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Esvaziando a Adega – 12ª. Edição – A uva Malbec no Cone Sul

segunda-feira, junho 29th, 2009

 

A reunião foi realizada no sábado, 27.06.2009, no Restaurante “Santa Gula _ – Arte e Gastronomia”, Rua Fidalga, 340 fundos – Vila Madalena – São Paulo SP – tel 3812 7815, com a presença deste redator, Clóvis Pavan, HK, Romeu Leite,  José Luiz e Lucas Garaldi.  

 

 

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Para chegar ao restaurante, percorre-se um longo corredor ornamentado por bananeiras. As mesas distribuem-se pelas salas dessa antiga casa de fundos. Todo o mobiliário, assim como peças de decoração, lustres e até copos, está à venda. O cardápio segue a linha moderna. Foi preparado um menu especial denominado “Menu Confraria” constituído de couvert (pães, torradas, lascas crocantes e patês, tudo fresquinho), entradas (quatro opções: casquinha de siri, saladas de tomates marinados, folhas e lascas quebradas, bolinho crispy de batata e caldinho de feijão), prato principal (escondidinho de carne seca – uma das especialidades da casa) e sobremesa: cesta de frutas vermelhas com mousse de tapioca, frutas da estação e brownie com sorvete de canela.

 

Merecem menção especial o atendimento e a recepção atenciosa do Santa Gula na pessoa de sua sócia-proprietária Dani Chamecki, do Gerente Alan e o competente serviço do vinho desempenhado pelo garçom Sebastião Flaurindo, eis que tudo transcorreu com tranquilidade, sem os habituais atropelos, confusões, serviço que pode ser considerado superior ao de algumas casas já habituadas em receber confrarias porque os vinhos foram servidos rigorosamente na ordem, na temperatura de serviço e sem necessidade de orientações constantes.

 

Assim, a conclusão é de que o Santa Gula é uma opção viável para reunião de confrarias de vinhos, porque além do preço razoável (é só combinar com a Dani: dani.chamecki@uol.com.br ou Alan: alan.santagula@uol.com.br) para esse tipo de evento, não houve a cobrança de rolha, prática comum em diversos estabelecimentos e tanto o serviço do vinho como a comida são dignos de reconhecimento. 

 

Sem mais delongas, vamos à classificação geral dos malbecs numa degustação bastante equilibrada a demonstrar o elevado nível de qualidade atingido pelos vinhos chilenos, que enfrentaram com valentia os argentinos que se sagraram vitoriosos (pódio: 1º e 3º lugares), corroborando a assertiva de que a principal casta do país platino é mesmo a malbec. Já no país andino essa degustação é uma prova de que os vinhateiros que optaram por cultivá-la estão no caminho certo porque as amostras provadas superaram as expectativas dos presentes.  Na realidade, a conclusão a que chegamos está bem próxima da manifestação que segue: “engana-se quem pensa que os bons tintos sul americanos da uva malbec são exclusividade das adegas argentinas. Do outro lado da Cordilheira há também bons exemplares dessa casta tinta francesa, que tão bem se adaptou aos terrenos meridionais do continente” – Jorge Carrara, portal Basílico – 04.01.2005

 

O exemplar uruguaio escorregou na tipicidade e o nacional Don Laurindo Malbec 2005 confirmou o bom desempenho apresentado em outras degustações e se firma como ótima opção de malbec produzido no Brasil.

 

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O Pódio:

 

1º. lugar – Don Nicanor Malbec 2004 – 14,5% álcool – Lujan de Cuyo – Importador: Casa Flora – preço:  R$ 62,30 (Carrefour)

Rubi violáceo intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz intenso, com violetas, madeira nobre, tostado, café torrado e frutas negras (ameixas). Mostrou boa sustentação e depois de algum tempo apresentou traço aromático típico dos malbecs argentinos, com leve chocolate. Intenso e profundo na boca, taninos já amaciados, acidez equilibrada, termina suave e elegante. Ótima tipicidade.  Vinho pronto e na sua melhor forma. Estruturado, ainda aguenta dois/três anos na garrafa. Seu contra-rótulo informa que: “Distinguido varietal de color rojo profundo, su característico aroma frutado, em equilíbrio com el ahumado que lê da su guarda em barricas roble francês, lê confieren elegância y personalidad. A la boca se presenta com armonía y buena estructura”.

Nota: 88,5/100 pts. +

 

 

2º. lugar – Viu Manent Reserva Malbec 2005 – 14,5% álcool  - Vale de Colchágua – Importador: Hannover – preço: R$ 80,00

 Rubi violáceo intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz floral com violetas exprimindo boa tipicidade, frutado com ameixas e framboesa em evidência e um discreto toque de compota (goiabada). Boca macia, aveludada, taninos em profusão de qualidade muito boa. Tem boa fruta sobre um discreto fundo de chocolate, porém, a madeira ainda está perceptível. Longo, termina com pequena adstringência que não chega a incomodar. Retrogosto vegetal. Precisa de mais tempo na garrafa.  No contra-rótulo consta que: “Carvalho francês e americano por 14 meses. Nariz: cerejas maduras, ameixas e chocolate e café. Paladar: amoras, couro e alcatrão. Grande estrutura, taninos macios e bem incorporados que conduzem a um longo e persistente final. – Medalha de Ouro no Concours Mondial  Bruxelles 2007”

Nota 88/100 pts. ++

 

 

3º. lugar – Santa Julia Malbec 2006 –  13,5% álcool – Mendoza –Importador: Expand – preço médio: R$ 29,90 (Carrefour)

Rubi violáceo intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz complexo com notas balsâmicas, ameixas e leve chocolate. Boca espessa com leve rugosidade, madeira a dar espaço à fruta presença, acidez adequada e média profundidade gustativa. Os taninos ainda presentes e a ligeira aspereza no fim de boca indicam que mais algum tempo de garrafa lhe fará muito bem porque foi produzido com uvas de safra considerada exemplar na Argentina. Dividiu com o vinho seguinte o título de “best buy” da degustação. Boa relação preço-qualidade.

Nota 87/100 pts. +

 

 

Os demais:

 

4º. lugar – Carta Vieja Reserve Malbec 2005 – 13% álcool – Vale de Loncomilla - 13% álcool – importador: Malbec do Brasil – preço médio: R$ 29,50 (Sonda)

Rubi violáceo intenso sem halo de evolução. Nariz com predomínio de notas vegetais, discreto floral sobre um fundo de frutas negras. Boca surpreendente, macia, de boa densidade,  corpo bom, taninos presentes de qualidade muito boa e razoável equilíbrio entre madeira e fruta. Às cegas passou por argentino com folga. Faltou-lhe um pouquinho mais de complexidade gustativa. É um vinho de Loncomilla, que é uma sub-região do Vale do Maule, ao sul do Vale Central, região de grande extensão de vinhedos e apontado como possuidor de alguns dos parreirais mais antigos do Chile (cerca de trezentos anos), inclusive com o cultivo de cepas misturadas. Vinho detentor de interessante relação preço-qualidade.

Nota 86,5/100 pts.  

 

 

 

5º. lugar – Don Laurindo Reserva 2005 – 13,5% álcool –  Vale dos Vinhedos – Serra Gaúcha –  preço médio: R$ 45,00 – Rubi violáceo intenso e com discreto halo de evolução. Nariz doce, intenso com sugestões de geléia de frutas vermelhas e discreta nota de café. Boca macia, taninos prontos, bom equilíbrio gustativo e algum açúcar residual. Boa tipicidade da casta no Brasil, talvez não seja exagero afirmar que é o melhor malbec produzido nessas bandas. Levemente curto, termina sem arestas e não apresenta potencial de evolução na garrafa. Tem condições de sustentar o sabor frutado por mais um ou dois anos no máximo. Vale à pena ser provado. No contra-rótulo consta que: “20.000 garrafas produzidas – 008271  consumir em até seis anos”.

Nota 86/100 pts.  

 

 

6º. lugar – Santa Helena Premium Varietal 2005 – 14% álcool – Vale de ColcháguaImportado por: InterfoodPreço médio – R$ 39,80 – Rubi violáceo com alguma profundidade e leve halo de evolução. Nariz com frutas vermelhas, leve baunilha e fruta em compota (goiabada). Boca macia, curta (falta-lhe estrutura), média concentração de sabor e acidez baixa. Bom vinho, mas falta-lhe tipicidade porque tem caráter unidimensional. Termina com alguma adstringência.

Nota 85/100 pts. +

 

 

7º. lugar – Terrazas de Los Andes Reserva Malbec 200613,5% de álcoolMendozaImportador: Chandon do Brasil – Preço médio: R$ 80 – Rubi violáceo intenso e profundo com reflexos púrpuras. Nariz típico da casta com notas de frutas negras, especiarias e madeira de boa qualidade. Boca macia, taninos prontos, corpo magro, sobra de álcool e pouca concentração de fruta (discreta). Termina sem aspereza e sem amargor, todavia tem baixa persistência olfativa e gustativa. Amadurece 12 meses em barris de carvalho 80% francês e 20% americano.

Nota 84,5/100 pts. 

 

 

8º. lugar – Cot Rouge Lacrado Reserva Malbec  2006 – 11,2% álcool – Depto. La Cruz/Florida – Uruguai – engarrafado em 01/2008 –  Importador: Rede Zaffari – 11,2% álcool – Preço médio: R$ 11,50 – Clarete com halo de evolução, este malbec uruguaio não exibiu a cor normal da casta apontada como tintureira em Bordeaux. Nariz no mesmo diapasão, com toques terrosos e de “cantina”. Boca simples, leve, magra, taninos prontos, pouca complexidade, boa acidez, ausência de fruta e de tipicidade. Termina simples e seus maiores atributos são a apresentação esmerada e o preço. Não tem a tipicidade que se espera da casta. Por sua estrutura é um vinho para acompanhar pratos leves.

Nota 83/100 pts. 

 

Viu Manent: Excelência e Estilo Único

terça-feira, junho 23rd, 2009

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Sobre a vinícola: a Viu Manent é parte da história e tradição do vinho chileno. Três gerações da família  Viu têm se dedicado ao vinho, sendo que no começo sua atenção era voltada para a elaboração e comercialização de vinhos para o mercado chileno sob a marca Viu.

 

Posteriormente, em 1966, Don Miguel Viu Manent, da segunda geração da família, adquiriu os primeiros vinhedos, a Hacienda San Carlos de Cunaco. Este fato marcaria o começo da empresa na produção de seus próprios vinhos.

 

Atualmente a Viu Manent é uma vinícola emergente do Vale de Colchágua que produz uma boa gama de vinhos: Viu 1, Viu Manent Single Vineyard, Viu Manent Reserva, Viu Secreto, Viu Manent Varietal e o vinho de sobremesa Viu Manent Noble Semillón. Diversas castas são cultivadas e a principal é a Malbec com seis vinhos. Cabernet Sauvignon, Syrah, Carménère, Merlot e agora Pinot Noir também são importantes. Brancos de Savignon Blanc, Chardonnay, Viognier, Semillón e até um Rosé de Malbec  se destacam. Denso e fragrante é o Viu 1, top de linha, com edição limitada e garrafas numeradas. Este tinto é produzido somente em anos de safras consideradas excepcionais e, sem dúvida, é um dos melhores vinhos produzidos no Chile na atualidade. Outros malbecs bem feitos são: Reserva, Secreto e Single Vineyard (trecho extraído do Guia de Vinhos chilenos 2003/2004, de autoria de Ariel Pérez, Cláudia Fusatto, Serrana Verges e Péricles Santos Gomes).

 

Igualmente, cabe salientar que o Viu Secreto Syrah é apontado por muitos como um dos melhores Syrahs chilenos na sua categoria. Também será incorporado na linha “Secreto” um Pinot Noir e um Syrah na linha Single Vineyard.

 

 

 

 

 

Por fim, esclareço que a importadora desses vinhos no Brasil é a gaúcha Hannover, que está na iminência de inaugurar sua representação em São Paulo, mais precisamente no bairro do Butantã, sito à Rua Hugo Carotini 359, cep 05532-020 (telefone 2638 0881), Previdência. A equipe é formada por José Manuel Afonso (Gerente de Vendas – celular 9134 9200) e por Sandra Alves de Moraes (faturamento e controle). 

 

 

A seguir a relação dos vinhos degustados por quem escreve estas linhas por ocasião da visita do enólogo Juan Pablo Lecaros a São Paulo com a presença de Niels Bosner, da Importadora Hannover no Restaurante Julia Gastronomia – Rua Araçari, 200 – Itaim Bibi, tel: 3071-1377, www.juliagastronomia.com.br e na SBAV-SP

 

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SAUVIGNON BLANC SECRETO 2007

Origem: Chile – região: Casablanca – safra: 2007 – álcool: 14,5% – uva: Sauvignon Blanc (até 85%) e outras variedades não divulgadas pelo produtor – preço: R$ 86,00 - esbanjou tipicidade da casta cultivada no Vale de Casablanca, com suas notas de aspargos, maracujá, arruda, mineralidade, ótimo frescor, equilibrio, intensidade, profundidade e discreto amargor vegetal que não chegou a incomodar.

Nota: 88/100 pts. 

 

  

VIOGNIER SECRETO 2007

Origem: Chile – região: Colchágua – safra: 2007 – álcool: 14,5% – uva: Viognier (até 85%) e outras variedades não divulgadas pelo produtor – preço: R$ 86,00 

Palha esverdeado límpido e brilhante. Notas tropicais dominam o aroma de acento cítrico secundado por notas florais e um leve defumado. Boca a subscrever integralmente o olfato, com muita maciez e frescor. Denso, sólido e robusto, este Viognier Colchaguino se mostrou untuoso e terminou com um discreto amargor vegetal que não chega a incomodar. Boa tipicidade da casta no Novo Mundo e inequívoca aptidão gastronômica com algum potencial de guarda.

Nota: 87/100 pts.

   

 

PINOT NOIR SECRETO 2008

Origem: Chile – região: Casablanca – safra: 2008 – álcool: 14,5% – uva: Pinot Noir (até 85%) e outras variedades não divulgadas pelo produtor – preço: não divulgado – Após diversos testes com uvas dos vales de Bio-Bio, Leyda e Casablanca é lançado este vinho com uvas do último vale, produção inicial de quinhentos caixas, que promete surpreender os admiradores dessa casta por conta de sua tipicidade no Novo Mundo. Descrição: violeta intenso, toques florais, frutas vermelhas como cerejas e morangos, leve mentolado, barrica presente no nariz e integrada na boca de taninos jovens, macios, álcool elevado em sintonia com os demais elementos e boa acidez. Tem boa fruta.  Termina com leve aspereza que deve desaparecer com mais algum tempo na garrafa.

Nota: 87,5/100 pts.+

 

 

SYRAH SECRETO 2007

Origem: Chile – região: Colchágua – safra: 2007 – álcool: 14% – uva: Syrah (até 85%) e outras variedades não divulgadas pelo produtor – preço: R$ 86,00 – Rubi intenso, profundo, brilhante com reflexos violáceos. Nariz finíssimo com toques de especiarias, geléia de amora, leve chocolate, pimenta e uma sugestão mentolada com notas de barrica bem integrada com a fruta. Boca frutada, intensa, de taninos integrados e polidos com equilíbrio no tripe álcool, taninos e acidez. Tivesse um pouco mais de concentração de sabor seria um verdadeiro “best buy”. Mesmo assim chamou atenção por seu equilíbrio gustativo e suavidade demonstrada no palato. Termina como começou: sem arestas. É apontado, com justa razão, pela crítica especializada como o vinho mais consistente da linha Secreto. Tem potencial de evolução.

Nota: 89/100 pts.

 

 

VIU MANENT RESERVA CARMÉNÈRE 2007

Origem: Chile – região: Colchágua – safra: 2007 – álcool: 14,5% – uva: Carménère – preço: R$ 82,00 – Rubi intenso, profundo, límpido e brilhante. Nariz com as tradicionais notas vegetais da casta ladeadas por café torrado, pimentão, frutas negras e um forte toque adocicado (álcool elevado). Boca tânica (boa qualidade) com repetição das sugestões de café torrado do olfato. Aqui o álcool também se sobressai, mas o conjunto consegue manter equilíbrio, porque a madeira está presente e não encobre totalmente a fruta. Apresenta boa concentração de sabor e seu retrogosto é vegetal. Termina sem o amargor comum nos vinhos dessa casta. Já está pronto, mas o contra-rótulo menciona que pode ser guardado por cinco anos a contar da safra. Um bom carménère, sem dúvida.

Nota: 87/100 pts.

  

 

VIU MANENT RESERVA CABERNET SAUVIGNON 2005

Origem: Chile – região: Colchágua – safra: 2005 – álcool: 14% – uva: Cabernet Sauvignon  - preço: R$ 82,00 – Rubi intenso, profundo, límpido, brilhante com pequeno halo de evolução. Nariz complexo com notas de couro, couro e couro!!!  Impressionou porque apesar do couro em profusão, evoluiu para fruta madura, tabaco, toffee e uma discretíssima nota de licor de cassis. Na boca os taninos potentes, firmes e mastigáveis dão o tom, com livre espaço para a fruta (geléia de ameixa) e barrica integrada no conjunto. Termina em perfeita harmonia com uma leve nota herbácea. Alia de forma paradigmática concentração e elegância o que o torna particularmente atraente.  Recebeu 87/100 pts. da Wine Advocate – Robert Parker.

Nota: 89,5/100 pts.

 

 

VIU MANENT SINGLE VINEYARD LA CAPILLA ESTATE CABERNET SAUVIGNON

Origem: Chile – região: Colchágua – safra: 2005 – álcool: 14,5% – uvas: Cabernet Sauvignon (87%) e Malbec (13%) – preço: R$ 185,00 – Retinto na cor, inicialmente estava fechado no olfato mas ao longo da degustação abriu e mostrou toda sua elegância, com sugestões de licor de cassis, fruta madura  em calda,  algum tostado (barrica) sobre um fundo vegetal que não chega a perturbar o frescor do conjunto. Na boca um vinho corpulento, taninos presentes de excelente qualidade, acidez correta, álcool elevado plenamente integrado com os demais elementos, ótima concentração de sabor esbanjando tipicidade com muita raça e finesse (não se pode olvidar que apesar do avanço de outras castas, a cabernet sauvignon ainda é a principal uva vinífera chilena). Termina harmonicamente e tem vocação gastronômica. Retrogosto mentolado. Por sua sólida estrutura apresenta amplas condições de amadurecimento na garrafa, por muitos anos a fio.

Nota: 90/100 pts. ++

 

 

VIU MANENT SINGLE VINEYARD EL OLIVAR ESTATE SYRAH

Origem: Chile – região: Colchágua – safra: 2007 – álcool: 14,5% – uvas: Syrah (94%) e Petit Verdot (6%) – preço: não divulgado – Rubi intenso com reflexos púrpuras. Nariz com boa tipicidade com prevalência de notas de especiarias (cravo e pimenta), groselha, amora e leve mentolado. Na boca é um vinho musculoso, estruturado, quente (álcool generoso), taninos presentes de qualidade muito boa, madeira ainda em integração, vinho bem ao estilo Novo Mundo com muita extração e concentração de sabor, mas que promete empolgar os admiradores da casta. Termina com ótima persistência e com uma levíssima adstringência que o tempo se encarregará de domar.

Nota: 89,5/100 ++

 

 

VIU MANENT SINGLE VINEYARD SAN CARLOS ESTATE MALBEC

Origem: Chile – região: Colchágua – safra: 2005 – álcool: 14,6% – uvas: Malbec (85%) e Cabernet Sauvignon (15%) – preço: R$ 185,00 – Muito concentrado na cor (a malbec é uma casta tintureira por excelência), aromas florais típicos (violetas) chegando a evocar um vinho do Porto em razão do álcool generoso e da complexidade. Depois de algum tempo notas frutadas (compota) secundadas por chocolate muito comum nos malbecs da América do Sul. Leve toque terroso. Boca rica, estruturada e cremosa a subscrever integralmente o olfato, exibindo o típico caráter varietal da malbec, com muita fruta (ameixas e amoras), taninos finos e doces. Acidez, fruta e madeira no ponto de equilíbrio, tudo bem casado e em perfeita harmonia. Intenso, profundo, apresenta no retrogosto notas frutadas e termina longo, suave e sem arestas. Vinho emblemático que representa a solidez e maestria da Viu Manent no manejo da malbec. À exemplo do cabernet também tem longo potencial de afinamento na garrafa, eis que precisa de  mais tempo para se mostrar completamente.

Nota: 90/100 pts. +

 

 

VIU MANENT SINGLE VINEYARD SAN CARLOS ESTATE MALBEC

Origem: Chile – região: Colchágua – safra: 2006 – álcool: 14,7% – uvas: Malbec (93%) e Cabernet Sauvignon (7%) – preço: R$ 185,00 – Semelhante ao anterior na cor, nariz aberto com aromas florais típicos (violetas) chegando a evocar um vinho do Porto em razão do álcool generoso e da complexidade. Depois surgiram notas frutadas (geléia de ameixas) secundadas por especiarias e a tradicional nota de chocolate que a malbec apresenta na América do Sul. Nariz elegante.  Boca rica, intensa, profunda, cremosa a subscrever integralmente o olfato, exibindo o típico caráter varietal da malbec, com muita fruta (ameixas e amoras), taninos finos e doces. Acidez, fruta e madeira no ponto de equilíbrio, tudo bem casado e em perfeita harmonia. No retrogosto notas frutadas. Termina longo, redondo, suave e sem arestas.

Nota: 91/100 pts.+

 

VIU MANENT SINGLE VINEYARD SAN CARLOS ESTATE MALBEC

Origem: Chile – região: Colchágua – safra: 2007 – álcool: 14,3% – uva: Malbec (100%) – preço: R$ 185,00 – Concentrado na cor e com reflexos púrpuras a denunciar a sua juventude. No olfato, aromas florais (violetas) e frutados (amoras e ameixas), secundados por leve alcatrão e chocolate com menos intensidade do que nos anteriores. Boca potente, densa com taninos secantes em profusão e madeira encobrindo a fruta que demora a aparecer. Requer mais algum tempo para encontrar o eixo de equilíbrio de seus elementos, porque existe um pequeno descompasso entre o álcool saliente, acidez e taninos. Mesmo assim é um vinho que tem tipicidade e reitero que o fator tempo exercerá papel fundamental no seu amadurecimento na garrafa.

Nota: 88/100 pts. ++

 

 

 

VIU 1 – 2006  MALBEC

Origem: Chile – região: Colchágua – safra: 2006 – álcool: 14,3% – uvas: Malbec (94%) e Cabernet Sauvignon (6%) – preço: R$ 500,00 (aproximadamente) – Retinto na cor, apresenta uma paleta aromática digna de um grande vinho com ênfase na fruta bem ao estilo do Novo Mundo. O álcool elevado não incomoda e inicialmente uma forte nota de alcaçuz domina o conjunto. Depois um toque terroso, madeira fina e muita fruta em compota (amoras, framboesas e ameixas). Na boca taninos (jovens) de excelente qualidade, acidez perfeita, madeira bem integrada à fruta e sem excessos. Um vinho com tudo no sítio certo, estruturado, elegante, longo, prazeroso, rico e muito consistente, porque a cada nova edição consegue superar as anteriores. Tem tudo para apresentar excelente evolução na garrafa nos próximos anos.

Nota: 92/100 pts.++

 

 

 

 

VIU MANENT NOBLE SEMILLÓN BOTRYTIS SELECTIÓN

Origem: Chile – região: Colchágua – safra: 2008 – álcool: 12% – uva: semillón – preço: R$ 80,00 – Segundo Juan Pablo Lecaros, noventa por cento das uvas são botritizadas. Descrição: cor amarelo medianamente carregado com limpidez e brilho. Nariz com leve floral, damasco e apontamentos cítricos.  Na boca, o corpo é adequado e a correta acidez marca a fruta e sustenta a doçura, sem os habituais excessos.  Leve deslize na concentração de sabor, mas tem alguma profundidade (o 2007 provado recentemente por este redator era mais concentrado), é saboroso e mineral. Deve ser bebido gelado e por seu perfil terá uma boa sobrevida na cave. Bom para sobremesas, queijos maduros e foie gras.

Nota: 87/100 pts. +

 

Ricardo Castilho apresenta a degustação de vinhos “Touriga Nacional – uma casta portuguesa, com certeza”, dia 30 de junho, no Baby Beef Rubaiyat da Faria Lima

sexta-feira, junho 19th, 2009

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Na prova, os participantes poderão comparar sete vinhos produzidos com a mais tradicional uva de Portugal.

 

O jornalista Ricardo Castilho, diretor editorial da revista Prazeres da Mesa, é o convidado da próxima edição do ciclo “O Vinho e Seus Prazeres”, organizado pelos restaurantes Rubaiyat.

 

Com o tema “Touriga Nacional – uma casta portuguesa, com certeza”, a degustação será realizada no dia 30 de junho, terça-feira, às 20h, no restaurante Baby Beef Rubaiyat da Av. Faria Lima.

 

Provavelmente originária na região do Dão, a Touriga Nacional é o grande exemplo da postura ousada de Portugal no mundo dos vinhos. Ao contrário de diversos países, que adotaram conhecidas castas internacionais, como a Cabernet Sauvignon, Malbec e Merlot, Portugal apostou em suas próprias uvas, identificadas com a sua cultura e seu terroir.

 

Até pouco tempo, a Touriga Nacional se restringia à elaboração de Vinhos do Porto na região do Douro e vinhos mais rústicos no Dão. Mas com a moderna vinicultura e a disseminação do plantio por todas as regiões produtoras de Portugal, a casta evoluiu e hoje resulta em vinhos concentrados, complexos, elegantes e muito agradáveis de beber.

 

 

Na degustação, serão provados os seguintes vinhos:
- Adega de Borba 2006
- Quinta dos Roques 2002
- Quinta dos Carvalhais 2000
- Quinta da Pellada 2004
- Só Touriga Nacional 2005
- Quinta do Vallado 2004
- Quinta da Garrida Reserva 2003

Ao final da prova, será servido um corte especial de carne do Baby Beef Rubaiyat a todos os participantes.
 

Degustação “Touriga Nacional – uma casta portuguesa, com certeza” – com Ricardo Castilho
Data: 30 de junho, terça-feira, às 20h
Local: Baby Beef Rubaiyat – Endereço: Avenida Faria Lima, 2954 – Itaim Bibi
Inscrições: pelo tel. (11) 3170-5001, com Elyane, ou e-mail rubaiyat@rubaiyat.com.br
Vagas: 60 – Preço: R$ 190,00 (cento e noventa reais por pessoa)
Preço promocional para sócios ABS–SP: R$ 170,00 (cento e setenta reais por pessoa) – para obter o desconto, os sócios ativos devem fazer as inscrições até o dia 26 de junho diretamente com a secretaria da ABS-SP pelo tel. (11) 3814-1269 ou e-mail: abs-sp@abs-sp.com.br
Patrocínio: Cartões Visa – Apoio: ABS-SP

Esvaziando a Adega – 11ª. Edição: Varietais do Novo Mundo de uvas pouco convencionais

segunda-feira, junho 15th, 2009

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A reunião foi realizada no sábado, 13 de junho de 2009, no lugar de costume “Risoteria Vitória”, que se encontra dentro do centro gastronômico de arquitetura rústica, entrada de terra, com pedregulhos, árvores, quiosques, etc. denominado “Vila do Jardineiro, localizada na Avenida Eliseu de Almeida 1077 – Caxingui – Butantã – São Paulo SP – tel 3721 1124, com a presença deste subscritor e dos confrades Clóvis Pavan, José Luiz Garaldi e Lucas Garaldi. 

 

Sobre o tema escolhido: uvas pouco convencionais. Por quê?

 

Patrimônio de seus países, as uvas autóctones produzem diferentes sensações organolépticas, permitindo harmonizações com pratos que podem ser difíceis com as castas tradicionais. Essa é a primeira de uma série de degustações de vinhos de diversas origens e distintas das castas globalizadas. Abaixo segue o resultado.

 

 

O Pódio:

1º. lugar – Stonelake Cabernet Franc Premium 2001 – Vale de Lontué – 13,5% álcool – Importador: World Wine -   Rubi violáceo intenso e profundo com halo de evolução. Nariz intenso a lembrar um bom vinho de Rioja, com madeira em profusão, caramelo, fruta madura, tudo isso secundado por um discreto toque herbáceo muito típico dessa casta no Novo Mundo. Após alguns minutos surgiu um leve aroma animal (caça). Mostrou ótima sustentação na taça. Intenso, macio, profundo e persistente na boca, com taninos aveludados próximos de seu auge, acidez balanceada e perfeito equilíbrio de seus elementos com muita tipicidade. Termina do mesmo jeito que começou: sem nenhuma aresta, com boa fruta, elegância e média/longa persistência. Seguramente um dos melhores exemplares chilenos dessa casta, prova de que quando a cabernet franc é bem tratada dá caldos deliciosos como este que infelizmente não é mais importado. Estruturado, ainda tem um ou dois anos de vida pela frente.
Nota: 90/100 pts. +

2º. lugar – Landelia de Argentina Petit Verdot 2005
– Alto Agrelo – 13,7% álcool  – Importador: Ana Import – Preço: R$ 54,00  – Rubi violáceo intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz terroso e animal que abriu espaço para fruta (jaboticaba), secundada por notas tostadas e um acentuado toque vegetal.  Na boca inicialmente apresentou certo impacto porém seus taninos abundantes se mostraram de boa qualidade com alguma rugosidade dentro do aceitável. Denso, profundo e de ótima tipicidade no palato, seu retrogosto apresentou notas vegetais e terminou ligeiramente rugoso, sem perder personalidade. Um vinho intrigante que causou surpresa aos presentes dado seu caráter particular, que induz o degustador à reflexão. Irá arredondar seus taninos com mais alguns anos em garrafa porque tem atributos para isso.
Nota 87/100 pts. +


3º. lugar –  Santa Julia Innovación Arinarnoa 2007
– Mendoza – 13,5% álcool -  Preço: $ 12 (adquirido em dezembro de 2007 na própria vinícola) – Rubi violáceo intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz complexo com notas de fruta em compota e especiarias. Boca frutada com taninos presentes de qualidade muito boa e média complexidade gustativa. Termina suave e sem arestas convidando o degustador para o próximo gole. A Arinarnoa é fruto do cruzamento da merlot com a petit verdot e este vinho é um projeto experimental da opulenta vinícola Família Zuccardi que tradicionalmente produz bons vinhos e este não é exceção.
Nota 86,5/100 pts. 


Os demais:


4º. lugar – Andrew Peace Mighty Murray Durif 2004
– 14% álcool – Importador: Best Wine Ltda. – Preço: R$ 38,00  – data de aquisição: junho de 2008 – Rubi violáceo intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz complexo com notas de café torrado e geléia de ameixas/amoras e algum vegetal. Na boca tem boa densidade e taninos secantes em abundância, boa concentração de sabor com frutas negras em compota, corpo pleno, álcool integrado e bom frescor. Termina longo e profundo com alguma rusticidade. Apesar de ser da safra 2004 este australiano ainda tem bom potencial de guarda
Nota 86/100 pts.  +


5º. lugar – Michel Torino Colección Tannat 2004
–  Cafayate/Salta – 13,5% álcool – Preço: R$ 24,73 (Pão de Açúcar) – Rubi violáceo com reflexos granadas. Nariz unidimensional com leve oxidado, sugestão de caça e herbáceo. Boca superior ao nariz com taninos em profusão de média qualidade. Fruta decadente (framboesa) e notas vegetais. Potente, termina com rusticidade e no retrogosto um leve toque adocicado e frutado. Boa tipicidade da casta na Argentina. Já está no ponto mas ainda agüenta algum tempo na garrafa.
Nota 83,5/100 pts. 


6º. lugar – Chateau Lacave Cabernet Franc 2002

– 12,2% álcool –- Preço: R$ 14,99 (safra atual 2004) – Imigrantes Bebidas – Rubi violáceo com nítidos reflexos granadas. Nariz fechado sem complexidade com discretas notas vegetais. Boca macia, magra, taninos decadentes, madeira tripudiando sobre a fruta e final curto com algum amargor. Produzido com uvas da excelente safra de 2002, o seu auge já passou.
Nota 82/100 pts.

Vinhos Nacionais da safra 1999

segunda-feira, junho 8th, 2009

 

No último sábado (06.06.09), realizou-se no Hotel Grand Hyatt de São Paulo o evento “Paladar do Brasil” que teve por objetivo “A cozinha brasileira e seus ingredientes, técnicas, tradições e perspectivas de futuro mostrada através de workshops e aulas ministradas por profissionais mundialmente renomados, além de série de almoços, jantares e degustações especiais”.

 

 

Pois bem. Um desses eventos me chamou atenção por dois fatores: a degustação “a safra 1999 dos vinhos gaúchos dez anos depois”  e o seu condutor, o Expert José Luiz Pagliari, ex-diretor da SBAV-SP, degustador de diversas publicações e atualmente apontado como um dos maiores conhecedores dos vinhos nacionais.

 

Como é da sua característica, Pagliari escolheu criteriosamente os vinhos para a degustação, muitos deles da sua própria adega particular e outros conseguidos junto aos respectivos produtores. Diante da importância do evento lhe cedi duas garrafas: Aurora Millésime Cabernet Sauvignon 1999 e Casa Valduga Cabernet Sauvignon Reserva 1999. Todavia, diante do número expressivo de cabernets (5) e para não prejudicar a participação de vinhos de merlot na degustação, corretamente o Pagliari excluiu o cabernet Valduga e mesmo assim a degustação ainda contou com a expressiva quantidade de doze rótulos dentre eles cinco cabernets, três merlots, dois blends, um pinot noir e um tannat.

 

A degustação foi didática e completa porque o Pagliari meticulosamente preparou a sua apresentação, com fartos dados técnicos sobre as safras brasileiras desde 1999 até 2008 e importantes informações sobre a produção dos vinhos naquela época e que foram escolhidos para a degustação. Como jurados este redator, Ralph Schaffa, César Adames, Didú Russo, Márcio Marson (que se absteve de votar no próprio vinho), Luiz Horta, Álvaro Cézar Galvão entre outros.

 

Abaixo segue a avaliação dos vinhos ressaltando que são impressões pessoais:

 

1º. Marson Gran Reserva Cabernet Sauvignon 1999
Cor: granada com turbidez e sendimentos em suspensão.
Nariz: evoluído, levemente oxidado com notas terrosas e animais com média intensidade.
Boca: o seu ponto alto. Pleno no meio de boca, taninos aveludados e rigorosamente no seu melhor ponto de evolução. Ótima acidez, madeira perfeitamente integrada, notas de frutas secas, especiarias, perfeito equilíbrio do tripé álcool, taninos e acidez. Vinho prazeroso, intenso e profundo cujo estilo evoca um Bordeaux da margem esquerda. Às cegas dificilmente seria descoberta a sua procedência. Deve ser bebido já.
Nota: 91/100 pts.

 

1º. Pizzato Merlot 1999
Cor: granada brilhante com ligeira turbidez.
Nariz: o mais complexo e rico do painel com sugestões de geléia de frutas vermelhas secundadas por uvas passificadas. Excelente sustentação desses aromas na taça.  Depois de algum tempo cedeu espaço para notas terrosas, caramelo e leve balsâmico.  A sua paleta aromática chegou a lembrar um Valpolicella Ripasso.
Boca: subscrição integral do nariz com presença de frutas vermelhas maduras, equilíbrio na relação fruta e madeira e toda tipicidade da casta revelada na maciez de seus taninos e no prazer proporcionado no palato. Chega a ser guloso.  Termina sem arestas. Vinho que também se encontra no auge, mas que ainda tem alguma sobrevida porque ao amadurecer na garrafa simplesmente fez as pazes com o tempo porque evoluiu muito bem.
Nota: 91/100 pts.

 

2º. Miolo Lote 43 1999
Cor: rubi intenso com alguma profundidade e halo de evolução.
Nariz: fino, complexo, com notas animais (couro) e herbáceas.
Boca: na entrada já revela um vinho solidamente estruturado, com taninos em profusão de qualidade muito boa, leve prevalência da madeira sobre a fruta sem incomodar, equilíbrio no tripé álcool, acidez e taninos. Longo, intenso e profundo, ainda tem muitos anos de vida pela frente quando certamente ficará mais harmônico.
Nota: 90/100 pts. ++

 

3º. Don Laurindo Tannat 1999
Cor: rubi brilhante na transição para granada.
Nariz: evoluído com notas herbáceas e sugestões de framboesas.
Boca: estruturada, taninos potentes de ótima qualidade, carnudo, mastigável, de acidez salivante, fruta e madeira em comunhão, leve chocolate e ao final uma pequena ponta de adstringência que não chegar a incomodar. Um vinho que pede comida e que ainda tem potencial de amadurecimento na garrafa. Boa relação preço-qualidade. 
Nota: 89/100 pts. +

 

4º. Lovara Grande Reserva Cabernet Sauvignon 1999
Cor: rubi violáceo de média intensidade e discreto halo de evolução.
Nariz: toques de madeira fina, balsâmico, licor de cassis, ameixas. Boa tipicidade.
Boca: estruturada, taninos presentes de boa qualidade, fruta ainda presente e madeira sem incomodar. Longo no palato termina sem desequilíbrio. Já está no auge e portanto deve ser bebido já. Vinho consistente e  bastante regular.
Nota: 88,5/100 pts.

 

 

5º. Salton Classic Reserva Especial Cabernet Sauvignon 1999
Cor: rubi violáceo límpido e brilhante com discreto halo de evolução.
Nariz: herbáceo com leves notas animais (caça).
Boca: limpa, ligeira e surpreendente, porque apresentou taninos de boa qualidade, sugestões frutadas como amoras e ameixas, madeira integrada (três meses em carvalho americano), ausência de amargor ou adstringência.  Não vai evoluir porém suporta mais um ou dois anos na garrafa.  Vinho bem feito de excelente relação preço-qualidade.
Nota: 87/100 pts.

 

6º.  Casa Valduga Excelence Merlot 1999
Cor: Rubi granada brilhante de média intensidade 
Nariz: fruta madura, leve balsâmico e notas de caramelo (barrica).
Boca: macia, redonda, taninos evoluídos, notas de frutas secas, corpo adequado, boa acidez e final com discreto amargor que não chega a incomodar.
Nota: 86,5/100 pts.

 

7º. Aurora Millésime Cabernet Sauvignon 1999
Cor: rubi com leve turbidez e halo de evolução.
Nariz: destacou-se por sua complexidade com notas de caça, algum terroso e “sous bois”. Boa persistência.
Boca: potente com taninos presentes de média qualidade, sobra de álcool e madeira tripudiando sobre a fruta. Apesar disso é um vinho que tem tipicidade porque tem as notas de pimentão da casta e que agüentou bem esses 10 anos sem dar sinais de cansaço. Potente, tem estilo com amplo leque de seguidores. Termina com alguma rusticidade. Não vai evoluir, mas agüenta algum tempo na adega se bem conservado e deve crescer com um bom churrasco.
Nota: 86/100 pts.

 

8º. Dal Pizzol Merlot 1999
Cor: Granada com leve turbidez.
Nariz: Terroso e vegetal com leve nota de sous bois.
Boca: ainda em forma, com prevalência de notas vegetais, álcool na medida, corpo bom com leve sobra da acidez e quase sem fruta. Termina com alguma adstringência. Vinho que dividiu opiniões porque chegou a ser apontado por alguns dos presentes como um dos destaques da degustação.
Nota: 85,5/100 pts.

 

9º. Don Laurindo Gran Reserva 1999
Cor: rubi violáceo intenso e profundo com reflexos granada.
Nariz: o mais fechado do painel com discretas notas vegetais.
Boca: potente, densa, tânica (boa qualidade), madeira sobre a fruta, boa acidez. Depois de algum tempo evoluiu e apareceu fruta em compota. Termina com leve amargor mas tem condições de amadurecer mais algum tempo na garrafa porque é um vinho bem estruturado. Será que se encontra no período de dormência ?
Nota: 85/100 pts.

 

 

10º. Miolo Reserva Pinot Noir 1999
Cor: granada com turbidez
Nariz: discreto herbáceo, notas carameladas, chocolate e sous bois. Boa complexidade.
Boca: taninos resolvidos com prevalência da acidez a lhe conferir boa tipicidade. Na boca inequívocos sinais de cansaço a denunciar que o seu auge já passou, mas certamente já foi um grande vinho, porque na degustação realizada na SBAV-SP em 26.02.2008, estava bem melhor: “vinho elegante que mostrou toda tipicidade da casta no Novo Mundo e que por ter sido produzido na espetacular safra de 1999 arrebatou a primeira colocação com bastante folga, numa peleja que contou com a participação de exemplares alsacianos, argentinos, chilenos e até neozelandeses”. É preciso dizer mais alguma coisa?
Nota: 83/100 pts.

 

Desclassificado: Marco Luigi Cabernet Sauvignon Reserva de Família 1999 porque estava oxidado.

 

Vinho do mês: Ventisquero Tantehue Cabernet Sauvignon 2007

segunda-feira, junho 1st, 2009

 

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Vinho do mês: Ventisquero Tantehue CS 2007

 

 

Fundada em 1998 por Gonzalo Vial que dirige a empresa Agrosuper (maior empresa de alimentos do Chile), a Viña Ventisquero homenageia as montanhas geladas chilenas com seus rótulos premium – como o Grey e o Queulat, nome de glaciais do país andino – e também com uma linha de vinhos consistentes, ainda que provenientes de uvas de vinhas jovens de inúmeros vinhedos próprios (1.500 hectares) espalhados por todo país. O comando enológico está sob a batuta do enólogo Felipe Tosso que conta com a importante assessoria de Aurélio Montes, da Viña Montes. Felipe ainda tem o apoio de quatro enólogos especializados em estilos diversos de vinhos e conta com o apoio do enólogo australiano John Duval na elaboração dos vinhos top da casa Vértice e Pangea. A sede da Viña Ventisquero fica no Vale de Yali (sub-região do Vale do Maipo, 140 km a sudoeste de Santiago e a 35 km do Pacífico), sendo gravitacional e utiliza mesas de seleção das uvas e modernos pequenos tanques de fermentação, além de barricas de carvalho francês e americano de tosta fina. A empresa tem por escopo o respeito ao meio ambiente e pratica agricultura semi-orgânica, com várias certificações de qualidade. Também aposta nos vales mais próximos do Pacífico porque têm vinhedos plantados em regiões espalhadas nos vales de Casablanca, Maipo e principalmente em Colchagua, nas sub-regiões de Apalta e Peralillo. Em Apalta são produzidos os vinhos premium e também há experiências bem sucedidas na sub-região de Patacón/Lolol (ainda no Vale de Colchágua), vista como opção ao Vale de Casablanca porque fica a 18 km do oceano Pacífico e vinhedos de carménère, sauvignon blanc e chardonnay se beneficiam de suas brisas oceânicas ensejando vinhos de muito frescor e de forte acento mineral. No futuro serão plantados novos vinhedos nos Vales de Limarí e San Antonio. Nos vinhos de alta gama possui dois rótulos importantes: Vértice (syrah/carménère) e Pangea (syrah). Recentemente lançou um novo pinot noir “super premium”: Herú, produzido com uvas do Vale de Casablanca.

 

Pois bem. O vinho escolhido para o mês de junho de 2009 foi o Ventisquero Tantehue Cabernet Sauvignon 2007, que apesar de ostentar no rótulo “Valle Central”, foi produzido com uvas do Vale de Rapel. É o 30º. vinho provado pela Confraria Brasileira de Enoblogs e não escondo de ninguém ter ficado honrado com essa designação, simplesmente porque acredito na força dos enobloguistas como importantes formadores de opinião. E, dentro desse espírito, escolhi esse vinho porque reúne três atributos importantes: é bom, barato e consistente porque varia pouco a cada safra.

 

Degustação

Ventisquero Tantehue Cabernet Sauvignon  2007

Cor rubi violáceo brilhante com média profundidade e reflexos levemente púrpuras. Nariz intenso com predomínio de frutas vermelhas maduras a lembrar geléia de framboesa ou amora. Girando a taça sugestões de ameixas e licor de cassis sobre um fundo mentolado. Boa complexidade e razoável sustentação desses aromas na taça. Apesar de elevado (13%), o álcool está bem entrosado com os demais elementos. Na boca a sua entrada revela um vinho pronto, moderno, de taninos macios, doces, fácil de beber e de acidez dentro do aceitável. Vinho ligeiramente curto, de agradável concentração de sabor e com fruta em profusão (chega a ser guloso porque convida para o próximo gole). Termina como começou: sem arestas, sem adstringência e com muita doçura, longe de ser enjoativo. Retrogosto persistente de notas vegetais. Agüenta mais um ano na garrafa com alguma folga. O Tantehue 2002 foi apontado como Ótima Compra pelo Guia de Vinhos da Revista Gula que circulou no começo do segundo semestre de 2005 com a seguinte descrição: “Da linha básica da casa Ventisquero, seus aromas lembram fruta e goiaba. Na boca, preserva a fruta e é equilibrado”. Por fim, a conclusão é que o Ventisquero Tantehue Cabernet Sauvignon 2007 é um vinho praticamente imbatível.na sua faixa de preço, porque tem relação preço-qualidade amplamente favorável ao consumidor. A única observação que faço é que não há informações desse vinho no portal do produtor www.ventisquero.cl.

Avaliação: 87/100 pts.+      Preço: R$ 16,90 (Carrefour)   ou  www.cantu.com.br