado com excelente perspectiva de evolução e amadurecimento na garrafa. À conferir

Nota: 88/100 pts.++    Adquirido no DutyFree  – preço: US$ 52,00  - (Sérgio)

 

 

3.- Altico Agapito Rico Syrah 2004 – Jumilla  - (14,5% álcool) –  Rubi violáceo intenso e profundo com reflexos violáceos,  nariz complexo com especiarias, chocolate, frutas negras e sobra de álcool. Boca com taninos poderosos, viris e de surpreendente qualidade. Madeirado, contudo, com espaço para fruta madura. Razoável equilíbrio no tripé acidez, taninos e leve sobra de álcool. Final intenso e longo, vai arredondar ainda mais na garrafa. Alguma tipicidade. Ótima relação preço-qualidade. Foi o vinho “pirata” levado pelo Confrade Waldir.

Nota: 88,5/100 pts.+     Importadora Mistral - preço R$ 57,00 – (Waldir)

 

 

2.- Viña Sastre Crianza 2002 – Ribeira del Duero -  (14% álcool – 100% Tempranillo)  Rubi violáceo intenso e profundo com leve halo de evolução, nariz complexo com chocolate, frutas negras, tabaco e especiarias. Boca no mesmo diapasão com leve adstringência, madeira e fruta em harmonia, acidez presente, boa concentração de sabor e largo no meio de boca. Termina longo e sem arestas. Ótima tipicidade com longa sobrevida na garrafa.

Nota: 90,5/100 pts. +Importadora Península – preço: R$ 136,00 – (Glauber)

 

 

1.- El Puntido 2004 – Rioja (14% álcool – 100% Tempranillo) – Retinto com reflexos púrpuras, no olfato destacadas notas de licor de cacau, baunilha, frutas vermelhas, violetas, caramelo tudo entrelaçado harmonicamente com muita finesse. Boca estruturada que subscreve integralmente o olfato, com taninos mastigáveis em profusão de excelente qualidade, integração de fruta e madeira com leve prevalência da última sobre a primeira (nada que algum tempo na garrafa não resolva), acidez que pede acompanhamento de carne com molho, ótima concentração de sabor com intensidade, profundidade e forte acento mineral. Termina macio e sem nenhuma aresta. Vinho de perfil moderno, guloso e de longa guarda cujo único defeito é o preço elevado.

Nota: 91/100 pts.++   Importadora  Península -  preço: R$ 370,00  - (Marcos)

 

 

Vinho de sobremesa: Piedemonte Moscatel (colheita tardia) – Navarra 2005 – 11% de álcool – Nota: 89/100 pts.  Importadora Expand – preço: R$ 78,00 – (Jeriel)

Vinho do mês de julho de 2009: Pizzato Reserva Merlot

quinta-feira, julho 9th, 2009

 priorato

 

Recentemente quem escreve essas linhas foi convidado de José Luiz Pagliari e Luiz Horta, para participar da degustação promovida pelo caderno “Paladar” do Estadão de “vinhos nacionais da safra 1999.” A degustação foi tão interessante que resultou na matéria de 8 de junho deste blog. Lá, o leitor verificará que houve empate na primeira colocação entre o Marson Gran Reserva Cabernet Sauvignon 1999 (91/100 pts.) e o Pizzato Merlot Reserva 1999 (91/100 pts.).

 

Na referida degustação, a conclusão foi de que os bons vinhos nacionais suportaram bem o decurso de uma década e o Pizzato Merlot 1999 confirmou o ótimo desempenho apresentado anteriormente, o que demonstra a aptidão dessa vinícola no manejo da Merlot, uma das uvas de melhor adaptação ao terroir da Serra Gaúcha.

 

 

Pois bem. A sugestão partiu do pessoal do Le Vin ao Blog (levinaublog.blogspot.com), porém, a resenha do 31º vinho provado para a Confraria Brasileira de Enoblogs só sai agora por conta da dificuldade de encontrar o Pizzato Merlot 2005 aqui na região oeste da Capital Bandeirante. O motivo é que por conta da figura jurídica denominada substituição tributária, em Minas Gerais, por exemplo, conforme informação do Confrade Gil Mesquita do excelente vinhoparatodos.blogspot.com,  o imposto  chega a 25,85% e o vinho pode ser comprado por cerca de R$ 35; aqui em São Paulo, chega próximo aos 42% e acredito que por isso aliada às margens de lucro elevadas, seu preço chegue a custar absurdos R$ 45,00 até R$ 49,00. Por isso alguns comerciantes mais idôneos não querem trabalhar com vinhos nacionais dessa categoria, isto é,  por conta do preço exagerado que terá de vendê-los.

 

  

Justificativa: a escolha da safra 2002 como vinho do mês, já que a safra atual é a 2005.

 

 

Durante muitos anos quem escreve essas linhas foi leitor da coluna de vinhos do Estadão e em 23.04.2004 foi elaborado por Saul Galvão um painel com quatro merlots nacionais. O melhor vinho foi o Pizzato Reserva Merlot 2002, que mereceu 86/100 pts, na época nota bem acima da atribuída a seus pares da Serra Gaúcha.

 

 

Estimulado pelo mencionado artigo, comprei na loja da amiga Jane Senna (abaixo mencionada)  uma garrafa que estava praticamente esquecida na minha adega e que só pode ser localizada porque tinha certeza de possuir um Pizzato Merlot, mas não me recordava bem da sua safra, que por sinal foi ótima na Serra Gaúcha.

 

   

Degustação do Pizzato Merlot Reserva 2002

Cor rubi de média intensidade com reflexos granadas. Aroma inicial de forte sugestão mentolada e eucalipto encobrindo a fruta, que discretamente se fez presente através de uma leve nota de geléia de amoras. Álcool generoso (12,9%). Na boca, inicialmente apresentou taninos duros e acidez elevada, todavia, após quase trinta minutos o quadro evoluiu e mudou para melhor, a indicar a necessidade de decantação: taninos com leve adstringência (dentro do aceitável), acidez presente, corpo médio, madeira e fruta madura (compota de ameixas) com leve prevalência da primeira sobre a segunda. Curto e com doçura no meio de boca (álcool elevado), termina com alguma rugosidade e no retrogosto uma sugestão de chocolate amargo e mentol. Suportou bem o decurso de sete anos sem demonstrar sinais de cansaço e ainda agüenta mais tempo na garrafa, mas não ganhará complexidade porque está num bom momento para ser bebido. Por fim, saliento que tem tipicidade porque conseguiu expressar o caráter varietal da cepa.

Avaliação: 85/100 pts. 

Preço: R$ 30,50 (em 06/2004 na Toque de Vinho, tel 011 3083 2669) ou  www.pizzato.net

 

 

Touriga Nacional – A Rainha Tinta de Portugal

terça-feira, julho 7th, 2009

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Na noite de 30 de junho último, o jornalista Ricardo Castilho, diretor editorial da revista Prazeres da Mesa, foi o convidado do ciclo de degustações “O Vinho e seus Prazeres”, organizado pelo Restaurante Rubayat. O tema escolhido foi “Touriga Nacional – uma casta portuguesa com certeza”.

 

 Na degustação às cegas foram provados os seguintes vinhos:

 

Quinta da Pellada 2004, Dão, 13% álcool, preço R$ 264,22  Mistral

Quinta dos Carvalhais 2000, Dão, 12,5% álcool, R$ 150,00 – Zahil

Adega Cooperativa de Borba 2006, Alentejo, 13%, R$ 84,90 – Adega Alentejana

Quinta dos Roques 2002, Dão, 13,5%. R$ 167,75 – Decanter

Só Touriga Nacional , Terras do Sado, 14,5%, R$ 110,00 – Portus Cale

Quinta do Vallado Touriga Nacional 2005, Douro, 13,5%, R$ 178,00 – Expand

Quinta da Garrida Reserva 2003, Dão, 13,5%, R$ 74,00 – Casa Santa Luzia

Quinta do Serrado Reserva 2003, Dão, 13,5%, entre R$ 120 e 150 – FTP Wines. 

 

 

 

Interessante notar que a origem da Touriga Nacional é controvertida. O próprio Ricardo Castilho esclarece que: “Segundo consta, a uva surgiu no Dão, onde durante muito tempo não era uma cepa que encantava. Faltava elegância e estrutura para os vinhos elaborados com ela. Quando a uva migrou para o Douro – mais enólogos passaram a se dedicar a ela – a Touriga Nacional foi melhorando e conquistando o consumidor. Hoje, é uma das principais uvas do vinho do Porto. Depois do Dão e Douro, a uva foi conquistando outras regiões de Portugal, como a Estremadura e o Alentejo”.

 

 

Muito bem. O vinho mais votado pelos presentes foi o “Só Touriga Nacional – 2005″ das Terras do Sado, região  apontada como o berço da casta Castelão, também conhecida por “Periquita” por conta do vinho homônimo que é bastante popular aqui.  Como sobredito, a Touriga Nacional não é nativa dessa região, porém, o ótimo desempenho desse vinho é prova contundente de que a casta se deu bem praticamente em todas regiões portuguesas.

 

 

Na Revista de Vinhos de setembro de 2008 (228), que teve por tema “Touriga Nacional – A marca de uma grande casta”, cinqüenta amostras foram degustadas e o “Só Touriga Nacional Regional Terras do Sado 2005”, obteve a 35ª. colocação com a seguinte descrição:  “Fruto fechado e concentrado no aroma, com algum floral e pralina, leve e elegante tostado. Na boca revela-se um tinto encorpado e cheio, vigoroso, com taninos irriquietos que pedem sossego em mais algum tempo de garrafa. Nota 16/20”.

  

 

Hoje a sua descrição é a seguinte: “Rubi intenso e profundo, sem halo de evolução. Olfato fino e elegante, notas florais (violetas) e frutadas, com destaque para algum cítrico como mexerica acompanhado de um fundo de geléia de frutas vermelhas (cereja/framboesa) e leve defumado. Boca rica, frutada, muito corpo, taninos firmes, aveludados, ótima acidez, álcool na medida, perfeito equilíbrio do tripé taninos, acidez e álcool, a formar um conjunto sólido que esbanja tipicidade, porque madeira deixa  a  fruta se expressar livremente no palato. Vinho de perfil moderno e que portanto já pode ser degustado. Termina vigoroso e com alguma rugosidade a denunciar que mais alguns anos na garrafa lhe farão muito bem. Ótima aptidão gastronômica. Nota 91/100 ++  Imp: Portuscale: 011 3675 5199

 

  

Por fim, destaco que houve equilíbrio no desempenho dos demais vinhos, ficando a segunda colocação para o Quinta da Pellada Dão 2004 empatado com outro Dão, Quinta dos Carvalhais 2000. Na terceira colocação o alentejano Adega Cooperativa de Borba 2006, da Adega Alentejana (R$ 84,90), seguido respectivamente por Quinta da Garrida Dão Reserva 2003, Quinta do Vallado Douro Touriga Nacional 2005, Quinta dos Roques Dão 2002 e finalmente o Quinta do Serrado Reserva Dão 2003.  

Vinhos varietais diferentes do usual na SABORESDEBACCO

domingo, julho 5th, 2009

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É o nome da Confraria que participo ao lado dos Confrades Marco Santo Mauro, Julio Mora, Paulo Guerra, Miguel Alberto Lopes, Waldir Gandolfi e Glauber Pereira e que se reúne toda terceira quinta-feira do mês. Desta vez, sob a coordenação do novo Confrade Júlio Mora, reunimo-nos na noite de 25.06.09 no Restaurante La Vecchia Cucina, estabelecido na Rua Pedroso Alvarenga, 1.088, Itaim Bibi.

 

Abaixo o menu  escolhido e que foi servido após a degustação:

 

Couvert

Diversos tipos de pães, patê e manteiga à provençal. 

Entradas

Carpaccio de salmão e pupunha desfiado ao molho de maracujá e manga.

ou

Fatias de bresaola com salada de rúcula ao azeite de oliva e limão. 

Prato Principal

Ravióli de galinha de angola com fonduta de taleggio.

ou

Risoto de cogumelos com fonduta de queijo brie.

ou

Robalo em crosta de amêndoas ao molho de manjericão.

ou

Medalhões de filet mignon ao molho de especiarias.

ou

Cabrito assado 6 horas com tagliolini na manteiga e sálvia. 

Guarnições

Legumes ao vapor.

ou

Purê de mandioquinha. 

Sobremesa

Tiramisù com calda de café e chocolate amargo.

ou

Frutas da estação.

Café e chá

 

A degustação transcorreu normalmente e o serviço do vinho foi bastante profissional porque o sommelier se desincumbiu muito bem e serviu os vinhos na ordem pré-estabelecida (às cegas) e com bastante presteza. A comida estava ótima e o menu degustação foi servido na forma como proposto e aprovado pelos comensais. Registro aqui homenagens à equipe do La Vecchia Cucina, que nos proporcionou uma noite agradável e que certamente se repetirá noutra oportunidade.

 

O tema escolhido “vinhos varietais de preferência de uvas diferentes da usual” foi apropriado e isso pôde ser notado pela elevada qualidade dos vinhos trazidos pelos Confrades, tanto é que houve um rigoroso empate na primeira colocação, porém, na opinião de quem escreve essas linhas a vitória ficou para o Plansel Touriga Nacional 2006, levado pelo Glauber, seguido muito de perto do Kanonkop Pinotage 1998.

 

 Abaixo segue a lista em ordem decrescente:

7.- Trousseau – Côtes do Jura 2005 (13,3% álcool – 100% Trosseau) – Clarete, levemente frutado, magro na boca, acidez delicada, taninos inexpressivos, baixa persistência gustativa e pouca complexidade. Deve melhorar com comida.

Nota: 83/100 pts.+ – Importadora Lê Tire Buchon – preço: R$ 115,00  (Marcos)

                                                

6.- Mezum – Teroldego Rotaliano DOC 2004 (13,5% álcool – 100% Teroldego Rotaliano) –  Retinto com reflexos violáceos, nariz fechado com frutas negras e leve canela. Boca tânica (boa qualidade), fruta madura, acidez rica, intenso e com alguma profundidade gustativa. Outro vinho que também deve crescer à mesa.

Nota: 86/100 pts.+ – Importadora Decanter – preço: R$ 185,85  (Paulo)

 

5.- Pasodoble Poesia Mendoza 2005 (14,5% álcool – 34% Cabernet Sauvignon, 33% Malbec e 33% Syrah) – Rubi com reflexos violáceos, nariz frutado com uma nota forte de compota (goiabada), a lembrar Cabernet Sauvignon do Vale do Maipo (Chile), violetas e chá preto. Boca equilibrada, taninos macios, fruta com bastante destaque, largo no meio de boca e com final com leve adstringência que não chega a incomodar.

Nota: 87/100 pts.  Importadora World Wine – preço: R$ 62,00 (Júlio)

 

4.- Agiorgitiko by Gaia 2004Apellation of Origin Némea of Superior Quality  (13,5% álcool – 100% Agiorgitiko) Rubi de média intensidade sem halo de evolução, nariz com leve toque de “Porto” com álcool generoso e leve geléia de frutas vermelhas secundadas por um fundo vegetal. Boca macia, redonda, taninos prontos, média concentração de sabor, acidez delicada e final sem arestas.

Nota: 87,5/100 pts.  - Importadora Mistral – preço: US$ 47,50 (safra 2006) – Waldir

 

3.- Harford Zinfandel 2005 – Russian River Valley (15% álcool – 100% Zinfandel) – Rubi violáceo sem halo de evolução, aromas de frutas negras (ameixas), sugestão balsâmica, geléia de frutas vermelhas, álcool elevado, boca quente, estruturada, potente, taninos aveludados, fruta e madeira em comunhão, intenso, profundo e concentrado, termina longo e sem arestas. Vinho guloso e muitíssimo bem vinificado, que exprime o nível de qualidade atingido pelos produtores da região do “Russian River Valley” com a “Zin” local.  A Pinot Noir também é um dos destaques da região.

Nota: 88,5/100 pts.+    Importadora: n/c  – preço: n/c   - Júlio

 

2.- Gerovassilou Single Estate Avaton 2003 (13,5% álcool – blend das uvas autóctones Limnió, Navroúdi e Mavrotraganó)  -  Rubi intenso com reflexos violáceos,  nariz complexo com especiarias e frutas negras. Boca surpreendente com equilíbrio no tripé álcool, acidez e taninos, subscrição no palato dos aromas sentidos no nariz, potente, concentrado e intenso.

Nota: 89/100 pts.+     Importadora Mistral - preço US$ 85,50 – Miguel

 

1.- Kanonkop Pinotage Stellenbosch 1998 (14,5% álcool e 100% Pinotage) – Rubi violáceo intenso e profundo com leve halo de evolução, nariz empolgante a lembrar inicialmente um Bordeaux por sua complexidade com notas de couro, alcatrão e especiarias. Depois de algum tempo uma forte nota terrosa e de borracha muito característica da Pinotage. Boca ampla, expansiva, taninos redondos e suaves, leve nota de frutas secas, madeira fina, média acidez e de retrogosto longo e persistente. Termina com leve amargor e ligeira adstringência. Vinho que se encontra no seu auge de evolução e que deve ser bebido já ou nos próximos doze meses.

Nota: 90/100 pts.    - Importadora Mistral – preço: US$ 59,50 (safra 2006) – Jeriel

 

1.- Plansel Selecta Touriga Nacional Colheita Seleccionada – Vinho Regional Alentejano 2006 (13,5% álcool e 100% Touriga Nacional) – Retinto com reflexos púrpuras, exprime no olfato todo caráter da Touriga Nacional em razão de seu forte acento floral (violetas) secundado por notas minerais, fruta em compota, lavanda e uma leve nota de licor de cassis. Boca no mesmo diapasão, taninos expressivos e muito finos, acidez rica, ótima concentração de sabor com fruta em evidência e madeira sutilmente presente no palato expansivo e ao mesmo tempo elegante. Intenso e profundo termina sem nenhuma aresta de adstringência e/ou amargor, com leve nota herbácea. Vinho que apresenta plenas condições de amadurecimento na garrafa. Para este redator o melhor da degustação.

Nota: 90/100 pts.++   Importadora  Decanter -  preço R$ 124,45   - Glauber

In Vino Veritas

quarta-feira, julho 1st, 2009

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In Vino Veritas – Uma noite de degustação de vinhos verdadeiramente diferenciados

 

Na noite de 24 de junho último, o sommelier Alexandre Furniel, da SBAV-SP, realizou uma pequena feira de vinhos nas dependências do Caesar Park Faria Lima, sito à Rua das Olimpíadas 205, sala Faria Lima 1 (local de facílimo acesso – logo na entrada do Hotel).

 

 

Apesar da quantidade reduzida de expositores, Alexandre corretamente optou pela qualidade em detrimento da quantidade e não deu outra: o evento foi de ótimo nível, eis que os vinhos foram servidos diretamente pelos expositores com generosidade e também porque o ingresso dava direito a um buffet de queijos, pães, frios. E, para surpresa de todos, uma deliciosa massa quente para acompanhar a degustação.

 

 

Estiveram presentes:

 

Casa Valduga, La Cave Jado, Interfood, Miguel Torres (Reloco), Tradebanc e Wine Experience.

 

Outros patrocinadores: Tia Augusta Turismo/Wine Tours by Tia Augusta, Presença Propaganda, SBAV-SP e The Wine School.

 

 

Cabe salientar que a organização do evento foi impecável e que tudo transcorreu na mais absoluta normalidade, com muito conforto para aqueles que apoiaram a iniciativa corajosa e bem intencionada do Alexandre de dar visibilidade a algumas importadoras que são pouco conhecidas (exceto a gigante Interfood com sua concorrida linha “Classics”) aqui em São Paulo, mas que possuem portfólios interessantes e que por isso não devem ser desprezadas.

 

 

A Reloco, por exemplo, tem diversas linhas de produtos e escolheu, com acerto, os vinhos chilenos produzidos no Vale de Curicó por Miguel Torres, linha Santa Digna, apresentados pelo competente Marco Ribeiro Rodrigues:

 

 

Cordillera Chardonnay 2007 – R$ 55,00

Santa Digna Gewürztraminer 2008 – R$ 41,00

Santa Digna Cabernet Sauvignon 2006 – R$ 41,00

Santa Digna Shiraz 2007 – R$ 41,00

Santa Digna Malbec 2007 – R$ 41,00

 

 

A Tradebanc apresentou os seguintes vinhos italianos do Abruzzo:

 

 

Sírio Montepulciano DAbruzzo  - R$ 39

Montori  Montepulciano DAbruzzo -  R$ 69

Antares Montepulciano DAbruzzo – R$ 79

Inferi Marramiero  Montepulciano DAbruzzo – R$ 139

 

A La Cave Jado, representada por Jeanne Bourguignon que cuidadosamente servia  vinhos franceses e explicava detalhes sobre cada amostra:

 

 

Cuvée Gamay – AOC Touraine – Domaine du Rin du Bois  -  R$ 39,00
Cuvée Fantaisie 2006 -  AOC Fronton – Château Joliet      -  R$  48,00
Saint Qvinis Tinto 2006 – AOC Côteaux Varois en Provence – Domaine de Fontlade   R$50,00
Millésime 2006 – AOC Côtes du Rhône – Domaine de la Graveirette    -  R$ 67,00
Cuvée Hommage 2003 – AOC Côtes de Bourg – Bordeaux – Château Lamblim  -  R$ 92,00

 

 

 

Interfood, na pessoa da simpática Roberta, com vinhos argentinos:

 

 

Trapiche Las Palmas (malbec e chardonnay) e Finca La Célia Supremo 2006

 

 

Wine Experience, capitaneada pelo arrojado Vinícius Saad que trouxe marcas inéditas da Califórnia, muito conhecidas nos EUA e que freqüentam as listas da Wine Spectator:

 

Lucchesi Pinot Grigio 2007 – R$ 133,18

Naggiar Viognier Sierra Foothills 2007 – R$ 171,48

Estate  Dry Rosé of Sangiovese  Alexander Valley 2007 – R$ 121,53

Naggiar Cabernet Sauvignon Sierra Foothills 2005 – R$ 171,48

Flora Springs Cabernet Sauvignon Napa Valley 2005 – R$ 203,11

 

Casa Valduga:

 

Villa Lobos Cabernet Sauvignon 2005

 

 

 

Ao final sorteio de brindes, vinhos, aventais, cursos e até de uma viagem com acompanhante para o Chile com direito a traslados, hospedagem e visita à vinícola Concha y Toro, etc. Agora cabe uma pergunta: existe algum evento dessa natureza em São Paulo? Resposta: eventos de vinhos nessa época não faltam, muitos são fechados e aqueles que são abertos ao público cobram preços elevados e não dão direito a sorteios, comida à vontade, vinhos cuidadosamente escolhidos e servidos com generosidade pelos expositores, tudo isso por singelos R$ 80, assim definitivamente a resposta é não!!

 

 

Por fim, esclareço que o sucesso desse evento foi tamanho que para agosto de 2009 o Alexandre promete um novo evento: “Vinhos de Inverno e dia dos pais”.