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Esvaziando a Adega – 10a. Edição: Syrah no Novo Mundo

sábado, maio 30th, 2009

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A reunião foi realizada no sábado, 30 de maio de 2009, na o Churrascaria “Cabaña del Asado”, que se encontra dentro do centro gastronômico de arquitetura rústica, entrada de terra, com pedregulhos, árvores, quiosques, etc. denominado “Vila do Jardineiro”, localizada na Avenida Eliseu de Almeida 1077 – Caxingui – Butantã – São Paulo SP – tel 3726 2908, com a presença dos confrades Alexandre Furniel, Clóvis Pavan, Jeriel, Waldir Gandolfi, José Luiz, Lucas Garaldi e como convidado Jeriel T. Costa. 

 

Sobre a “Cabaña del Asado”. Encontra-se dentro do espaço arborizado e ajardinado “Vila do Jardineiro”, espécie de mini sítio ou vila campestre que reúne algumas variadas opções em restaurantes, mas com todo o conforto que o paulistano aprecia. A especialidade da casa são os cortes argentinos.

 

Merecem menção especial o atendimento e a recepção atenciosa do “Cabaña” na pessoa de seu sócio-proprietário Alexandre Milton Mora e do Maître Martins, além do impecável serviço do vinho desempenhado pelo experiente garçom Pereira, eis que tudo transcorreu com tranquilidade, sem os habituais atropelos, confusões, serviço que pode ser considerado muitíssimo superior ao de algumas casas já habituadas em receber confrarias porque os vinhos foram servidos rigorosamente na ordem, na temperatura de serviço e sem necessidade de orientações constantes porque houve agilidade e o imprescindível cuidado no manuseio das taças e garrafas.

 

Assim, a conclusão é de que o “Cabaña del Asado” constituiu numa  opção viável para reunião de confrarias de vinhos, porque além do preço razoável (é só combinar com o Alexandre: marketing.cabana@hotmail.com) para esse tipo de evento, não houve a cobrança de rolha, prática comum em diversos estabelecimentos e tanto o serviço do vinho como a comida são dignos de reconhecimento. 

 

Sobre a casta escolhida: Syrah ou Shiraz?

 
É uma cepa clássica francesa que foi transplantada em vários lugares do mundo para rivalizar com seus vinhos de referência. É uma das grandes uvas que chegaram aos nossos dias. Controverte-se sobre a origem dessa uva. Aguinaldo Záckia Albert, com maestria nos ensina que: “alguns acreditavam que sua origem era siciliana, tendo tomado emprestado seu nome da cidade de Siracusa. Mais recentemente duas hipóteses disputam a maioria de seus adeptos. Há os que acreditam que esta cepa tenha sido trazida, por cavaleiros cruzados, da antiga Pérsia (Irã) para o sul da França, podendo seu nome ter se originado da cidade iraniana de Shiraz, termo utilizado hoje pelos australianos para designar a uva. Porém, a hipótese que vem ganhando maior corpo é a de que se trata de uma uva francesa autóctone do Ródano, descendente da Vitis allobrogica, produzindo vinhos finos na região desde os tempos da denominação romana, como menciona o historiador Plínio em suas obras”. Os crus mais reputados e importantes elaborados com ela são os Hermitage e Côte-Rôtie. Destaca-se também em Saint-Joseph, Crozes-Hermitage e Cornas. No sul do Ródano é cortada com Grenache, Mourvèdre, Marsanne e a Cinsault, entre outras. Igualmente, está presente no Gigondas e Châteauneuf-du-Pape e conforme menciona a Larousse do Vinho, pág. 145, 1ª edição, 2004, existem treze cepas autorizadas na composição desse último pela respectiva AOC e a Syrah pode entrar ou não no corte, vai depender do produtor.

 
Sua produção é regular e abundante e nos vinhos comuns a sua grande virtude é a de contribuir com notas picantes tornando interessante um corte sem personalidade. Caracteriza-se por apresentar notas defumadas e concentradas, tais como especiarias (pimenta do reino), frutas maduras escuras (framboesa, amora e groselha), alcaçuz, couro, caça e alcatrão, empireumáticos (tostados), notas florais como violeta e em algumas regiões discreto toque de hortelã.

 
No Novo Mundo, destacou-se enormemente na Austrália, Vale Barossa, onde são encontradas as maiores (é a uva mais plantada) e mais antigas plantações de Shiraz (aqui ela recebe esse nome). Sua mistura com a Cabernet Sauvignon proporciona um vinho macio, fácil de beber, maduro e aromático. Todavia, os Shiraz australianos não mesclados são potencialmente superiores. Nestes, por sua vez, o que prevalece é o caráter achocolatado, com sugestões de menta. Normalmente são suculentos, duráveis, como provam os Penfolds Grange. O mesmo se pode dizer dos Shiraz de Hunter Valley. Já nos Shiraz cultivados nas regiões mais frias (Victoria), aparecem toques condimentados que lembra a Syrah do norte do Ródano.

 
Na Argentina e no Chile essa uva tem ampla participação, principalmente na Argentina onde é mais plantada, porém, no Chile é que são alcançados os melhores resultados. Segundo Saul Galvão, “a Syrah está há muito tempo na Argentina, onde nos terrenos mais quentes até pouco tempo dava colheitas imensas e vinhos bem comuns. Só recentemente começou a aparecer nos rótulos de bons tintos argentinos”; mais adiante, falando sobre os Syrah chilenos Saul arremata: “na edição de 2002 do prestigioso GVC – Guia de Viños de Chile, havia apenas catorze vinhos com essa uva. Hoje, já são mais de 60, feitos em 2.468 hectares distribuídos em várias zonas, notadamente no Vale do Rapel e Colchágua”.

 
Na África do Sul e na Califórnia, essa uva tem produzido vinhos interessantes, tal como o Sul-africano Glen Carlou Paarl 2004, que esbanja tipicidade e que teve um ótimo desempenho na degustação abaixo comentada, que por sinal foi muito disputada e que exigiu muita atenção dos degustadores.

 
Assim sendo, vamos à classificação geral dos Syrah do Novo Mundo numa degustação que demonstrou o elevado nível de qualidade atingido por três Syrah chilenos, que enfrentaram com valentia três australianos, um argentino e um Sul-africano que se sagrou vice-campeão. Novamente os chilenos se sagraram vitoriosos, corroborando a feliz aposta de muitos vinhateiros nessa casta, cujo principal terroir é o Vale de Colchágua, com destaque para Apalta. Na segunda colocação um Syrah de Paarl,  África do Sul, que mais uma vez confirmou o prognóstico de que se constitui na principal casta tinta, desempenhando papel até mesmo superior à da onipresente Cabernet Sauvignon com inegável perda de espaço da uva nativa Pinotage, que ainda tem importância nos vinhos mais baratos e nos cortes.

 

O Pódio:

 

1º. lugar – Montes Alpha Syrah  2003 (un año de barrica francesa) – Vale de Colchagua – 14% álcool – Importador: Mistral – Preço de aquisição em 30.03.2006 : R$ 70,50 (preço atual para safra 2006: R$ 88,23) -  Rubi violáceo intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz opulento, com especiarias, frutas vermelhas (groselha), madeira nobre, tostado, defumado e uma pontinha animal (caça). Mostrou ótima sustentação aromática e depois de algum tempo apresentou os mesmos aromas com uma ponta floral sem a tradicional nota de goiabada, pelo que, em nenhum momento denunciou a sua origem. Intenso, macio e profundo na boca, com taninos aveludados próximos de seu auge, acidez balanceada e perfeito equilíbrio dos elementos taninos, álcool e acidez. Vinho de perfil moderno, sem os habituais excessos de extração ou de madeira. Termina do mesmo jeito que começou: sem nenhuma aresta, esbanjando fruta, elegância e longa persistência. Seguramente um dos melhores exemplares chilenos dessa casta, quase imbatível na sua faixa de preço e com mais dois importantes atributos: sua consistência e regularidade. Estruturado, ainda tem de três a cinco anos de vida pela frente.
Nota: 91/100 pts. +

 
2º. lugar – Glen Carlou Syrah 2004 – Paarl – 14,5% álcool  – Importador: Grand Cru – Preço: R$ 115,00 (safra 2005) – data de aquisição: 11.05.2006 – Rubi violáceo intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz frutado com ameixas e framboesa secundadas por notas tostadas e de café.  Boca macia, potente, taninos polidos, vinho profundo com toque picante e de chocolate. De ótima tipicidade,é uma prova de que essa casta se adaptou bem ao terroir da África do Sul. Vinho de equilíbrio no tripé álcool, taninos e acidez. Boa fruta sobre um discreto fundo picante, como convém. Longo, termina suave e com boa persistência. Não tem a tradicional nota química ou de borracha sentida em alguns vinhos Sul Africanos. Beber nos próximos dois anos. Preço elevado.
Nota: 89,5/100 pts. +

 
3º. lugar – Emiliana Syrah Reserva Especial (orgânico) 2001 – Valle del Colchagua  – 14% álcool – Importador: Magna Import – Preço: R$ 104,28 (safra atual 2003 por R$ 99,00) – Rubi violáceo intenso e profundo com halo de evolução. Nariz complexo com notas tostadas, defumadas, especiarias e algum herbáceo. Fruta e madeira em comunhão. Boca densa com taninos presentes de qualidade boa e leve rugosidade. Acidez adequada e média profundidade gustativa, com notas picantes da casta. Vinho estruturado e potente com ligeira aspereza no fim de boca a indicar que mais algum tempo de garrafa (somente mais um ano) lhe fará muito bem porque foi produzido com uvas de safra considerada exemplar no Chile. Vinho de boa tipicidade, porém, de preço um tanto elevado.
Nota: 88/100 pts. 

 

Os demais:

 
4º. lugar – Rutherglen Victoria Shiraz 2004 – 14,5 % álcool – Importador: Best Wine Ltda. – Preço: R$ 58,00  – data de aquisição: junho de 2008 – Rubi violáceo intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz com predomínio de notas vegetais sobre um fundo tostado e de fruta em compota. Melhor na boca: amplo, de boa densidade, maciez aliada à potência, corpo bom, leve toque picante, taninos em profusão a lhe conferir muita força no palato, madeira com leve prevalência sobre a fruta e final longo e persistente. Esbanja tipicidade e tranquilamente agüenta no mínimo uns dois anos na garrafa. Foi o vinho de melhor relação preço-qualidade da degustação.
Nota: 87/100 pts.  ++

 

5º. lugar – Mount Pleasant Single Vineyard Rosehill Shiraz 1998 – 14% álcool – Importador: Best Wine Ltda. – Preço: R$ 80,00 – data de aquisição: junho de 2008  – Rubi violáceo intenso, profundo com halo de evolução e reflexos granadas. Nariz unidimensional com leve vinagrinho que depois apresentou uma incrível evolução para frutas negras em compota, mentol e especiarias. Boca superior ao nariz com notas de frutas negras e taninos no melhor ponto de evolução, porque não deverá evoluir. Acidez ótima. Muito fino na boca com um toque de madeira e chocolate. Termina com suavidade e grande persistência. Beber já, porque já dá sinais de cansaço.
Nota: 86,5/100 pts. 

 
6º. lugar – Ventisquero Reserva Syrah Vale do Maipo 2003 – 14% álcool – Importador: Cantú  – Preço: R$ 39,80 (safra atual 2006) – Rubi violáceo de média profundidade com halo de evolução. Nariz vegetal típico de alguns vinhos do Maipo com notas de goiabada em compota. Média tipicidade.  Melhor na boca do que no nariz: macio, redondo, curto (falta-lhe estrutura e um pouco mais de fruta), taninos bem maduros, média concentração de sabor e acidez compatível. Termina suave e com alguma sobra de álcool.  Relação preço-qualidade correta. Beber já.
Nota: 86/100 pts. 

 

7º. lugar –  Lindemans Bin 50 Shiraz  2005 – 13,5% álcool – Importador: Expand – Preço: R$ 59,00 (safra atual 2006) – data de aquisição: 14.03.2007  – Rubi violáceo intenso e profundo com halo de evolução e ligeira turbidez. Nariz de pouca expressão a indicar um vinho de baixo frescor com discretas sugestões de alcaçuz e canela. Boca com inequívocos sinais de cansaço, com leve prevalência da acidez, pouca fruta e sobra de madeira. Estruturado, de corpo bom e taninos duros em evidência. Termina com aspereza e ligeiro amargor, mas deve melhorar com comida. Tem tipicidade, mas deve ser bebido já porque não vai evoluir. Esperava mais desse vinho, porque não é tão velho assim e nas safras anteriores tinha bastante fruta.
Nota: 85/100 pts. 

8º. Lugar – Delicato Califórnia Shiraz  2004  – 13,5% álcool – Importadora: World Wine  preço: R$ 48,00 – Rubi violáceo intenso com leve halo de evolução. Nariz unidimensional com notas vegetais e uma leve sugestão química. Boca semelhante ao nariz, sem complexidade, taninos macios, baixa acidez e de baixa persistência. O seu auge já passou. Apresentou poucas características da casta no olfato e na boca. Bebível, porém, de baixa tipicidade.
Nota: 84/100 pts. 

9º. Lugar – Bodega Eral Bravo – Urano Syrah Mendoza – 14,8% álcool – Importadora: Best Wine – preço: R$ 48,00 – Rubi violáceo de média profundidade sem halo de evolução. Nariz quase defeituoso com pano molhado que depois cedeu nota vegetal. Boca inexpressiva, taninos rudes, franco desequilíbrio no tripé álcool (elevado), taninos (duros) e acidez (elevada). A madeira tripudiou sobre a fruta, num conjunto desequilibrado e pouco interessante, porque lhe faltou fruta, estrutura e tipicidade. Não pode ser considerado um vinho representativo da casta na Argentina, porém, bebível desde que acompanhado de uma carne bem suculenta.
Nota: 80/100 pts. 

Esvaziando a Adega – 9ª. Edição – Cabernet Sauvignon: Argentina X Chile

sábado, maio 23rd, 2009

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A reunião foi realizada no sábado, 23 de maio de 2009, no Restaurante “Santa Gula  – Arte e Gastronomia”, Rua Fidalga, 340 fundos – Vila Madalena – São Paulo SP – tel 3812 7815, com a presença dos confrades Jeriel, Glauber H. Pereira, Alexandre Furniel,  Horst Kismann, José Luiz e Lucas Garaldi. 

 

Para chegar ao restaurante, percorre-se um longo corredor ornamentado por bananeiras. As mesas distribuem-se pelas salas dessa antiga casa de fundos. Todo o mobiliário, assim como peças de decoração e até copos, está à venda. O cardápio segue a linha moderna. Foi preparado um menu especial denominado “Menu Confraria” constituído de couvert (pães, torradas, lascas crocantes e patês, tudo fresquinho), entradas (quatro opções: casquinha de siri, saladas de tomates marinados, folhas e lascas quebradas, bolinho crispy de batata e caldinho de feijão), prato principal (escondidinho de carne seca – uma das especialidades da casa) e sobremesa: cesta de frutas vermelhas com mousse de tapioca, frutas da estação e brownie com sorvete de canela.

 

Merecem menção especial o atendimento e a recepção atenciosa do Santa Gula na pessoa de sua sócia-proprietária Dani Chamecki, do Gerente Alan e o impecável serviço do vinho desempenhado pelo garçom, eis que tudo transcorreu com tranquilidade, sem os habituais atropelos, confusões, serviço que pode ser considerado superior ao de algumas casas já habituadas em receber confrarias porque os vinhos foram servidos rigorosamente na ordem, na temperatura de serviço e sem necessidade de orientações constantes.

 

Assim, a conclusão é de que o Santa Gula se constituiu numa agradável surpresa porque se mostrou uma opção viável para reunião de confrarias de vinhos, porque além do preço razoável (é só combinar com a Dani: dani.chamecki@uol.com.br ou Alan: alan.santagula@uol.com.br) para esse tipo de evento, não houve a cobrança de rolha, prática comum em diversos estabelecimentos e tanto o serviço do vinho como a comida são dignos de reconhecimento. 

 

Sem mais delongas, vamos à classificação geral dos cabernets numa degustação bastante equilibrada a demonstrar o elevado nível de qualidade atingido pelos cabernets argentinos, que enfrentaram com valentia os chilenos que mais uma vez se sagraram vitoriosos, corroborando a assertiva de que a principal casta do país andino é mesmo a cabernet sauvignon. Já no país platino ela também tem importância porque desempenha o papel de principal parceira da malbec.

 

Por fim, destaco que apenas uma amostra estava bouchonée (Montes Reserva 2004) e as demais estavam em ótimo estado de conservação e exigiram bastante atenção dos degustadores, todos experientes e com boa litragem.

 

O Pódio:

1º. lugar – Marques de Casa Concha Cabernet Sauvignon 2004 – Vale do Maipo/Puente Alto – 14,5% álcool – Importador: Expand – Preço – R$ 78,00 (safra 2006) -  Rubi violáceo intenso e profundo com leve halo de evolução. Nariz intenso, com madeira nobre, tostado, cassis, frutas negras (ameixas) e leve mentol. Mostrou boa sustentação e depois de algum tempo apresentou traço aromático típico dos vinhos do Maipo, com muita compota (goiabada). Intenso e profundo na boca, taninos em profusão (ótima qualidade), acidez balanceada, termina do mesmo jeito que começou: suave, elegante e  com a mesma nota de fruta em compota (goiabada) apresentada no olfato. Boa relação preço-qualidade e muito boa tipicidade.  Vinho pronto e na sua melhor forma. Estruturado, ainda tem cinco anos de vida pela frente.
Nota: 90/100 pts. +

 

2º. lugar – Errazuriz Estate Reserva Cabernet Sauvignon 2001 – Vale de Aconcágua – 14% álcool  – Importador atual: Vinci Vinhos – Preço R$ 43,14 (safra 2007) – Rubi violáceo intenso e profundo com pequeno halo granada. Nariz frutado com ameixas e framboesa em evidência e um discreto toque de evolução. Notas mentoladas. Boca macia, aveludada, taninos polidos, intenso, profundo com toque de pimenta e chocolate. Vinho de perfeito equilíbrio do tripé álcool, taninos e acidez. Boa fruta sobre um discreto fundo de chocolate. Longo, termina suave e com boa persistência. Beber já. Ótima relação preço-qualidade.
Nota: 89/100 pts.

 

3º. lugar – Terrazas de Los Andes Perdriel Vineyards Cabernet Sauvignon Reserva 2002  – 13,5% de álcool – Importador: Chandon do Brasil – Preço R$ 80 (preço médio – safra 2006) – Rubi violáceo intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz complexo com notas tostadas, cassis, groselha, chocolate e tabaco. Boca espessa com leve rugosidade, madeira por sobre a fruta presença, acidez adequada e grande profundidade gustativa. Os taninos ainda presentes e a ligeira aspereza no fim de boca indicam que mais algum tempo de garrafa lhe fará muito bem porque foi produzido com uvas de safra considerada exemplar na Argentina.
Nota: 88,5/100 pts. +

 

Os demais:

 

4º. lugar – Lavaque Partida Limitada Cabernet Sauvignon 2001 – Mendoza- 13% álcool – Imp: Rede Sonae – Preço: R$ 15,99 (Supermercado Big – 26.08.2004) – Importador atual: Casa dos Vinhos – BH (safra atual 2005 por R$ 23,50) – Rubi violáceo com pequeno halo de evolução. Nariz com predomínio de notas vegetais sobre um fundo discretamente frutado. Melhor na boca: boa densidade, maciez, corpo bom, leve toque picante, taninos finos de qualidade muito boa a sinalizar algum cansaço e final com equilíbrio entre madeira e fruta. Tido como azarão da degustação (a safra não foi das melhores), destacou-se por sua tipicidade e equilíbrio gustativo. Beber já. Ótima relação preço-qualidade. O difícil é encontrá-lo no mercado…
Nota:  87/100 pts. 

 

5º. lugar – Cocodrilo de Cobos Cabernet Sauvignon 2002 – Mendoza – 14,4% álcool -  Importador: Grand Cru – Preço – R$ 58,00 (atual Felino 2007 por R$ 70,00) – Rubi violáceo intenso, profundo com halo de evolução e reflexos granadas. Nariz unidimensional com leve vinagrinho que depois cedeu para mentolado. Boca superior ao nariz com notas de frutas negras e leve eucalipto. Potente, seus taninos são macios e estão no melhor ponto de evolução. Acidez baixa. Curto na boca. Ttermina com uma leve nota química. Beber já.
Nota: 86,5/100 pts. 

 

6º. lugar – Famiglia Bianchi Cabernet Sauvignon 2004 – San Rafael/Mendoza- 14,8% álcool – Importado por Aurora Bebidas e Alimentos Finos. Importador atual Mr. Man Ltda. – Preço – R$ 39,80 (safra atual 2006) – Rubi violáceo de média profundidade com leve halo de evolução. Nariz expressivo com frutas vermelhas, cassis e pimenta. Boa tipicidade. Boca macia, curta (falta-lhe estrutura), taninos finos, boa concentração de sabor e acidez compatível. Termina suave e sem arestas.  Recebeu 90/100 pts. da WS.  Ainda agüenta um ano na garrafa.
Nota: 86/100 pts. +

 

7º. lugar – Winemakers Lot Cabernet Sauvignon 2002Viñedo La Protectora – Vale do Maipo – 13,5% álcool – Importador: Expand – Preço – R$ 68,00 (safra atual 2005) – Rubi violáceo intenso e profundo com nítido halo de evolução. Nariz de pouca expressão a indicar um vinho de baixo frescor com discretas sugestões mentoladas e alguma fruta preta. Boca rigorosamente no ponto, taninos gentis, boa fruta e acidez discreta. Termina sem aspereza e sem amargor. Apresentou baixa persistência olfativa e deve ser bebido já porque não vai evoluir. A safra não é considerada das melhores no Chile…mas o vinho não é dos piores, porque não costuma decepcionar.
Nota: 85/100 pts.

Sul da Itália na Confraria

quinta-feira, maio 21st, 2009

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Sul da Itália na SABORESDEBACCO

 
Saboresdebacco é a Confraria que reúne os enófilos Glauber Pereira,  Marco Santo Mauro, Julio Mora, Sérgio, Paulo Guerra, Miguel  e Waldir Gandolfi.  Desta vez, sob a coordenação do Paulo Guerra, reunimo-nos na noite de 21.05.09 no Vinheria Percussi Ristorante, estabelecido na Rua Cônego Eugênio Leite, 523, Jardim América, sob o comando de Lamberto e de sua irmã Silvia Percussi.

 

Abaixo o menu  escolhido e que foi servido após a degustação:

 

“Per Cominciare
 Arancini, bruschette e crostini assortiti.

 

Antipasto
Insalata di rucola, fichi, brie e chips pomodori e mandorle
Rucola, figos, brie e chips de tomates e amêndoas

 

Piatti Caldi
Fagottini di mascarpone e camembert al burro e erbe (o)
Massa fresca recheada de mascarpone e camembert na manteiga de ervas (ou)
Raviolini di ricotta e spinaci al sugo di pomodori freschi
Massa fresca recheada de ricota e espinafre com molho e tomates frescos

 

Secondo
Costolette d’agnello alla griglia con patatine chips
Costeletas de cordeiro grelhadas com batatas chips

 

Dessert
Piatto di frutta fresca e Torta di mele & gelato
Prato de fruta fresca e Torta de maças com sorvete de creme”.

 

A degustação transcorreu normalmente e o serviço do vinho foi ótimo porque apesar do movimento da casa, o sommelier se desincumbiu muito bem e serviu os vinhos na ordem pré-estabelecida (às cegas) e com bastante presteza.  O menu degustação  foi servido na forma como proposto e aprovado pelos comensais. Rendo aqui as minhas melhores homenagens à equipe do Vinheria Percussi, que nos proporcionou uma noite agradável e que certamente se repetirá noutra oportunidade.

 

O tema escolhido “Sul da Itália” foi apropriado e isso pôde ser notado pela elevada qualidade dos vinhos trazidos pelo Paulo e cujos valores foram rateados em partes iguais pelos Confrades, porque nenhum ficou abaixo de 87/100 pts. o que é um dado significativo. Abaixo segue a lista em ordem decrescente:

 

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Taurasi: um dos destaques

 

8.- Gravello – IGT Calábria 2004 (13,5% álcool – 60% Gallioppo e 40% Cabernet Sauvignon) – Rubi violáceo, café torrado, macio, redondo, taninos presentes de qualidade muito boa, corpo adequado, intenso e de ótima acidez.
Nota: 87/100 pts.+ – Importadora Mistral – preço: R$ 166,10

 
7.- Rosso Salento IGT “Lama Del Tenente” 2003 (14% álcool – 45% Primitivo, 45% Montepulciano e 10% Malvasia Nera di Lecce) -  Rubi violáceo brilhante e com discreto halo de evolução, nariz balsâmico, especiarias, cravo, frutas negras e mentol. Boca no mesmo sentido, macia e de boa acidez. Leve amargor que não incomoda.
Nota: 88/100 pts. – Importadora Vínea Store – preço: R$ 128,00 

 

6.- Il Moro Nero DAvola IGT Sícilia 2004 (13,5% álcool – 100% Nero DAvola) – Rubi violáceo com halo de evolução, nariz frutado a lembrar Pinot Noir do Novo Mundo com boa fruta, boca macia, bom corpo, ótima acidez, taninos finos, termina longo e suave.  Nota: 88,5/100 pts.  Importadora Vínea Store – preço: R$ 115,00

 

5.- Radici Taurasi Riserva DOCG Campania 1999 (13,5% álcool – 100% Aglianico) Rubi violáceo de média profundidade, nariz picante com tabaco, fumo de corda e algum defumado. Boca densa, taninos muito finos, potente, intenso sem denunciar a idade e de ótima acidez.
Nota: 90/100 pts.    Importadora Mistral – preço: R$ 231,00  

 

 

 

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Os quatro finalistas

 

 

4.- Grifalco Aglianico Del Vulture DOC Basilicata 2004 (13,5% álcool – 100% Aglianico) – Rubi violáceo sem halo de evolução, aromas com frutas negras (ameixas), boca densa, concentrada, taninos prontos, acidez boa, longo e profundo.  Rótulo bonito
Nota: 90,5/100 pts.+    Importadora Vínea Store – preço: R$ 120,00

 

3.- Principi di Butera IGT Sicilia 2003 (13% álcool – 100% Nero DAvola)  -  Rubi violáceo com pouco brilho e pequeno halo de evolução, nariz com forte nota de compota (goiabada) muito parecido com o do vinho português Periquita Reserva, boca macia, estruturada, aveludada, um pouco ligeira. Acidez que se destaca no seu elegante final.  Nota: 91/100 pts.     Importadora Terroir – preço R$ 110,00

 

2. – Tasca DAlmerita Cabernet Sauvignon DOC 2004 (14,5% álcool e 100% Cabernet Sauvignon) – Rubi violáceo intenso e profundo sem halo de evolução, nariz complexo, intenso e de longe o melhor do painel com pimenta, alcatrão, fumo de corda e leve defumado sobre uma camada de frutas vermelhas. Boca potente, intensa, profunda, taninos finos em profusão, ótima acidez e final elegante. Excelente tipicidade. Tem muita vida pela frente.
Nota: 91,5/100 pts.++      Importadora Mistral – preço: R$ 218,90

 

1.- Don Antonio Nero DAvola IGT 2005 (14% álcool e 100% Nero DAvola) – Rubi intenso, concentrado, nariz com notas lácteas, madeira fina, frutas negras e chocolate,  tudo muito elegante. Boca subscrevendo integralmente o olfato, taninos muito finos, fruta em profusão, madeira na medida, perfeito equilíbrio do tripé álcool, acidez e taninos, longo, profundo e de estilo francês com muita elegância,  força e ainda com muitos anos de vida pela frente.    Um “Supersiciliano”.
Nota: 92/100 pts.+   Importadora  Expand -  preço R$ 148,00  

 

O propalado potencial vitícola do Sul da Itália foi comprovado, uma vez que livre de diversas restrições legais sobre uvas permitidas que pesam principalmente sobre outras regiões italianas, o vinhateiros estão sabendo explorar o potencial da região que deu um enorme salto qualitativo.  O único “senão” é que aqui no Brasil alguns “agentes de mercado” praticam preços exagerados para esses vinhos os quais ao menos em tese deveriam ser mais baratos do que os de outras regiões vinícolas italianas…

Font de La Figuera DOC Priorat 2002

sábado, maio 16th, 2009

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A Espanha possui uma forte tradição histórica na produção de vinhos e atualmente é o país com maior área plantada com vinhedos no mundo. Seu modelo de classificação segue o modelo adotado pela União Européia, com quatro classificações principais: DOC (Denominación de Origen Calificada, DO (Denominación de Origen), Vino de la Tierra e Vino de Mesa. Para os DOC e para os DO, os termos Crianza, Reserva e Gran Reserva são muito importantes porque contam com proteção legal. Esses termos referem-se a vinhos de qualidade superior, que estagiaram em madeira e que foram submetidos a envelhecimento nas caves antes de irem para o mercado. Esse tempo varia de seis meses a cinco anos. As principais uvas cultivadas são a Tempranillo, Garnacha, Cariñena e Graciano.

 

Contudo, existe uma região produtora que foge desses padrões e que fica no nordeste da Espanha e que integra a Catalunha, que como sabemos possui forte espírito independente. Essa região é o Priorato, que apesar de ser uma das menores passa a ter muita relevância por causa de sua reputação. Lá, cepas internacionais como Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e até Pinot Noir pontificam e são cultivadas ao lado de vinhedos centenários de Garnacha e Cariñena.

 

O relevo acidentado dificulta a mecanização e os vinhedos estão plantados em terraços que serpenteiam as íngremes encostas a 700 metros de altitude, sobre solo de base xistosa denominado licorella, que proporciona excelente drenagem para as videiras e que também se caracteriza por contribuir no forte acento mineral no gosto de seus vinhos.

 

Nesse contexto, Clos Figueras é um dos mais importantes produtores da região porque recebeu reconhecimento internacional através das elevadas pontuações de Robert Parker e da Wine Spectator. É um projeto do dinâmico René Barbier (enólogo do Clos Mogador) em parceria com Cristopher Cannan (proprietário das Bodegas Lauronas). O primeiro vinho da Clos Figueras é o Clos Figueres, vinho emblemático e o segundo é Font de La Figuera, que tem estilo que revela toda tipicidade dos vinhos dessa região. O primeiro é um corte de Garnacha, Cariñena, Syrah e Pinot Noir e o segundo tem 60% de Grenache, 10% de Carignan e 30% de Syrah, Mourvédre e Cabernet Sauvignon.

 

O vinho escolhido é o Font de La Figuera, safra 2002, que recebeu 89/100 pts. de Robert Parker  com a seguinte descrição: “ Wine Advocate 159, 01/06/2005. The 2002 Font de la Figuera (the estate’s second wine) exhibits a dark ruby/purple color along with a sweet nose of blue and blackberries, spicy oak, and crushed rocks. Its texture, purity, and length suggest it should be consumed over the next 4-5 years”.  Destaco que também recebeu 90/100 pts. da WS.

Degustação

Font de la Figuera Priorat DOC 2002

Cor rubi violáceo com alguma profundidade e pequeno halo de evolução. Nariz com madeira em profusão. Depois de algum tempo cedeu espaço para notas de especiarias como cravo e canela sobre um fundo adocicado e um leve toque mineral com ótima sustentação na taça. Boca concentrada no qual uma forte mineralidade quase salina contrasta firmemente com os aromas adocicados apresentados no olfato. Taninos adstringentes e secantes inundam o palato causando uma forte sensação de secura que tripudia sobre a fruta. O álcool elevado e a acidez salivante contribuem para formar um conjunto potente e austero que requer um prato da cozinha regional para aparar essas arestas. Um vinho de personalidade e de alma catalã que demanda mais alguns anos na garrafa para o perfeito entrosamento de seus elementos. Ainda assim é uma boa pedida para quem quer conhecer os vinhos dessa intrigante região produtora espanhola.

Avaliação: 87/100 pts.+     

Preço: US$ 59,75 (época da aquisição)

Importadora Mistral

Ventisquero Grey Merlot 2005

terça-feira, maio 5th, 2009

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Com a ascenção da Carménère chilena muitos produtores passaram a lhe dar mais destaque em detrimento de sua prima Merlot e por isso, atualmente, há uma gama de Carménères à disposição dos consumidores. O mesmo não se pode falar da Merlot, que ficou praticamente “esquecida”, uma vez que desde a década de 1990 todos os investimentos recaíram sobre a Carménère que vem sendo apontada como “uva símbolo” do país. Outras vinícolas investem na Syrah, Pinot Noir, Malbec, Cabernet Franc e até na Carignan com resultados animadores (a própria Ventisquero tem se destacado com Cabernet Sauvignon, Syrah e Carménère e conseguiu que seu Sauvignon Blanc Queulat 2008  conquistasse o título de melhor vinho da categoria na  Expovinis 2009), mas não se tem conhecimento de nenhum Merlot de nomeada. Todavia, ousamos dissentir do ponto de vista de que a Carménère é a “uva símbolo” do Chile porque este lugar é de fato da Cabernet Sauvignon (gostaria de enfatizar que esse  é o meu ponto de vista e também que não sou contra a Carménère, até porque ela tem se mostrado uma excelente parceira da  Cabernet Sauvignon nos vinhos de corte) . E tem mais.  Sem exagerar é fato inconteste que os cabernets chilenos estão entre os melhores do mundo. É só consultar qualquer publicação do gênero (nacional e internacional) para constatar as altas pontuações atingidas por esses vinhos.  Contudo, como forma de identidade a Carménère foi a escolhida e o Brasil é um de seus maiores consumidores. E, apesar do importante papel que desempenhou no passado, a Merlot foi parcialmente deixada de lado.

 

 

O vinho escolhido foge desse padrão porque é um Merlot, da linha Grey, que em termos de posicionamento no mercado está acima da linha Queulat – Gran Reserva e somente abaixo  dos ícones Pangea (Syrah) e Vértice (Carménère e Syrah).

 

Além da indicação do teor alcoólico (14,5%), o contra-rótulo assinado pelo enólogo Felipe Tosso ostenta a seguinte informação: “Quiero presentarles nuestro Ventisquero Grey, creado pensando em la pureza del terroir del Valle de Yali. Este gran vino proviene de la selección de las uvas de las laderas del fundo Trinidad, madurado durante 15 meses em barricas de encinas francesas, para entregarnos um vino de exuberante elegância, complejidad y equilíbrio, el cual es la inspiración de um gran equipo de trabajo”.  

 

Pois bem. O “Fundo Trinidad” fica no Valle de Yali, sub-região do Vale do Maipo, 140 km a sudoeste de Santiago e a 35 km do Pacífico. A proximidade com o mar proporciona influência marítima à região. A altitude varia de 150 a 260 metros acima do nível do mar. O clima apresenta uma longa estação seca com influência da costa e temperaturas médias variando entre mínima de cinco graus e máxima de quinze graus. No verão a temperatura média varia entre mínima de doze graus e máxima de vinte e nove graus. 

 

No corte do Grey Merlot 2005 existe uma pequena participação da Carménère (5%) e da Syrah (10%). Foi realizada a maceração pré-fermentativa a baixas temperaturas para extrair maior quantidade de cor e aroma. O mosto foi fermentado em tanques de aço inoxidável e cerca de 100% dele passou quinze meses em barricas de carvalho francês e mais um ano na garrafa antes de sua liberação. Também não podemos olvidar de que a safra de 2005 foi excelente no Chile e que a colheita da Merlot ocorreu em abril, isto é, no exato momento em que a uva apresentou qualidades organolépticas ideais tantos nos aromas como na maturação dos taninos.

 

Degustação
Ventisquero Grey Merlot  2005
Cor rubi violáceo com alguma profundidade e sem halo de evolução. Nariz intenso com predomínio de frutas vermelhas maduras (cerejas e amoras). Um toque de baunilha, licor de cassis, especiarias (pimenta) e uma leve sugestão defumada com boa sustentação. Boca limpa, redonda, extremamente macia, de taninos suaves e aveludados, com a repetição das sensações olfativas (muito frutado), num corpo médio e de muito boa acidez, longo e persistente. Termina com uma leve nota de chocolate e apresenta retrogosto duradouro.  Certamente um dos melhores merlots chilenos (porque apresenta excelente tipicidade da casta) da safra 2005 e que tem bom potencial de evolução na garrafa (3/5 anos).
Observação: o 2006 já está à venda é tão bom ou melhor do que esse!
Avaliação: 89/100 pts.+      Preço: R$ 79,90 (Carrefour ou lojas especializadas)  Importador: www.cantu.com.br    tel 0300 210 10 10

Miolo Gamay 2009

sexta-feira, maio 1st, 2009

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Inicialmente gostaria de tecer algumas considerações sobre a “Confraria dos Enoblogs”, cuja coordenação atual é de Gil Mesquita (vinhoparatodos.blogspot.com) e cuja administração está por conta de Alexandre Frias, do “diáriodebacco”. O primeiro optou por degustar e comentar vinhos de no máximo R$ 50,00. Resultado: recentemente registrou 100.000 visitas no seu blog.  E, sem pestanejar, posso afirmar que esse número expressivo de visitas se deve a seu estilo fácil e objetivo de escrever e também porque amiúde escolhe vinhos que estão ao alcance de todos, daí o sugestivo nome do blog de “vinhosparatodos” e os comenta com bastante precisão.

 

Já o Alexandre teve uma idéia melhor ainda: com o surgimento de diversos enobloguistas entre os quais me incluo, criou o portal www.enoblogs.com.br e assim passou a promover de forma decidida e sistemática a cultura do vinho e da gastronomia ao oferecer a possibilidade de cadastramento dos blogs dos interessados de modo que à medida que os “posts” ou artigos são lançados, a cada hora são atualizados no portal www.enoblogs.com.br, que os indexa de forma sistemática.

 

Assim, todo blog cadastrado deve ostentar um selo, a ser solicitado no portal “enoblogs”, que verificará se o conteúdo tem compatibilidade com a difusão da cultura do vinho e da gastronomia. Uma vez aprovado e com a publicação do selo “Enoblogs – blogs unidos pelo vinho” no blog interessado, toda e qualquer publicação terá seu conteúdo liberado no “enoblogs.com.br”.  

 

Agora vamos a uma das principais atividades dos enoblogs, que é o comentário do vinho do mês (maio), Miolo Gamay 2009, que desta vez foi escolhido pelo Marcus, do blog azpilicueta http://azpilicueta96.blogspot.com

 

Aproveito a oportunidade para informar que para junho de 2009, o vinho escolhido é o chileno Ventisquero Tantehue Cabernet Sauvignon 2007 (ou 2006), preço médio R$ 18,00, da importadora paranaense Cantú  (0300 210 10 10),  com larga distribuição nas principais redes de supermercados e lojas afins.

 
Agora vamos ao que interessa: no portal da Miolo consta a seguinte informação “A Miolo, em parceria com Henry Marionnet, um dos melhores viticultores da França segundo Robert Parker, considerado pela imprensa francesa e pela crítica internacional como “o papa do Gamay“, produziu o Miolo Gamay 2009, elaborado com uvas da Campanha gaúcha (RS), através do processo de maceração carbônica”.

 
E quanto custa? No portal da Miolo consta o preço sugerido: R$ 115,00 a caixa com seis garrafas, o que dá R$ 19,16 por garrafa mais as despesas de frete. Fiz uma simulação que totalizou R$ 30,00 (moro em São Paulo, Capital) relativos ao frete, perfazendo o total de R$ 145,00 que elevou o preço da unidade para R$ 24,16. Contudo, esclareço que este vinho já pode ser encontrado nas grandes redes de supermercados, no Carrefour seu preço médio é de R$ 26,90 (Loja Villa Lobos). Todavia, no dia 26 de abril,  pude adquiri-lo numa promoção da Loja Butantã da mesma rede por R$ 14,89 (catorze reais e oitenta e nove centavos consoante cupom fiscal GNF 002181 COD 004840).

 

Degustação
Rubi violáceo com reflexos púrpuras nas bordas. No olfato bastante frutado com destaque para  groselha e morango. Na boca é um vinho ligeiro que apresenta corpo magrinho, pouco concentrado, quase sem taninos (característica da casta), médio frescor, pouca persistência, ausência de amargor e alguma doçura residual, no limite do seco como bem apontado pelo experiente enófilo José Paulo Schiffini, no portal www.enoeventos.com.br/200902/gamay/gamay.htm, cujos comentários (no meu modesto ponto de vista),  são de leitura obrigatória para quem quiser saber mais sobre este vinho. Por fim, é bem fácil de beber (de preferência beba-o bem gelado e mantenha-o no balde com gelo) e que procura cumprir a proposta a que veio: ser um vinho jovem e leve, ideal para o clima quente do Brasil.  Seu preço poderia ser um pouquinho menor.
Avaliação: 84/100 pts.