
Les Alcusses de Moixent, também conhecida como a "Toscana" de Valencia
Na noite de 04 de março de 2010, quem escreve essas linhas juntamente com Beto Duarte, Cristiano Orlandi, Daniel Perches, Roberto A. Ventura (Diretor da SBAV-SP), Germán Tuya (Assessor de Comércio Exterior do Escritório Comercial da Espanha em São Paulo) e Pedro Serra (Diretor de Exportações da Bodega Pago de Casa Gran), reunidos no ótimo Empório Vila Buarque (serviço do vinho nota 10), sito à Rua Major Sertório 561, Vila Buarque, São Paulo, tel. 3214 – 2241, para degustação dos vinhos da Bodega Pago de Casa Gran – sem importador para o Brasil.
Blogueiros:
Beto Duarte blog papodevinho.blogspot.com
Daniel Perches www.vinhosdecorte.com.br
Cristiano Orlandi blog vivendovinhos.blogspot.com
MarcelodiMoraes www.marcelodimoraes.com/blog/index.php
O local é um misto de café, adega e bistrô. Com mais de 130 rótulos, possui uma enorme adega climatizada para garantir que os vinhos sejam degustados na temperatura de serviço. O empório é charmoso, descontraído e fácil de chegar e estacionar. Arrisco a dizer, sem medo de errar, que é ideal para o recebimento de Confrarias de Enófilos. Confraternizações também poderão ser realizadas no Empório Vila Buarque – A Casa dos Vinhos, eis que o espaço é amplo e confortável.
Pago de Casa Gran: um pouco de história
Ao longo de décadas a família Galbis Laso tem sido a proprietária da Pago Casa Gran e sempre se envolveu na produção de vinho. A empresa foi relançada em 2006 com instalações modernas e está localizada em um dos terroirs mais privilegiados de Valência, Les Alcusses de Moixent (Mogente, a Toscana de Valência), aos pés de La Bastida, que já foi habitada pelos ibéricos no século quarto A. C. A propriedade possui 100 hectares, dos quais 45 de vinhedos. Há também o cultivo de oliveiras e de damasco.
As uvas utilizadas tem misturas e proporções definidas a cada ano, dependendo da safra e procuram refletir claramente as características do terroir local.
Existem dois tipos de solos de diferentes orientações. Basicamente, os solos são arenosos e argilosos. A propriedade está encravada numa região de planícies, encostas, córregos e áreas de voçorocas (é um fenômeno geológico que consiste na formação de grandes buracos de erosão).
A utilização da agricultura biológica é para melhor aproveitamento do potencial
das vinhas, eis que o equilíbrio proporcionado por esse método atende às necessidades da planta que precisa de terra pura para fixar suas raízes. Sua vida irá se desenvolver livre de produtos sintéticos e agrotóxicos. Por isso, os vinhos produzidos segundo essa escola são produtos artesanais que expressam as características e a personalidade das vinhas e de seu terroir de forma saudável.

Bodega Pago de Casa Gran: vinhos elaborados da forma mais natural possível em favor do sabor e da qualidade
Sobre o terroir de Valencia
O clima é o mediterrâneo, que se caracteriza por baixa precipitação e baixa altitude, praticamente em todas as regiões da Catalunha, mas sobretudo na costeira. Por isso, as videiras podem suportar períodos mais longos de maturação de modo a produzir maior teor de álcool, eis que períodos dilatados são mais adequados para climas mais quentes.
A DO Valencia compreende 66 distritos divididos em quatro sub-regiões: Alto Turia, Moscatel de Valencia, Valentino e Clariano. Os solos são bem drenados, com alto teor de calcário e de cor marrom-acinzentado.
Os vinhos são quentes, com notas de frutos maduros, embora com menos vigor do que os de Utiel-Requena e mais leves do que os de Alicante. Vinhos de Tempranillo e Cabernet Sauvignon são flexíveis, saborosos e de caráter mediterrânico.
Principais uvas brancas: Macabeo, Malvasia, Merseguera, Moscatel, Pedro Ximénez, Plantafina, Plantanova, Tortosí, Verdil, Chardonnay, Gewurztraminer, Sauvignon Blanc, Semillon Blanc e Moscatel da Hungria. Principais Tintas: Garnacha, Monastrell, Tempranillo, Tintorera, Forcayat, Bobal, Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir e Syrah (as grifadas são utilizadas pela Pago Casa Gran).
Abaixo impressões sobre os vinhos com destaque para a modernidade, valorização da fruta e concentração de sabor dos exemplares degustados. Arrisco dizer que o Falcata Casa Gran Arenal é o que exprime com maior fidelidade o potencial do terroir local. Pelo perfil apresentado os vinhos contarão com aceitação dos consumidores, todavia, tudo irá depender do preço final e da capacidade de distribuição do importador escolhido.
Casa Benasal Blanco
Origem: Espanha – safra: 2008 – álcool: 12,5% - uvas: Gewurztraminer (60%) e Moscatel (40%) - região: Valencia/Les Alcusses de Moixent – preço estimado: R$ 40,00 – palha esverdeado. No início uma explosão aromática com notas de lichias bem típicas da Gewurztraminer. Com o passar do tempo perdeu expressão e mostrou uma paleta floral sobre um fundo vegetal (grama cortada). No palato é fino, bom frescor e um pouco curto. Leve toque cítrico. No fim-de-boca um pequeno amargor que não incomoda. No retrogosto apresentou uma sugestão de erva-cidreira. Vinho correto e sua proposta está adequada para a faixa de preço pretendida. Utiliza no seu corte duas uvas aromáticas e carrega o certificado de agricultura biológica. As duas variedades são vinificadas separadamente com leveduras autóctones. Fermentação “sur lie” por três meses. Afina um mês na garrafa antes de sua liberação para o mercado. Um bom vinho, de perfil moderno e de estilo próprio.
Avaliação: 86/100 pts.
Reposo Tinto
Origem: Espanha – safra: 2006 – álcool: 14,5% - uvas: Merlot (30%), Cabernet Sauvignon (30%), Shiraz (20%) e Monastrell (20%) - região: Valencia/Les Alcusses de Moixent – preço estimado: R$ 40 - Rubi intenso com reflexo púrpura brilhante. Nariz frutado com toque salino e de especiarias. Boca a subscrever o olfato, quente, estruturada, com taninos potentes. Devido ao perfil de seus taninos consegue conciliar potência com elegância. Apesar de minoritária, a Monastrell aporta estrutura ao corte e isso está perceptível. Sem passagem por madeira, a fermentação maloláctica realizou-se em tanques de aço inoxidável com temperatura controlada. Amadurece sobre suas borras por seis meses mais três meses na garrafa antes de sua liberação. Termina intenso com bastante delicadeza e uma leve nota herbácea. O produtor informa que devido à longa maceração, este vinho vai amadurecer bem na garrafa nos próximos 2/3 anos. Obteve 85/100 pts. do Guia Peñín 2009.
Avaliação: 87/100 pts. +
Falcata Casa Gran
Origem: Espanha – safra: 2006 – álcool: 14,5% - uvas: Monastrell (30%), Garnacha Tintorera (30%), Shiraz (30%) e Cabernet Sauvignon (10%) - região: Valencia/Les Alcusses de Moixent – preço estimado: R$ 50 – Rubi cereja profundo. Nariz poderoso com aromas concentrados de especiarias doces, chocolate escuro e algo lácteo sobre um fundo frutado. Na boca subscreve o nariz com taninos maduros, poderosos e de boa qualidade. Termina secante com boa possibilidade de amadurecimento na garrafa nos próximos anos. Utiliza uvas de vinhedos convertidos para agricultura orgânica desde 2005. Após a fermentação cinquenta por cento do mosto descansa em barricas de carvalho francês por doze meses e a outra metade parte em tanques de aço inox até o engarrafamento.
Depois, afina na garrafa no mínimo por três meses antes de sua liberação para o consumo. Obteve 88/100 pts. do Guia Peñín 2009.
Avaliação: 88/100 pts. +
Falcata Casa Gran Arenal
Origem: Espanha – safra: 2006 – álcool: 14,5% - uvas: Garnacha Tintorera (70%) e Monastrell (30%) - região: Valencia/Les Alcusses de Moixent – preço estimado: R$ 115/120 - Rubi cereja muito profundo. Nariz complexo, fruta madura, notas balsâmicas, leve vermute, termina picante. No palato é potente, taninos redondos, fruta madura (ameixas), boa acidez, intenso e deixa uma sugestão picante. O vinho amadureceu em barris de carvalho francês durante catorze meses e permaneceu mais oito meses afinando na garrafa antes de sua liberação para consumo. É uma autêntica expressão do terroir local, porque utilize somente uvas autóctones oriundas de vinhas velhas, convertidas á agricultura biológica em 2005. Seu estilo evoca sobretudo o Mediterrâneo. Ainda está jovem e pela normativa local da DO pode ser considerado um Gran Reserva. Vai ganhar harmonia na garrafa nos próximo cinco anos. Obteve 89/100 pts. do Guia Peñín 2009
Avaliação: 89,5/100 pts. ++
A condução enológica está sob a batuta de dois jovens enólogos: Pep Aguilar e Patri Morillo. A filosofia é o respeito às plantas (viticultura orgânica, como sobredito) e o emprego de métodos não agressivos para o seu cultivo caracterizam a produção. Esse método de cultivo orgânico se justifica porque os vinhos são superiores e têm mais personalidade. Dentro de um mesmo lote e variedade, as uvas podem ter diferentes processos na adega e diversos destinos finais como o vinho. Esses resultados podem ser alcançados quando se conhece bem o terreno. O tratamento é feito por gravidade, não são usadas bombas de gravidade para mover e misturar os vinhos.















